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Por amor às causas perdidas

Felipe Gugelmin

Passadas 36 horas — e alguns compromissos sociais ignorados — depois de iniciar XCOM 2, finalmente vejo os créditos do game passando pelo monitor. Durante esse tempo, participei de várias missões (muitas delas vencidas nos últimos momentos possíveis), testemunhei sacrifícios e fiquei mentalmente esgotado depois de jogadas em que a sorte teve tanta participação quanto a habilidade.

Depois de tudo isso, me senti um tanto perdido, sem saber ao que dedicar meu tempo. No entanto, uma certeza permaneceu: eu tenho que retornar a esse universo. O novo jogo da Firaxis é o tipo de experiência que vai lhe deixar triste, frustrado, e fazer você gritar diversas vezes de raiva — o que não vai impedi-lo de querer continuar progredindo na luta.

Futuro distópico

XCOM 2 leva em consideração que todas as vezes que você viu a tela de Game Over em XCOM: Enemy Unknown (ou em Enemy Within), estava simplesmente seguindo a linha de tempo oficial. Durante a invasão testemunhada no reboot da franquia, algo deu errado, e os alienígenas conseguiram derrotar as forças de elite do planeta — o que inclui o rapto do Comandante vivido pelo jogador.

Vinte anos depois, os invasores já se tornaram parte do status quo na forma da entidade conhecida como ADEPT. Além de usar a força militar a seu favor, esse grupo tem como principal arma oferecer a cura de doenças como o câncer e a promessa de uma vida mais longínqua e segura para a humanidade — tudo isso com custos muito pequenos.

Somente uma pequena força de resistência continua lutando para provar que a humanidade está “dormindo com o inimigo” e que há algo de errado em tudo o que está acontecendo. E é justamente esse grupo que encontra e resgata o Comandante no início de XCOM 2, dando início a uma história repleta de tensões, sacrifícios e golpes de sorte.

Ao contrário do jogo que a antecede, a sequência aposta bastante em cenas de corte para narrar uma trama mais coesa e emocional. O resultado é um game que permite estabelecer mais conexões emocionais com seus personagens, mas que em alguns momentos acaba atirando tanta informação em sua direção que é difícil não se sentir um tanto confuso.

Seu principal aliado nessa nova missão é Bradford, que retorna mais experiente e amargo do que em Enemy Unkwon. Junto a ele, há o Dr. Richard Tygan, que trabalhava para o ADVENT até descobrir seu verdadeiro propósito, e a engenheira An-Yi Shen, filha e sucessora do Dr. Shen, figura do reboot que faleceu nos 20 anos entre uma história e outra.

Partindo para o ataque

A principal diferença de XCOM 2 em relação a seu antecessor é o fato de que você não é mais a força dominante do planeta, o que significa sempre estar em desvantagem. Ao invés de um bunker protegido, sua base de operações é uma nave alienígena roubada que está suscetível a ataques aéreos e deve se manter em constante movimento para não ser derrotada.

Essa decisão implica mudanças substanciais na maneira como você coleta recursos. Em vez de depender de satélites, agora você deve contatar forças de resistência espalhadas pelo mundo e instalar antenas que aumentam seus rendimentos. Também é preciso investigar dicas para obter os dois recursos mais importantes do game: inteligência e créditos.

A inteligência funciona como moeda de troca para contatar novas bases da resistência e comprar itens importantes no mercado negro, além de ser essencial em algumas pesquisas científicas. Já os créditos servem para comprar armamentos, instalar antenas, recrutar soldados e fazer upgrades — além deles, você também deve prestar atenção à quantidade de corpos, elerium (um material raro) e ligas alienígenas disponíveis.

Tudo isso parece bastante complicado em um primeiro momento, mas depois de algumas horas de jogo você já vai ter domínio quase total sobre a importância de cada um desses itens. O segredo para a sobrevivência em XCOM 2 é ter a capacidade de planejar a longo prazo e perceber que nem sempre vale a pena investir todas as suas fichas de uma só vez, visto que uma nova ameaça pode exigir o uso urgente de recursos que você já gastou.

Enquanto a parte econômica foi ligeiramente complicada pela Firaxis, o gerenciamento de estruturas foi um tanto simplificado. Como agora você usa uma nave alienígena como base, o espaço disponível para investir em construções é mais limitado — além disso, como você está limpando materiais, recebe recursos ao invés de perdê-los ao investir em expansões.

Também houve uma simplificação na maneira como você constrói estruturas: agora não há mais o bônus que havia caso duas construções semelhantes fossem colocadas lado a lado, o que resulta em mais liberdade para o jogador. As salas disponíveis também ganharam um sistema de melhorias que, mediante o uso de energia e créditos, aumenta suas capacidades.

Como contraponto, agora engenheiros ganharam uma importância ainda maior, já que é preciso associá-los a estruturas para que elas ganhem bônus de eficiência. No geral, a impressão que fica é que estamos lidando com um sistema tão desafiante quanto o de Enemy Unknown, mas que traz como vantagem ser mais flexível em diversos sentidos.

Combates massacrantes

Enquanto o jogador de XCOM 2 não está lutando para lidar com recursos escassos, ele está nos campos de batalha quebrando a cabeça para manter seu esquadrão vivo. Mesmo que você seja um veterano no reboot da franquia, essa não vai ser uma tarefa fácil graças às novas unidades que a Firaxis preparou.

Durante os 20 anos que se passaram nesse universo fictício, os alienígenas não ficaram parados e trataram de realizar ainda mais aprimoramentos genéticos a suas unidades. Se antes os sectoids eram criaturas fracas e pequenas, agora eles têm a altura de humanos normais e abusam de sua capacidade de dominar soldados e provocar pânico entre eles — isso só para mencionar uma das unidades iniciais do título.

XCOM 2 funciona de uma maneira que faz com que você nunca se sinta realmente confiante e pronto para as batalhas que surgem pela frente. Isso porque, quando o jogador acredita que já está acostumado a lidar com determinado tipo de alienígena, pelo menos uma espécie totalmente inédita vai dar as caras na próxima batalha.

Para tornar tudo mais difícil, a maior parte das fases trabalha com limites de tempo que forçam você a tomar decisões mais radicais e agressivas. Com isso, muitas vezes você vai acabar expondo uma de suas unidades mais preciosas ao perigo simplesmente porque não há outra maneira de cumprir a missão de outra forma.

O que compensa um pouco isso é a nova mecânica de furtividade que permite manter seus personagens escondidos até que um deles inicie um ataque ou passe pelo campo de visão de uma unidade inimiga. Co isso, você pode apostar em emboscadas complexas (destruindo grupos inteiros em um único turno) e em táticas que permitem que um soldado se aproxime rapidamente de um objetivo enquanto outros lhes dão cobertura.

Como dessa vez seus soldados estão ainda mais propensos a se machucar e a morrer, prepare-se para fazer um rodízio constante das unidades que manda a campo. A Firaxis compensa a aparente fraqueza das unidades com árvores de habilidade mais complexas e que permitem apostar em táticas bastante abrangentes — cada uma das três classes básicas apresenta duas opções de upgrades quando um nível é ganho, que podem ser complementados por habilidades concedidas de forma aleatória após investir em uma estrutura específica.

A boa notícia é que seu investimento vai ser compensado pelo fato de que, nas últimas horas de jogo, sua equipe provavelmente vai estar muito mais poderosa que a maioria dos alienígenas. Tal qual acontece com Dark Souls (e com o próprio Enemy Unkown), cada falha e pequena conquista vai fazer de você um jogador melhor, e novas descobertas científicas vão ajudar sua equipe mais apta a sobreviver nos campos de batalha.

Personalização abrangente

Uma das formas encontradas pela Firaxis para fazer com que você valorize ainda mais seus personagens é oferecer mais opções de personalização do que as vistas em Enemy Unknown e Enemy Within. Muitas delas só se tornam disponíveis depois que seus soldados atingem certo grau de experiência, o que aumenta sua conexão com eles e torna ainda mais triste o momento em que eles morrem.

A filosofia adotada pelo estúdio também se traduz em um grande suporte para mods desde o momento em que o título chegou às lojas. Pouco mais de uma semana após seu lançamento oficial, ele já conta com diversos pacotes estéticos, armas e tipos de inimigos inéditos que podem ser adicionados facilmente à sua aventura graças à integração com o Workshop da Steam.

O projeto AVATAR

Não bastando as batalhas difíceis e as decisões de gerenciamento que o jogador tem que enfrentar, ele também vai ter que lidar com o Projeto AVATAR. Essa iniciativa misteriosa dos alienígenas pode dar a eles o domínio completo da Terra e acabar em um só golpe com todas as forças de resistência.

Para evitar que isso aconteça, você vai ter que investigar (e destruir) bases alienígenas ao mesmo tempo em que constrói estruturas e cumpre sub-missões destinadas a descobrir a verdade sobre essa iniciativa. Um contador exibido de forma central na tela mostra o quanto de tempo resta disponível, o que ajuda a criar uma grande sensação de ansiedade no jogador.

Também contribuem para isso os chamados “Dark Projects”: ao fim de cada mês, você vai ter que escolher combater uma de três condições negativas que vão afetar sua equipe. Nessa hora, é preciso levar em consideração tanto a vantagem obtida (mais recursos ou novos cientistas, por exemplo) quanto a maneira como sua partida será prejudicada (vale mais a pena lidar com inimigos com armaduras reforçadas ou atrasar o Projeto AVATAR? Cabe a você decidir isso).

Em resumo, XCOM 2 é um game que vai pressionar sua capacidade de estratégia o tempo todo e que nunca apresenta escolhas fáceis ao jogador. No entanto, ao invés de se sentir frustrado devido a isso, você provavelmente vai adorar cada momento e se sentir bastante recompensado toda vez que completa uma nova pesquisa e destrava novas maneiras de aumentar o poder de ataque da resistência.

Problemas de desempenho

Até o momento exclusivo para PC, XCOM 2 infelizmente tem alguns problemas que muitas vezes poderíamos associar a ports de consoles feitos de maneira descuidada. O principal deles está no fato de que nem mesmo máquinas que ultrapassam os requisitos mínimos parecem capazes de rodar o game com mais de 60 quadros por segundo — mesmo hardwares poderosos apresentam slowdowns visíveis em momentos nos quais a ação acontece de forma mais intensa.

Embora seja possível minimizar certos problemas com algumas soluções descobertas pela comunidade, fato é que a Firaxis não deu o polimento necessário ao título. Prova disso é o fato de que, em alguns momentos, certas animações simplesmente travam quando a câmera dinâmica é ativada para tentar dar mais dramaticidade às cenas.

Outro problema evidente são os longos tempos de carregamento do título, especialmente durante o retorno à base que ocorre após uma missão. O mais estranho é que muitos jogadores conseguem cortar esse intervalo de forma brutal simplesmente apertando a tecla “CAPS LOCK” — indício de que algo bastante estranho acontece com a programação.

Isso não vai fazer com que você queira desistir do título em nenhum momento, mas é bom se acostumar com tiros impossíveis de serem vistos porque havia uma parede perto de sua unidade e com inimigos que parecem surgir “do nada”. Também é bom aceitar o fato de que, mesmo com 95% de chance de acerto, um tiro a queima roupa pode errar seu alvo diversas vezes (algo que aqueles que jogaram Enemy Unkown ou Within provavelmente já devem saber muito bem).

Vá à luta

XCOM 2 é um game que vai deixar você preocupado e estressado, mas que também vai trazer vários momentos de satisfação. Exigindo uma boa dose de investimento (tanto de tempo quanto emocional), o novo título da Firaxis aprimora praticamente todos os pontos apresentados no reboot da série lançado em 2012.

O único ponto que impede que a sequência se torne o título que a maior parte dos fãs estava esperando é a grande quantidade de problemas técnicos que permeiam o game. A não ser que você tenha uma máquina poderosa, prepare-se para sacrificar boa parte da fidelidade gráfica possível para conseguir ter um desempenho aceitável — algo que acontece mesmo que sua máquina teoricamente corresponde aos requisitos mínimos indicados.

XCOM 2 é daqueles títulos que têm tudo para se tornar ainda melhores conforme o tempo passa. Após alguns patches (nenhum havia sido lançado até o momento em que esta análise foi finalizada), o lançamento deve ter tudo para agradar o público sedento por games de estratégia desafiantes.

Mesmo com alguns problemas de desempenho, o título é uma experiência obrigatória para quem apreciou o trabalho feito em Enemy Unknown e Enemy Within. Oferecendo uma jogabilidade excelente, o game deixa boas expectativas para descobrir o que pode estar sendo reservado para ele pela comunidade que se dedica a fazer mods de qualidade.

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95 pc
Excelente
"XCOM 2 é tudo que se pode esperar de uma sequência e mais um pouco. Obrigatório para todos os fãs de Enemy Unkown."

Pontos Positivos

  • Ainda mais tático e desafiante
  • Sistemas de jogo atualizados e simplificados
  • Opções de classes mais interessantes
  • Economia remodelada
  • Pressão constante ajuda a manter o jogador atento

Pontos Negativos

  • Problemas técnicos impedem que a experiência atinja seu verdadeiro potencial