Mais um péssimo jogo para o PS2 que se utiliza de uma marca conhecida para empurrar as vendas

X-Men: The Official Game junta-se à extensiva série de jogos caça-níqueis, lançados na esteira de um filme de sucesso. A história interessante e os personagens bem construídos não conseguem encobrir o péssimo design das fases e as tarefas repetitivas que predominam no jogo.

Um enredo bom não salva um jogo péssimo

X-Men:TOG consegue se diferenciar dos demais jogos inspirados em outras mídias por um simples detalhe: não se contenta em apenas repetir a história do filme em que se baseou. Este jogo, ao contrário, situa-se cronologicamente entre o segundo e o terceiro filmes, explicando alguns acontecimentos dos personagens, entre eles o “desaparecimento” de Noturno e sua ausência no terceiro filme.

A história apresenta fatos novos interessantes sobre os três personagens principais, principalmente Noturno e Wolverine. É uma pena que seja contada de forma tão insípida; os desenvolvedores optaram por utilizar cenas estáticas no lugar de vídeos e cutscenes. O resultado final lembra muito o arremedo de história encontrado em jogos como Need for Speed Carbon.

É compreensível que um jogo baseado em personagens de quadrinhos seja contado em uma linguagem parecida com as revistas, mas infelizmente isso não dá muito certo em jogos. Logo no início podemos assistir a uma cena em que Fera aparece dando uma palestra; enquanto a voz do personagem rola em segundo plano, vemos apenas uma figura estática de Fera, olhando fixo para a platéia e com a boca imóvel. A sensação de inadequação e estranheza permanece pelo resto do jogo, impedindo o jogador de prestar atenção no enredo.

Uma decisão arriscada por parte do desenvolvedor

Escolhas estranhas também foram feitas na jogabilidade, pois X-Men:TOG apresenta apenas três personagens jogáveis: Wolverine, Homem de Gelo e Noturno. Cada um deles possui comandos e ações diferentes, o que implica em estilos de fases também diversos.

As fases de Noturno são, de longe, as mais interessantes; Noturno faz tudo que você pode esperar dele, se teleportando a grandes distâncias, em alturas diferentes. Basicamente, basta virar o personagem para a direção desejada (a câmera é livre e controlada pelo analógico direito), e o jogo indica para onde o seu próximo teleporte o levará, através de um pequeno marcador azul na tela. O teleporte é feito através de um toque no R1, e é muito divertido de ser executado, dando velocidade às fases e permitindo exploração ampla do cenário. Também ajuda muito o fato de suas fases serem especificamente desenhadas para suas capacidades, com muitos canos e postes que servem de apoio para as acrobacias.

Noturno também se sai bem no combate, mesclando a capacidade de teleporte com golpes rápidos. É especialmente satisfatório ficar se teleportando para trás dos inimigos, enquanto o persongem executa uma carga enorme de socos e chutes ainda no ar. Os comandos são simples de executar e nunca falham. São os melhores momentos do jogo, e o nível de diversão faz lembrar dos jogos do Homem-Aranha, para o Playstation (jogo que, inclusive, também é da Activision).

No caso do Homem de Gelo, as coisas começam a piorar. Este é um personagem que está sempre em movimento sobre sua plataforma de gelo. Imagine jogos de snowboarding, como Cool Boarders ou SSX, e você terá uma boa idéia de como são as fases do Homem-de-Gelo.

Parece uma idéia boa, com fases que poderiam ser emocionantes. Mas X-Men: TOG não é um jogo de esportes, e esse tipo de controle não cai bem com o jogo. O Homem de Gelo é bastante chato de controlar, freqüentemente batendo nos cantos do cenários ou em barreiras invisíveis, no caso de cenários “abertos”. Não existe câmera móvel para esse personagem, sendo que seu campo visual é definido pela direção em que o persongem está indo. Como se isso não bastasse, muitas de suas fases possuem limitação de tempo, o que faz com que sejam cumpridas através de tentativa e erro, obrigando o jogador a decorar os caminhos e ações a serem tomados.

E finalmente, Wolverine. Provavelmente o personagem mais amado pelo fãs, e o pior do jogo. Wolverine é o típico personagem tank, utilizado como barreira para segurar os inimigos: possui duas barras de energia, golpes poderosos, um modo fúria (fury) e fator de cura que realmente funciona. É uma máquina feita para apanhar e bater. Mas em X-Men: TOG Wolverine está sozinho nas suas fases, e precisa de um pouco mais de flexibilidade. Embora seja um personagem forte e furioso em seus golpes, jogar com ele é uma das piores experiências que um jogador pode ter. É possível se emocionar nos primeiros cinco minutos, vendo a sua animação fluida e o combate inicial com Dentes-de-Sabre, mas depois tudo fica absurdamente repetitivo até o fim do jogo.

As fases de Wolverine envolvem basicamente deslocamento pelos cenários enquanto o personagem derrota hordas e hordas intermináveis de inimigos. Algumas fases nem mesmo são fases; simplesmente colocam Wolverine em uma arena onde ele deve derrotar uma série de inimigos. Pode parecer divertido, mas depois de 4 ou 5 tentativas para passar de um estágio com o nível de dificuldade mal-equilibrado, tudo começa a ficar meio sem graça.

Dificuldade x Paciência

Não que o jogo seja difícil; ele é frustrante. Não é possível salvar no meio das missões, sendo que o jogo se encarrega de salvar seu progresso através de checkpoints extremamente mal localizados. Você nunca sabe em que pontos o jogo salvou, pois não existem pistas visuais ou mensagens na tela sobre isso.

Os checkpoints impedem que você reinicie a fase toda, caso morra em algum momento. Mas, por exemplo, em uma fase do Noturno você precisa realizar as seguintes ações quatro vezes seguidas: desligar um gerador de campo de força e depois salvar Colossus dos inimigos. Quatro vezes. Caso você morra depois de tudo feito, você retornará em um checkpoint depois de ter desligado o segundo gerador. Isso não faz o menor sentido. Já que são quatro ações idênticas, porque não retornar logo após a conclusão da última?

Algums estágios são piores, pois simplesmente não possuem checkpoint. Uma terrível fase arena do Wolverine, por exemplo, obriga o jogador a reiniciar toda a série de inimigos, mesmo que morra no finalzinho. Não é difícil, mas requer paciência, já que as fases não são divertidas e ter que fazer a mesma pela quarta ou quinta vez pode ser um bom motivo pra deixar o jogo de lado.

O cinema encontra os quadrinhos em um jogo

Graficamente é um jogo bonito: os personagens são muito parecidos com os do filme, apresentando detalhes interessantes como as escoriações faciais de Noturno. A movimentação é ótima e flui com naturalidade mesmo nas batalhas e nos teleportes de Noturno. Outros personagens como Tempestade e Colossus (não-jogáveis), também lembram os do filme, com proporções corretas para um ser humano e não absurdas como nos quadrinhos. Os cenários das missões são muito variados, cobrindo diversas localizações mostradas no segundo e terceiro filmes. Os cenários abertos, como Manhattan tendem a ser os mais bonitos, apresentando construções impressionantes, como a Estátua da Liberdade.

Mas dentro de cada fase, as salas e objetos não variam, e combinam com a natureza repetitiva do jogo. É comum você se perder em algumas fases, devido ao fato de que tudo parece igual. As cenas do enredo, como já dito, são estáticas, a fim de criar uma sensação de história em quadrinhos, e não impressionam. Algumas cenas, que imitam páginas de revista virando, tendem a se repetir.

Sons e músicas repetidas tendem a irritar

As vozes dos atores dos filmes são utilizadas em X-Men: TOG, pelo menos para os personagens principais. Isso parece ter se tornado padrão nos jogos inspirados em filmes, e ajudam muito na credibilidade transmitida pelos personagens. As vozes e narrações são muito boas, embora em alguns momentos pareça que os atores estejam meio chateados, ou pensando em outra coisa enquanto gravam. É possível que os diálogos tenham sido gravados pelos atores em momentos diferentes, com cada um gravando sua parte em estúdios distantes, o que pode ter criado essa sensação.

As vozes dos inimigos são genéricas e os comentários se repetem com muita frequência. Quando muitos estão juntos na tela, fica realmente chato escutar várias vezes a mesma provocação dos inimigos. A música é, como o resto do jogo, repetitiva. Às vezes, trechos de vinte segundos são repetidos em um loop, que rapidamente fica irritante. Acontece principalmente nos menus, mas também em algumas fases. Os efeitos sonoros seguem a mesma linha, com poucas coisas que se destacam: sons de garras do Wolverine ou o “bamf” do teleporte de Noturno são adições que merecem alguma menção, embora não sejam espetaculares.

X-Men: The Official Game é indicado para fãs dos filmes, e não necessariamente para fãs de X-Men. Fãs dos heróis podem procurar por jogos como X-Men Legends ou Marvel Ultimate Alliance, que oferecem mais diversão e opções de jogo. Outros jogadores podem dispensar completamente este jogo, pois não apresenta nenhum atrativo que justifique sua compra ou locação.
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