Uma grande franquia de luta entre mafiosos transformada em um spin-off de gameplay sofrível

Transformar um jogo de ação e lutas entre a máfia japonesa em um shooter de zumbis: é exatamente essa a ideia que SEGA teve ao apresentar Yakuza: Dead Souls, o mais novo spin-off da famosa franquia com raízes no Japão. O contexto até não parece ser ruim, porém o resultado final está longe ser memorável.

O game foi lançado na terceira semana de março nos Estados Unidos, com a promessa de agradar tanto aos fãs de longa data dos criminosos japoneses quanto a novatos que nunca chegaram perto série. Mesmo assim, se você esperava encontrar todos os elementos que singularizavam a série, mas com a adição de mortos-vivos, prepare-se para uma decepção.

Vale a pena?

A não ser que você seja um daqueles fãs que precisam experimentar todos os títulos lançados para a franquia do coração, deixar de jogar Yakuza: Dead Souls é perfeitamente aceitável. Apesar de ser de última geração, a falta de polimento geral no gameplay e animações fazem o game parecer ter sido feito para rodar dentro das limitações do primeiro PlayStation, exceto pelos gráficos.

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As texturas dos personagens e dos cenários são boas e as atuações de voz nas cutscenes transmitem bem a personalidade de cada um dos quatro protagonistas que você controla ao longo da campanha, mas tudo isso acaba ficando ofuscado pela mecânica sofrível e frustrante.

Transformar um jogo que era muito mais sério orginalmente em um spin-off mais descontraído envolvendo zumbis já deu muito certo antes, como é caso de Red Dead Redemption: Undead Nightmare. Porém, a dificuldade em reformular o gameplay na engine que servia propósitos bem diferentes antes resultou em um desastre nas mãos da SEGA. Bom, ainda bem que você sempre pode contar com Yakuza 5.

Cutscenes continuam sendo um trunfo

Os famosos “filminhos” que contam a história dos personagens sempre foram um trunfo de Yakuza, e com Dead Souls isso não é diferente. As animações corporais e, principalmente, faciais das pessoas são muito boas, com expressões realísticas que convencem e transmitem bem o sentimento e personalidade dos indivíduos, mesmo daqueles que fazem papel de figurantes.

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Percebe-se que a SEGA não poupou esforços neste quesito e, apesar de não estarem à altura da atuação genial vista em Uncharted, as cutscenes ainda impressionam. Porém, basta que você termine de assistir às narrativas e comece a realmente jogar para que as coisas desandem.

Uma boa história japonesa

Diferente da maioria dos outros jogos da Yakuza, este spin-off de zumbis narra a história de quatro personagens diferentes ao longo da jogatina single-player. As diferenças na personalidade e no enredo por trás de cada um deles ficam bem evidentes graças ao bom desenrolar nas cutscenes e à ótima atuação de voz, sempre em japonês.

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Apesar de estarem separados no início e de não irem com a cara um do outro, os quatro protagonistas acabam aceitando trabalhar em conjunto contra o mal dos mortos-vivos, uma evolução divertida de se acompanhar. 

Gameplay horrendo

De todos os contras presentes e em Yakuza: Dead Souls, o gameplay é de longe o pior. Usar a mesma engine de uma franquia que sempre focou nos combates corpo a corpo em um spin-off de tiroteios contra zumbis simplesmente não funciona. Manter a sua arma apontada para o lado que você quer é um desafio maior do que sobreviver aos mortos vivos e, para piorar, a câmera também não ajuda nem um pouco.

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Desde que os zumbis estejam dentro da linha de visão do personagem, qualquer tiro que você disparar vai acertar um deles, graças ao lock-on involuntário. Dessa forma, você acaba tendo a impressão de conseguir matar hordas inteiras apenas apertando o botão de atirar, mesmo que você nem esteja vendo para onde está mirando.

Apesar de você estar no centro de Tóquio cercado por uma infinidade de zumbis, Yakuza: Dead Souls está longe de ser um jogo de sobrevivência. Seu personagem é tão indefeso quanto o Bruce Lee sob efeitos de uma estrela dourada (do Mario), com movimentos rápidos, munição infinita (para a arma básica) e com a habilidade de bater nos monstros com objetos que vão desde bicicletas até sofás de três lugares. Sem falar da trilha sonora, com músicas que lembram muito mais a ação de Devil May Cry do que o desespero de Resident Evil.

Apanhar e levar mordidas ainda faz você morrer caso sua barra de vida chegue ao zero, mas, até que isso aconteça, sua performance e agilidade em combate não são afetadas nem um pouco. Some tudo isso à mira em modo primeira pessoa, que mais frustra do que ajuda, para acabar com uma experiência final bem menos divertida do que o esperado.

Animação pobre

Ver o protagonista andando com uma arma apontada para frente e conseguir virar para trás na velocidade da luz não convence. Não existe qualquer sentimento de peso para os objetos que você usar como armas, sendo que é possível desferir golpes com uma mesa de jantar na mesma velocidade que você o faria com uma espada.

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Além do seu próprio personagem, as animações dos zumbis também estão longe de ser memoráveis. A maneira como eles andam e desferem mordidas não parece muito coerente, e não há mudanças no comportamento deles depois de sofrerem danos pelos tiros.

Até existem outros tipos diferentes de monstros além dos tradicionais mortos-vivos humanos, — alguns interpretando o papel de chefões —, mas o nível das animações e dos gráficos atribuídos a eles não aumenta nem um pouco.

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