Conheça o candidato para pior game do ano.

Os jogos de corrida acompanham os video games desde que estas máquinas surgiram. Quem não se lembra do lendário Enduro, para Atari, ou então de Top Gear do Super Nintendo? Mas, além dos jogos com carros, há também outros títulos clássicos que trouxeram a velocidade em duas rodas.

Talvez o mais marcante seja Excitebike, para Nintendo Entertainment System (NES ou Nintendinho 8-bits, como é conhecido aqui no Brasil). O divertido game forneceu uma nova proposta aos jogadores, que seria copiada por muitos e muitos outros títulos. Com o passar do tempo, surgiram também os jogos tridimensionais, como o caso de Road Rash, que deu as caras no PlayStation e também no Mega Drive, em uma versão mais sucinta.

Mesmo sendo um game de sucesso, Road Rash retratava um estilo diferente de Excitebikes. Em vez da lama e das rampas, o título colocava você nas ruas de metrópoles fictícias, obrigando o jogador a lidar com diversos problemas gerados por outras gangues de motoqueiros. Era um game mais brutal, que se desviava um pouco das corridas e manobras referentes ao MotoCross.

O retorno?


Após décadas, o estilo tenta ressurgir, mas não obtém sucesso nos games. Os video games só voltam a experimentar boas doses de diversão em duas rodas, e muita lama, com a chegada de títulos como Motorstorm, para PlayStation 3, e MX Vs. ATV Untamed. Entretanto, são raras as ocasiões em que um jogo baseado somente no MotoCross se torna um sucesso.

Recentemente, o Nintendo Wii, assim como o PlayStation 2 e o portátil da Big-N, o DS, receberam um game com grandes chances de reviver o estilo. Afinal, é um título que leva o nome de uma das maiores marcas de motocicletas, a Yamaha. Intitulado simplesmente Yamaha Supercross, o game, infelizmente, não chega nem perto de trazer de volta os bons tempos de Excitebike. Ao contrário disso, o Supercross denigre a imagem do esporte, que já não está muito boa.

Controles esquisitos, gráficos de péssima qualidade, poucos modos, áudio irritante e baixa diversão fazem parte da fórmula que faz de Yamaha Supercross um dos piores, se não o pior, jogo do ano de 2009. Pelo visto, o MotoCross vai ficar na lama por mais alguns tempos.

Derrapando no Wii

Poucos modos e pouca diversão


Bem, se você está esperando uma experiência decente, é melhor ir tirando o cavalinho da chuva. Ao iniciar o game, você já percebe que o que lhe aguarda não é boa coisa. Com a introdução, é possível notar que a DSI, empresa responsável pelo jogo, foi desleixada. Nem mesmo a CG introdutória de Yamaha Supercross é cativante, pois se percebe o quão pífia é a qualidade gráfica que o jogo tem a oferecer.

Mas, vamos ao que interessa. Yamaha Supercross conta com vários modos de jogo distintos, como o “Tournament” e o “Arcade”, que são as principais modalidades. Na primeira, você seleciona uma moto — no início, você conta com apenas uma opção de modelo, já que todos os outros estão bloqueados — e parte para um campeonato em que o objetivo é permanecer entre os três primeiros. Ao final de cada corrida bem sucedida, você ainda é “premiado” com um “belo” troféu.

No “Arcade”, os jogadores têm a chance de escolher a pista e a moto desejada de maneira livre, contanto que estas tenham sido desbloqueadas na modalidade “Tournament”. Estranho, não? Pois é. Felizmente, ou, infelizmente, também é possível participar do “Arcade” ao lado de um companheiro, graças ao multiplayer de Yamaha Supercross. Vale ressaltar que você também ganha alguns pontos para aumentar os atributos de seu piloto, mas estes não fazem muita diferença na prática.

Fora estes dois modos, há também o “Challenge”, no qual, como o próprio nome sugere, são sugeridos diversos desafios diferentes que devem ser completados pelos jogadores. Os gamers terão de saltar e desempenhar algumas das acrobacias características do esporte. Mas aqui há um problema: como fazer as manobras?

Se vira amigão!


Como dar a largada? Descubra sozinho! Para descobrir como é que se pilota em Yamaha Supercross, é necessário ser persistente. Não há nenhum modo tutorial para auxiliar no seu aprendizado e, por incrível que pareça, o game nem ao menos oferece uma opção para alterar, ou mesmo verificar, quais são os controles! Você tem que descobrir tudo “na raça”.

Após verificar que o botão A acelera, o C e o Z executam algumas manobras quando pressionados de determinadas maneiras, e que o analógico do Nunchuk controla o guidão, você já está pronto para encarar o game. Outro fator que merece ser ressaltado é que, mesmo se tratando de um jogo para Nintendo Wii, não há qualquer uso dos recursos que caracterizam o console, como sacudir ou apontar. Nem mesmo os menus podem ser controlados com o ponteiro do Wii Remote.

A jogabilidade do título é um dos fatores mais decepcionantes, ao lado dos gráficos, da ausência de modos instigantes e do áudio. Bem, após alguns minutos de frustração, você finalmente embarca nas esquisitas corridas do game. Alguns eventos contam com até oito voltas, e você corre ao lado de diversos outros participantes.

Um planeta misterioso


Em relação ao tempo de resposta dos controles, praticamente não existe qualquer problema, pois é possível jogar decentemente se você não for um jogador que exige apenas um bom jogo. Mas, o grande problema está na hora dos saltos e das curvas. Controlar a beirada da pista é um processo que exige um pouco de prática, ainda mais quando não se sabe como frear — dica exclusiva do Baixaki Jogos: é o botão traseiro do Wii Remote.

Na hora de saltar, você realmente percebe que a equipe de desenvolvimento provavelmente preferiu as rosquinhas ao trabalho. A gravidade é simplesmente absurda, completamente irreal e deixa a desejar por vários motivos. Às vezes, seu personagem literalmente sai voando, mas também há momentos em que ele nem sequer sai do chão, mesmo a quase 150 km/h numa das rampas do game.

O pior de tudo é que, além das corridas serem uma combinação de desastres, as manobras também é um problema. Para realizá-las, você deve acionar combinações com os botões Z, C ou ambos. Entretanto, se elas não estiverem completas antes que seu personagem atinja o solo, será queda certa. Não há como arriscar, e nem incentivos para isto. Mas, felizmente, com os tombos também podem surgir as risadas, já que as animações são completamente patéticas.

Ver seu personagem estirado no chão é um dos únicos pontos fortes do game. Felizmente, todos estes problemas que tornam o game “injogável” também são capazes de ocasionar algumas boas risadas. É triste, mas temos que rir para não chorar.

Pelo menos o game rende algumas risadas

Pura decepção


Em contraparte, estão os gráficos. É bem provável que Yamaha Supercross seja o game com os piores visuais do Wii. Aparentemente, a sensação que temos é que estamos jogando um game para PlayStation — para se ter uma noção dos gráficos. A modelagem dos personagens é deplorável e a não existem diferenças entre as motos, além das cores. O áudio também é limitado, e tudo o que você ouve são ruídos da torcida e um zunido onipresente do motor.

Fora isso, o game também oferece rankings online e outras estatísticas, além de um modo “Practice”, em que o jogador pode testar o que já aprendeu. Infelizmente, o jogo não possui modos online.

Se você está procurando um bom jogo de MotoCross, fique longe de Yamaha Supercross, um dos piores jogos do Nintendo Wii. Além parecer um port de celulares, o título ainda irrita devido à falta de capricho da desenvolvedora. Resumindo, de maneira curta e grossa, fique longe deste jogo.

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