Uma homenagem um tanto ambígua ao talento de Hideo Kojima

Eis um dos maiores desafios de qualquer publicadora: trazer um game das antigas de volta à vida. Embora as reações de saudosismo e estranheza sejam comuns quando algo emerge de gerações passadas, é impossível não considerar um percalço: embora se trate de um jogo antigo, o preço é sempre cobrado em moeda corrente... O que, em outras palavras, significa que algo ali precisará justificar a nova aquisição — sobretudo para quem já conhecia a matriz original.

Desnecessário dizer, mas esse é exatamente o caso de Zone of The Enders HD Collection. Em primeiro lugar, porque se trata aqui de uma franquia que, embora tenha arrebanhado uma boa quantidade de fãs, segue como um sucesso relativamente menor do célebre Hideo Kojima — sabe, o “cara de Metal Gear Solid”, como própria abertura de Z.O.E. faz questão de reforçar.

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Quando o primeiro game foi lançado para o estreante PlayStation 2, houve ali uma mescla de impressões quase discrepantes. Tratava-se de algo original, é claro. Entretanto, o jogo era também incrivelmente repetitivo e a história não ia muito além de um dramalhão maniqueísta — o “Bem” contra o “Mal”, uma estrutura épica verdadeiramente default quando se trata do mainstream da indústria de games oriental.

Mas então surgiu Zonde of the Enders: 2nd Runner. Aí sim! Todas as boas ideias ensaiadas no primeiro game foram obviamente amadurecidas, o que se traduziu na mesma jogabilidade viciante que já havia sido acrescida, agora de uma trama que não parecia ter saído da parte de trás da caixa de um cereal matinal.

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A questão, entretanto, permanece: será que, hoje, vale a pena adquirir novamente esses games? O tal “HD” do título realmente faz toda a diferença que normalmente é esperada? Vamos aos detalhes.

Zone of the Enders HD Collection traz os mesmos dilemas que vários outros remakes em alta-definição. Há aqui uma bem-vinda viagem no tempo, o resgate de um clássico. Entretanto, trata-se também de um jogo — um título que será vendido agora, em moeda corrente. Dessa forma, é preciso considerar: vale realmente a pena?

Bem, por 2nd Runner, com certeza. Embora várias estruturas gráficas denunciem a idade do game, ele ainda é um título excelente — divertido, com uma boa narrativa e belíssimas batalhas tão frenéticas quanto caóticas. Quanto ao primeiro Z.O.E., entretanto... Este segue como uma curiosidade, uma relíquia de tempos passados. De qualquer forma, trata-se de uma bela homenagem e também de uma prova: o talento de Hideo Kojima vai além de MGS.

Ação 3D

O sistema de combates de Zone of the Enders foi inegavelmente original. Trata-se de lutas frenéticas em ambiente tridimensional, com bom balanceamento entre ataques de longe e próximos.

Ademais, o que já funcionava muito bem no primeiro game ganhou ainda mais corpo e “sintonia fina” no segundo, culminando em um verdadeiro “caos sistemático” (por mais absurdo que isso possa soar) que fazia com que o piloto do gigantesco mecha Jehuty se sentisse como um verdadeiro deus.

O que dizer? Isso não mudou. As cenas de ação de Zone of the Enders permanecem tão envolvente e aceleradas quanto sempre foram. Sob essa perspectiva, a revisita com certeza vale a pena.

2nd Runner continua ótimo

Zone of the Enders: 2nd Runner foi um caso bastante atípico de aperfeiçoamento de uma fórmula. Na verdade, quando foi originalmente lançado para o PlayStation 2, o game se pareceu mesmo com a conclusão do projeto esboçado no primeiro game — que não era propriamente ruim, é verdade.

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Bem, basicamente, a possibilidade de encarar novamente um verdadeiro clássico do PS2 na atual geração — mesmo que esta já esteja ensaiando um adeus — não poderia ser mais bem-vinda. Embora as estruturas poligonais aqui destaquem a idade avançada de 2nd Runner, o minerador Dingo Egret ainda é um excelente anfitrião.

Tratamento HD

Não que os gráficos aqui realmente impressionem. Na verdade, para quem está acostumado com a pirotecnia pixelizada dos jogos modernos, encarar o primeiro Z.O.E., mesmo retratado, acaba fazendo subir uma sobrancelha.

Mas isso não significa que a maior parte dos problemas dos jogos originais não foi corrigida. De fato, a taxa de frames por segundo parece muito mais estável, e não há como negar: há muito mais polimento agora.

O primeiro Z.O.E. parece irremediavelmente datado

Não que não possa ser divertido encarar o primeiro Zone of the Enders em tratamento HD. Entretanto, algo que já dava mostras na época do seu lançamento é ainda mais reforçado: trata-se de um bom projeto, e não vai muito além disso. Há uma história clichê, e também há cenários genéricos.

Dessa forma, a diversão aqui é mais como um “vamos revisitar o passado” do que como um “nossa, que belo jogo!”. Parece pouca coisa, talvez. Entretanto, quando se considera que 50% da proposta do remake é um tanto capenga...

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Sem interação online

Como assim, sem interação online, de nenhum tipo? Uma boa oportunidade de “atualização” perdida, Konami!

75 ps3
Bom

Outras Plataformas

75 xbox-360