Análise em progresso: Bloodborne

Análise em progresso: Bloodborne

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O meu mundo foi invadido por Bloodborne. Sim, estou falando das invasões típicas de Hidetaka Miyazaki, criador da série Demon’s Souls e Dark Souls, que revolucionaram a indústria dos games em diversos aspectos.

Estava eu, ansioso pela chegada do dia 24 de março, quando Bloodborne é lançado oficialmente, quando subitamente nossa cópia para imprensa invade os escritórios da NZN. E, assim como nas invasões de Dark Souls, Bloodborne levou minha vida.

Até o momento, foram cerca de 20 horas explorando, lutando e morrendo em Yharnam, a cidade que serve como tenebroso palco pros acontecimentos de Bloodborne. Com todo esse tempo eu poderia facilmente terminar diversos outros jogos por aí. Mas não estamos falando de um jogo qualquer, e sim de Bloodborne, onde a morte é uma constante que anda de mãos dadas com a sensação de recompensa.

Ainda falta muito para que eu consiga explorar todo o game, principalmente pelo fato de que a funcionalidade online do jogo, que normalmente representa pelo menos metade da experiência, só serão ativados amanhã. Mesmo assim, as duras batalhas já rendem algumas histórias e cicatrizes e, por isso, estou aqui para falar sobre minhas primeiras impressões com Bloodborne.

Você não é nada

Uma das características mais marcantes nos jogos de Hidetaka Miyazaki é o fato de fazer com que o jogador preze pela sua sobrevivência, se sentindo bem longe de um herói intangível. Em Bloodborne, as coisas não são diferentes e, logo de cara, você percebe que a morte será sua fiél, e provavelmente única, companheira.

Mesmo quem é fã da série e jogou todos os games à exaustão terá de se reacostumar com a experiência. Sim, Bloodborne traz como essência a mecânica criada em Demon’s Souls e aprimorada em Dark Souls, mas alguns ajustes farão com que você retrabalhe toda sua memória muscular. Pros veteranos, isso será difícil e, pros novatos, será uma lição ainda mais dura.

Duras escolhas

Depois de morrer pela primeira vez no jogo, algo que não deve demorar mais do que 5 minutos, como tradição na série, você renasce no Sonho dos Caçadores, um lugar que serve como base para toda sua jornada, assim como a Nexus de Demon’s Souls.

Aqui, você escolhe uma das três Armas de Truque oferecidas, uma decisão que imediatamente me remeteu à dura escolha de Pokémon Red. Além disso, você também pode optar por uma pistola ou um bacamarte, que são as armas de fogo utilizadas na sua mão esquerda.

Essas armas vão continuar com você por um bom tempo, já que Bloodborne é mais enxuto no quesito arsenal, adotando apenas armas que realmente parecem eficientes.

Depois de perambular pelo belíssimo Sonho dos Caçadores e conversar com um dos NPCs, que agora falam português, graças ao trabalho de dublagem do game, você finalmente volta para se vingar daquele maldito monstro que tomou sua vida. Mas, agora, com mais uma opção além da morte: trucidar a criatura.

Ao se aproximar, notamos que o bichano está com os olhos brilhantes, o que ilustra um novo ajuste à fórmula. Quando você morre, sua experiência não fica só como uma mancha no chão, mas pode ser engolida por um monstro que esteja por perto. Aí, pra recuperá-la, a vingança é a única opção e isso deixa a já incrível mecânica ainda mais atraente.

Redescobrindo a fórmula

O combate em Bloodborne é muito mais focado na agilidade e uma das provas disso é que, agora, não temos mais diferenças na movimentação entre jogadores que escolhem armas mais pesadas ou mais leves.

Todos rolam e correm da mesma maneira, independentemente da arma ou armadura — pelo menos, até agora foi assim, isso que já equipei um martelo imenso e uma espingarda gigante e continuei ágil.

E toda essa agilidade faz sentido, já que a defesa praticamente não existe mais. A troca dos escudos pelas armas deixa tudo muito mais ofensivo também, já que o contra-ataque agora funciona quando você acerta um balaço no oponente no exato momento em que ele está atacando, deixando o atordoado e vulnerável a um golpe poderoso.

As armas de fogo têm pouca utilidade pra ataques à distância, principalmente por não contarem com um alcance longo — pelo menos isso vale pras opções que encontrei até agora.

Você vai precisar desviar bastante, mas aqui os movimentos evasivos são bem diferentes. Ao travar a mira, você deixa de rolar livremente e passa a dar passos rápidos e longos para os lados, para frente e para trás.

Esse tipo de evasão é totalmente fundamental pra sobreviver no game, já que os oponentes também são muito mais rápidos e ainda contam com combos bem mais velozes e longos. Qualquer vacilo e você já era, de verdade. Pra compensar, sua stamina dura bem mais, permitindo mais golpes e mais movimentos.

Alternativa duvidosa

E aquela mecânica de recuperar a vida após ser atingido pelo inimigo? Na teoria, ao ser golpeado, você notá que uma parte de sua barra de vida está laranja. Aí, é só contratar, fazer o sangue do inimigo jorrar e, assim, recuperar aquilo que foi perdido. Isso estimula ainda mais o estilo de jogabilidade agressivo, mas também é um recurso que pode ser um tiro no pé.

Fui tentar dar de frente com uma criatura e atacar sem parar, revidando os golpes que tomava com ataques que recuperavam minha vida. Com o primeiro chefe, isso até funcionou, mas depois o jogo me mostrou que os inimigos são muito mais ferozes do que a gente pode aguentar.

No segundo chefe, eu cheguei a ficar com vontade de morder o controle. E não era porque estava com fome. O feroz inimigo é a criatura mais rápida que já vi na série e toda ambientação sonora fazia do oponente um inimigo ainda maior. Pra piorar, o monstro tem uma forma secundária, ainda mais impiedosa. Foram dezenas de tentativas até que eu finalmente pulei do sofá em êxtase com a dura vitória.

Mas então eu posso farmar até conseguir vencer, não? Pode sim, mas aqui o jogo dificulta um pouco, já que é necessário retornar pro Sonho dos Caçadores, o hub do game, se você quiser o respawn dos inimigos. E, infelizmente, os loadings pra realizar todo processo são bem longos.

Por outro lado, de início, os inimigos deixam muitos Frascos de Vida e eu, sinceramente, achei até demais. Estes itens recuperam sua vida e se tornam um pouco mais escassos depois de algumas dezenas de horas.

Mas, o fato é que, na minha opinão, nós contamos com muito menos pontos de defesa e os pequenos deslizes se tornam bem mais fatais em relação aos outros jogos da série Souls. Você vai notar que morreu com vários itens de cura em seu inventário e não pôde usá-los simplesmente porque o jogo raramente dá tempo para isso.

Mas e aí, o jogo está difícil mesmo?

Aqui, eu preciso ser sincero: os veteranos vão ter muito mais facilidade em dominar o jogo do que os novatos e podem até achar o jogo tranquilo. Mas, é importante ressaltar: nós, fãs, sofremos com Demon’s Souls por ser o nosso primeiro contato com este brutal tipo de jogo.

Depois de horas em Demon’s, Dark Souls e Dark Souls 2, é óbvio que a curva de aprendizado diminui bastante, mas isso não quer dizer que o jogo é fácil.

Estou jogando diariamente com dois outros colegas de trabalho que tiveram pouquíssimo contato com os jogos anteriores da série. Além de estarem bem mais empolgados com o game, já que o título enxuga várias frustrações desnecessárias, eles também estão conseguindo conhecer todas as características hardcores de um game típico de Miyazaki de maneira mais acessível.

Um deles está com o mesmo tempo de jogo que eu, mas ainda partindo pro terceiro chefe, enquanto vou para o sexto. E o bacana é que ele mesmo teceu suas próprias estratégias, caminhos e técnicas, mas não se viu desmotivado em nenhum momento.

É claro que boa parte disso se deve também pela questão gráfica. Tecnicamente, Bloodborne é excelente, mas é o design geral e dos níveis que realmente se destaca. Yharnam é totalmente conectada e você se surpreende a cada passo e a cada novo atalho liberado, algo arquitetado de maneira genial pela From Software. O medo do desconhecido e a vontade de conhecer o que lhe espera são as chamas que mais alimentam a vontade do jogador.

Infelizmente, ainda não pude conferir a parte online do game, que compõe praticamente a metade da experiência do jogo. Mas, logo mais, estarei sumonando jogadores e sendo invadindo, além de descobrir novas armas, itens e até mecânicas diferentes.

Bloodborne está sendo como eu esperava. Por um lado, temos ajustes que deixam o jogo mais acessível e fazem total sentido pra proposta do game. Por outro, temos a essência hardcore e muitas inovações em um esquema que já estava bem próximo do desgaste. É sangue novo e que deve se permanecer fresco por um bom tempo. Vou continuar me matando aqui e logo trago a análise completa para nós. Umbasa.

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