Análise em progresso: The Witcher 3: Wild Hunt

Análise em progresso: The Witcher 3: Wild Hunt

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Nos últimos dias, The Witcher 3: Wild Hunt tem invadido meus sonhos — algo que faz certo tempo que não acontece quando se trata de um game. Mesmo quando não estou em frente ao monitor ou à tela de TV desvendando o universo da CD Projekt RED, meu cérebro simplesmente não consegue deixar de pensar nas missões que tenho que fazer ou naquele canto do mapa que ainda não explorei.

Fato é: o novo projeto do estúdio polonês tem potencial para que eu fique nesse estado durante meses. Após mais de 30 horas com a versão do PlayStation 4 (e meras 6 horas com o jogo no PC), sinto que sequer arranhei a superfície do game — meu registro de missões possui entradas que sequer comecei, mesmo horas após eu tê-las recebido.

Devido ao tamanho imenso do jogo, nós do BJ decidimos que não seria justo com nosso público fazer uma análise baseada em impressões incompletas do game. Assim como aconteceu com Bloodborne, nos próximos dias você vai poder acompanhar uma espécie de “diário de viagem” conforme exploramos esse mundo — digo “exploramos” porque você também vai poder conferir textos com as impressões dos colegas Bruno Micali e Guilherme Dias, que embarcaram nesse mundo junto comigo.

Um mundo vivo

Quando joguei Dragon Age: Inquisition, acreditava que a BioWare havia atingido um patamar inatingível no que diz respeito a um RPG de fantasia com mundo aberto. Felizmente, a CD Projekt RED mostra que eu estava enganado, estabelecendo um novo padrão de qualidade para o gênero.

Mais do que ser gigantesco, o mundo de The WItcher 3: Wild Hunt parece vivo. Camponeses andam pela cidade, semeiam os campos ou simplesmente fofocam sobre os últimos acontecimentos de forma bastante convincente e natural — até aproveitando para ofender o protagonista pelas costas quando ele não está olhando.

Conforme exploro esse universo, percebo que minhas intervenções são diretamente responsáveis por sua transformação — mesmo que de forma sutil. Embora haja momentos em que a interferência de Geralt seja óbvia — como uma vila assolada por monstros que volta a ter vida após o protagonista eliminá-los —, muitas vezes é preciso ficar atento às entrelinhas para perceber como as coisas estão diferentes.

O aspecto que mais contribui para tornar o universo criado pela CD Projekt RED convincente é o fato de que a produtora sabe ser sutil. Por exemplo: em vez de simplesmente colocar em um diálogo a informação de que o antigo barão que domina um território era cruel, mas amava seu filho, a empresa coloca pequenos detalhes em documentos e em elementos do cenário que lhe permitem chegar sozinho a essa conclusão.

Além disso, a companhia é bastante fiel à filosofia com a qual Andrzej Sapkwoski, autor dos livros nos quais o jogo é baseado, criou sua obra. Isso significa que a maior parte  dos personagens que você encontra pelo seu caminho habitam uma espécie de “zona cinzenta”, não se encaixando bem nem no papel de “mocinhos” nem no de “vilões” — algo que se estende ao próprio Geralt.

Enfim, a nova geração

Conforme jogava na redação do BJ, meus colegas confirmaram algo que eu já sabia desde que iniciei minha aventura: The Witcher 3: Wild Hunt é simplesmente lindo. Por mais que o jogo “engasgue” em alguns momentos, o título é uma conquista técnica surpreendente nos consoles da nova geração — especialmente quando comparado a outros títulos recentes que não corresponderam ao hype.

Obviamente, a versão PC tem a vantagem nesse sentido: com um hardware poderoso, o título supera facilmente qualquer plataforma de mesa. No entanto, quem apostar nas versões para consoles não vai ficar decepcionado: o jogo é tão repleto de detalhes, animações e pequenas coisas que você não vai ter do que reclamar.

Conforme o jogava, The Witcher 3 me fez repetir ações que só lembro de ter feito quando joguei Red Dead Redemption na época em que o jogo da Rockstar saiu. Por diversas vezes, interrompi uma cavalgada em direção a uma missão simplesmente para observar o pôr do Sol e observar a maneira como a iluminação incidia sobre as árvores de uma floresta — ou simplesmente para ver como tudo estava se mexendo graças à ação do vento.

Sou adepto da opinião de que gráficos não são tudo o que faz um game, mas sim um elemento que pode complementar uma ideia bem executada. E digamos que a CD Projekt RED conseguiu combinar bem esses dois aspectos — a parte técnica do título serve muito mais para a empresa conseguir realizar sua visão do que simplesmente para demonstrar possibilidades de hardware.

Familiar, mas diferente

A decisão da produtora de transformar The Witcher em um jogo de mundo aberto fez com que ela tivesse que adaptar muitos elementos presentes nos jogos anteriores. Embora o sistema de combate claramente tome como base o que foi visto em Assassins of Kings, diversas mudanças foram feitas para torná-lo mais apto à estrutura do novo jogo.

Geralt agora parece mais “leve” se comparado ao game anterior, e suas habilidades funcionam de maneira ligeiramente diferente. O maior beneficiado com isso sem dúvida foi o sistema de Símbolos, cujas funções agora aparecem de forma mais clara, estimulando que você os utilize em mais situações.

Confesso: passei quase todo meu tempo em The Witcher 2: Assassins of Kings usando somente a magia Igni (e, raramente, Aard). Já em Wild Hunt, costumo misturar à minha forma de jogar opções como Quen e, especialmente, Axii — que tem se provado uma ótima opção para despachar inimigos humanos.

Da mesma forma, há mudanças grandes na forma como bombas e poções se comportam. Aparentemente cientes de que nem todos os jogadores gostam de ficar coletando ervas e itens, a CD Projekt RED exige que você crie esses itens somente uma vez para poder utilizá-los — porém, seu estoque é bastante limitado e só é possível recuperá-los meditando.

A única novidade que não aproveitei muito é a besta à qual Geralt tem acesso pouco tempo após a aventura se iniciar. No entanto, acredito que isso tem mais a ver com a maneira como decidi evoluir minhas habilidades do que com uma suposta ineficiência do instrumento — cujas características pretendo explorar mais em breve.

Correspondendo ao hype

Novamente, preciso ser sincero: trabalhar escrevendo sobre games em uma base quase diária fez com que eu criasse certa preguiça em relação àquilo que chamam de “hype”. Isso se deve tanto ao fato de já estar atento às táticas que produtoras e distribuidoras usam para criar expectativas em relação a seus jogos quanto por simplesmente estar cansado de me decepcionar com promessas vazias.

Nesse contexto, The Witcher 3: Wild Hunt surpreende por conseguir fazer justamente aquilo que a CD Projekt RED vinha prometendo durante anos. O game não somente evoluiu os padrões estabelecidos por seus antecessores, como consegue entregar uma experiência que funciona muito bem independente do passado da série ou do material no qual ela é baseada.

Estou simplesmente fascinado pelo mundo do jogo e pretendo fazer o máximo possível para explorar tudo o que ele tem a oferecer — o que sinto que vai me custar mais algumas dezenas de horas. Isso é, se eu me contentar somente com aquilo que consegui achar por conta própria — conversando com o colega Micali, já descobri pelo menos uma missão secundária que perdi porque não explorei direito uma área.

Vou continuar explorando O Continente e me dedicando a descobrir todos os detalhes sobre a Perseguição Selvagem e seus planos para Ciri. Enquanto você espera pela análise completa do título, pode conferir nosso Super Especial com tudo o que é preciso saber sobre a série e acompanhar as impressões que os amigos Bruno Micali e Guilherme Dias vão publicar nos próximos dias.

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