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Prévia - Beta de Project Spark mostra que é fácil criar seu próprio jogo

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Com Project Spark, a Microsoft deu um belo tapa na cara de quem não acreditava nos jogos do Xbox One. Anunciado durante a última E3, o “game” deixou todo mundo embasbacado exatamente por permitir que cada indivíduo crie seu próprio jogo a partir de uma infinidade de ferramentas de edição. Em poucos minutos, a empresa convenceu que era possível transformar o jogador em desenvolvedor sem grandes complicações.

É claro que esse conceito não é inédito, mas o grande feito de Project Spark foi levar essa possibilidade criativa a outros níveis. O que foi apresentado durante o evento era algo completamente incrível e, como era de se esperar, as expectativas foram às alturas.

Só que, como palavras são vento, nem sempre o hype corresponde ao que é prometido. Portanto, decidimos dar asas à nossa imaginação e mergulhamos na Beta de Project Spark para saber se ele é realmente tudo isso. E antecipo dizendo que é muito mais.

Programação interativa

Confirmando tudo aquilo que a Microsoft nos apresentou, Project Spark oferece ao jogador um nível de liberdade de criação incrível e tudo isso a partir de ferramentas simplificadas. Isso significa que você pode passar horas editando seu mundo, criando mecânicas variadas de jogo ou simplesmente brincar de Deus sem ficar batendo cabeça com as complicações típicas da programação.

Isso é algo que o game — se é que podemos chamá-lo assim — destaca logo em seus primeiros momentos. Na cena introdutória, o narrador pergunta se você é um simples jogador ou um criador, mas nos surpreende dizendo que, aqui, você pode ser ambos. E, por mais estranho que isso possa ser, essa afirmação logo se mostra verdadeira.

A melhor maneira de descobrir isso é fuçando e descobrindo tudo aquilo que o projeto tem a oferecer — e o Tutorial é a porta de entrada ideal para isso. Ele traz um guia bem didático que apresenta cada um dos recursos disponíveis.

Esse passo a passo inicial pode ser um pouco cansativo no início — principalmente quando ele insiste em ensinar comandos básicos —, mas ele logo se revela como uma ótima maneira de dominar tudo o que o título oferece tanto em termos de criação quanto de programação.

Para isso, ele parte de que, no princípio, não havia nada. Como em uma tela em branco, você começa a dar suas primeiras pinceladas daquilo que será seu jogo de maneira gradual. Há uma série de modelos disponíveis — muitos que ainda serão desbloqueados na versão final ou que poderão ser comprados à parte —, o que torna tudo bem variado.

E, mais do que saber escolher personagens e como posicioná-los no mapa vazio, o jogo já introduz elementos básicos de programação e com uma linguagem extremamente acessível. Tudo é baseado na ideia da ação e reação, o que torna a criação dos parâmetros bem intuitiva.

O tutorial explica isso logo no início. Ao acessar o menu de comportamento de qualquer objeto, você determina como ele reagirá quando uma ação específica acontecer. Essas opções são chamadas de Kode e vão ajudá-lo a se nortear e a tornar a criação dos códigos mais simples de ser visualizada até mesmo pelo público que nunca teve contato com esse tipo de linguagem.

Assim, se você quer que seu personagem se movimente, basta definir que, quando você apertar as teclas WASD, ele deve andar. O mesmo pode ser feito com ataques, controle de câmera e o que mais você quiser. O coração de seu jogo está nessas opções e tudo só depende do quão curioso e inventivo você pode ser.

Por isso, a tentativa e o erro serão seus melhores amigos em Project Spark. Como o game conta com um sistema facilitado de testes, você pode rapidamente conferir as alterações feitas para descobrir se aquilo está do jeito que você imaginou ou se a organização geral das coisas está funcional.

Só que essa programação gradual acontece apenas no tutorial. Quando você for colocar a mão na massa de verdade, muitos dos itens já possuem seus padrões pré-estabelecidos, o que evita que você perca tempo adicionando códigos básicos.

Por outro lado, essa facilidade acaba conduzindo o jogo para um caminho um pouco mais genérico, com apenas algumas opções de personagens e inimigos mais clássicos. E a verdadeira graça está em fugir dessa delimitação e fazer algo que seja completamente seu. Assim, por mais que o jogo sugira que seu protagonista seja um humano ou mesmo um goblin, você pode editar um peixe e fazer com que ele seja um animal armado com uma espada e capaz de disparar bolas de fogo em apenas alguns minutos.

O mundo ao seu alcance

Outro ponto que enche os olhos em Project Spark logo de início é a edição de terreno. As ferramentas oferecidas não chegam a ser revolucionárias, lembrando muito o que já existia em títulos como Age of Empires e o próprio The Sims. Ainda assim, é muito divertido passar alguns minutos apenas experimentando.

E, se os Kodes são os responsáveis pela vida, a criação de cenários é o que dá forma à tela vazia que tínhamos inicialmente. Com um pincel, você define toda a geografia de seu mapa, criando montes, vales, rios e todas as variações de relevo por onde o herói deve ser aventurar.

É claro que isso é apenas o primeiro passo. Uma vez que você determina o “desenho-base” do local, você deve adicionar detalhes para que aquele mundo se torne único. São diferentes tipos de terreno, do gelo às flores, além da própria vegetação e tudo mais o que você poderia encontrar em uma jornada desse tipo.

Neste ponto, um adendo. Apesar da promessa de criar o jogo que você quiser, a Beta de Project Spark é bem limitada em termos de variedade temática. Ele ainda se prende ao universo medieval fantástico que já vimos tantas vezes, trazendo uma estética que lembra muito a série Fable. Ainda não sabemos se teremos outras opções na versão final do game, permitindo a criação de ambientes mais contemporâneos ou algo do tipo, mas não há nada que sugira isso neste primeiro momento.

Um jogo para chamar de seu

Diante de tudo isso, é impossível não se sentir tentado a criar seu próprio jogo. Seja com o resultado do tutorial ou de seus outros testes, o processo de edição é bastante prazeroso e simplificado, o que faz com que você se sinta motivado a estar sempre adicionando um novo elemento ou fazendo uma alteração para que o jogo fique o menos genérico possível.

Além de todas as variáveis apresentadas anteriormente, Project Spark traz outros comandos que ajudam nesta variedade. Por mais que os comandos básicos façam com que a aventura inicial seja em terceira pessoa, você pode modificar a perspectiva com bastante facilidade, indo da câmera em primeira pessoa a uma visão mais distante, quase que sobrevoando o mapa.

Todas essas opções ficam bem claras quando você começa a explorar a criação de outros usuários. Seguindo uma lógica semelhante à de LittleBigPlanet, a Microsoft investiu no compartilhamento de seu trabalho, permitindo que você envie para a rede seu trabalho final e baixe jogos criados por outras pessoas, podendo votar e comentar em cada um deles.

É aí que você percebe o verdadeiro poder do Project Spark. Dos níveis testados, tivemos uma aventura medieval — com direito a cutscenes! —, uma jornada em primeira pessoa ao estilo Skyrim, outra que lembrou muito Diablo, um Tower Defense e até mesmo uma réplica de Rock of Ages, mostrando que sua criatividade é o limite.

O único ponto é que, como citado anteriormente, a Beta ainda é bastante limitada, e não apenas em sua temática. Todas as alterações mais visuais pecam por conta da falta de variedade de opções, o que tira um pouco do brilho inventivo por trás do conceito. Ainda assim, é possível ver que a versão final do game vai trazer mais possibilidades de personalização, tornando tudo bem mais rico. Contudo, por enquanto, o foco é mais no desenvolvimento simplificado do que na edição geral.

Não gosto de criar. Como faço?

Se você não é um apaixonado por perder horas e horas editando pedaços de terra ou o comportamento de personagens e NPCs, pode ficar tranquilo, pois Project Sparks ainda é um game para todos. Afinal, lembra-se de que ele mesmo se apresenta como um título não apenas para jogadores ou criadores, mas para ambos?

Com o modo Crossroads, criação de conteúdo e campanha se misturam e trazem uma dinâmica diferente e que funciona muito bem. Em tese, o jogo se constrói à medida que você o explora a partir de pequenas decisões que você toma.

Ao iniciar sua jornada, por exemplo, você define o tipo de mapa e o tipo de dia e vê isso ganhar vida em sua aventura. É claro que esse modo é bem mais limitado e com missões e desafios prontos, mas que podem agradar quem quer apenas o mínimo de edição. Por outro lado, você pode editar essa campanha à vontade, adicionando e removendo elementos de acordo com a sua vontade.

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