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BGS 2014: Entrevista com a Konami revela tudo sobre a produção de PES 2015

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Um dos fatores mais legais da Brasil Game Show é a possibilidade de entrar em contato direto com diversos profissionais da indústria de jogos e poder ter um gostinho da produção de games em primeira mão. Alguns dos convidados internacionais vêm de longe, como é o caso de Manorito Hosoda, produtor de marketing da Konami, que partiu do Japão para bater um papo com a gente sobre o passado, o presente e o futuro da franquia Pro Evolution Soccer.

O estande da Konami no evento tenta trazer o visitante brasileiro para perto do esporte que é paixão nacional, oferecendo um local totalmente voltado para o futebol, com um bonito gramado sintético cobrindo o chão e diversas caixas de som reproduzindo trechos das narrações de Silvio Luiz para os jogos da franquia.

Nessa última quinta-feira (9), em uma salinha mais calma e reservada no meio dessa experiência futebolística, pudemos sentar um pouco e conversar com Hosoda, que se mostrou um apaixonado pelo esporte e grande fã do futebol brasileiro.

Trabalho duro no desenvolvimento

Uma das principais dúvidas que tínhamos em relação à estratégia da Konami – antes de partir para as perguntas de PES 2015 – era sobre o real motivo de a empresa ter decidido “segurar” o PES 2014 apenas para a geração anterior de consoles. Teriam eles deixado que os concorrentes testassem as águas dos aparelhos next-gen?

Na verdade, a coisa é bem mais simples. O produtor disse que ao começar a trabalhar no game, o time de desenvolvimento percebeu que não teria tempo suficiente para produzir algo em escala tão grande e complexa como o esperado de jogos da nova geração de video games.

Hosoda chegou a soltar uma risada ao lembrar da época em que isso aconteceu, já que, aparentemente, a decisão antecipada sobre isso acabou livrando o time de um grande problema no decorrer da produção. “Ao colocarmos as mãos na Fox Engine, percebemos como era difícil fazer essa expansão do game para as novas plataformas”, recordou ele.

Poder fantástico da raposa

Obviamente, a inclusão da Fox Engine na jogada não trouxe só trabalho para a equipe da Konami. O poderoso motor gráfico foi desenvolvido por ninguém menos que a Kojima Productions, empresa de Hideo Kojima, criador da série Metal Gear e superstar dos games nas horas vagas. Tendo em vista que títulos como Metal Gear V: The Phantom Pain e Silent Hills vão utilizar esta mesma engine, fica fácil perceber que o céu é o limite ao usá-la com um time de criação habilidoso.

Claramente, o primeiro ponto de evolução é a parte gráfica, com PES 2015 podendo apresentar jogadores com uma fisionomia muito mais próxima de suas versões reais, incluindo expressões e trejeitos dos craques originais. “Pudemos melhorar a fluidez dos passos, a velocidade com bola. [...] Tudo ficou mais definido, bem mais real e emocionante para os jogadores”, explicou Hosoda.

De acordo com o produtor, a Fox Engine possibilitou uma revolução na física do jogo, o que acaba se refletindo diretamente na jogabilidade encontrada no título. A impressão que se tem ao jogar a demo de PES 2015 é de que o game ficou mais ágil e responsivo, com toques de primeira saindo muito mais naturalmente, por exemplo, e mudanças na direção do jogador com a bola – para realizar dribles com o corpo – ocorrendo de forma bem fluida.

Paixão mundial diretamente nos consoles

Reconhecidamente, a série FIFA sempre foi mais voltada para um estilo de simulação do que a franquia Pro Evolution Soccer. Não é como se os games de futebol da Konami fugissem da realidade, mas o PES tem, geralmente, uma jogabilidade mais voltada para uma experiência dinâmica de futebol, de forma mais passional. Segundo Hosoda, foi com essa mentalidade que a empresa saiu da versão de 2014 para a 2015 do game.

A Konami estudou o formato dos estádios pelo mundo e a reação das torcidas de diversos países e trabalhou com afinco para aumentar a imersão dos gamers quando estiverem com o jogo em mãos. Mesmo com a demo, é possível sentir o som do retorno da torcida durante as jogadas, que cresce, diminui ou se exalta de uma forma bem fluida, sem parecer forçada.

Para fazer um bom equilíbrio entre o quanto habilidade individual e tática influenciam na experiência de jogo, a empresa se esforçou para incluir em cada um dos atletas traços de personalidade, que fazem com que o jogador responda a situações do jogo ou momentos de pressão de forma diferente.

PES 2015 é mais Brasil, até no jeitinho!

A atração principal da versão 2015 de Pro Evolution Soccer para os jogadores brasileiros não poderia ser outra senão a inclusão de 21 times nacionais – 21 a mais do que FIFA 15. A EA, uma gigante da indústria, encontrou diversos problemas para fazer acordos de cessão de direitos dos nomes dos clubes e dos jogadores, a ponto de não conseguir trazê-los oficialmente ao seu game. Sendo assim, qual foi o “fator Konami” que possibilitou que PES 2015 tivesse esse agrado extra para os gamers do Brasil?

Fizemos essa pergunta ao Hosoda, que, após um breve momento de silêncio, respondeu que a Konami usou o que nós chamamos de jeitinho brasileiro por aqui. Durante a produção de PES 2015, “a empresa estava em uma fase difícil, então, entramos em contato diretamente com jogadores de diversos clubes para saber se eles queriam fazer parte do jogo. Recebemos as assinaturas dos atletas que acharam que seria legal ter os times brasileiros no game”, contou o produtor.

De posse de uma boa quantidade de respostas positivas de jogadores, “a Konami conversou com os clubes para fazer o contrato de licenciamento dos times brasileiros para o PES 2015”. Provando que a necessidade muitas vezes cria oportunidades, a companhia japonesa conseguiu fechar, então, a presença de 21 clubes no primeiro game da série para as plataformas next-gen.

Ainda assim, logo de início, haverá apenas quatro times que terão os jogadores com seus nomes reais: Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro e Figueirense – que estão entre os primeiros a darem o “ok” para a iniciativa da Konami. Hosoda revelou que Santos e Flamengo também já fecharam contrato com a empresa e devem aparecer em um update logo após o lançamento do título. Ele disse ainda que outros sete clubes já estão em negociação avançada e serão trazidos em atualizações futuras – ainda sem data prevista.

Ouvidos abertos e olhos no futuro

Manorito Hosoda foi claro em dizer que a Konami considera o Brasil o grande mercado a se investir em toda a América, sendo aquele com maior potencial. “É o país que todos sabem que tem amor pelo futebol, e são muito críticos em relação ao esporte e aos jogos também. Estamos sempre ouvindo a voz dos usuários, então, podem tem certeza de que as críticas sempre são levadas em consideração para melhorar o game”, explicou ele.

Questionado sobre a inclusão de novos modos de jogatina, Hosoda não desconversou, mostrando que a Konami tem, sim, tudo isso na mira. Há interesse por modalidades como: futebol de areia, que possibilita novas jogabilidades e estratégias; futebol de rua, que, apesar de difícil transposição, impressiona a equipe de desenvolvimento pelo engajamento do brasileiros no esporte; e, como não poderia deixar de ser, o futsal, no qual os jogadores fazem “mágica”com a bola em quadra.

O futebol de salão, inclusive, já conta com uma versão demo jogável para um público bem restrito no Japão. Se quiser ler mais sobre esse tópico da conversa com o produtor e, de lambuja, saber por que o futebol feminino anda desafiando os desenvolvedores da Konami, veja nossa matéria sobre o assunto clicando aqui.

No campo de novos modos de controle nos games, como Kinect e Oculus Rift, Hosoda diz que a empresa, no momento, não pretende explorar essas vertentes, mas vê telas sensíveis ao toque como o máximo da evolução para opções de jogabilidade. PES nos celulares e tablets sem auxílio de joysticks virtuais? Quem sabe.

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Uma coisa é certa: Pro Evolution Soccer 2015 poderá ser apreciado de forma completa em breve. O game tem lançamento marcado para 13 de novembro deste ano e chegará em versões para Xbox 360, PlayStation 3, Xbox One, PlayStation 4 e PC.

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