BIG Festival: governo fala sobre incentivos ao mercado de games

BIG Festival: governo fala sobre incentivos ao mercado de games

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Durante um painel realizado nesta terça-feira (13) no Brazil’s Independent Games (BIG) Festival, em São Paulo, representantes da Universidade de São Paulo (USP) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentaram uma pesquisa sobre o mercado e a indústria de games do Brasil, mostrando que esse setor está em plena ascensão e tem um futuro promissor.

Entre os resultados do estudo está a constatação de que, embora o país já seja o terceiro maior consumidor mundial de jogos eletrônicos, nossa produção própria ainda possui pouca expressão. Esse fato levanta a importância de uma discussão aprofundada a respeito de como o governo pode mudar esse quadro com políticas públicas que incentivem a produção autossustentável de títulos brasileiros de qualidade.

Durante o painel seguinte na BIG, o representante da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC) afirmou que o reconhecimento da relevância do setor de jogos eletrônicos vem crescendo aceleradamente desde a declaração da ministra Martha Suplicy de que “game é cultura”, feita na última edição da Campus Party. Ele também afirmou que o governo está tomando medidas para auxiliar o crescimento dessa área.

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Abrindo as portas

Segundo o representante, a Secretaria do Audiovisual propôs o estabelecimento imediato de um grupo de trabalho dentro do governo, que deve debater essas questões. Posteriormente, o debate será estendido para um Fórum e possivelmente uma Câmara Setorial, com o objetivo de, no próximo semestre formatar uma política mais concreta de fomento e desenvolvimento.

Ele afirma que essas decisões devem envolver uma ação sistematizada do Estado por meio de instituições como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o Ministério de Comunicações (MC), o Ministério da Educação (MEC) e, obviamente, o MinC.

As decisões desse grupo governamental “devem gerar subsídios importantes para um programa que aponte para 2015”, com a possibilidade da criação de um fundo de programação especial, similar ao existente para o audiovisual, exclusivamente dedicado aos jogos. O representante ressalta ainda que, para a plena realização desses planos, seria necessário um mapeamento completo do setor de games por parte dos setores econômicos do governo.

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Outras frentes de batalha

De acordo com o secretário do Audiovisual, Mario Borgneth, esse processo multiministerial vai representar um desafio de inovação institucional. Para ele, essa tarefa tem como um de seus principais aspectos principais a promoção do encontro entre a indústria de jogos eletrônicos do Brasil e os desenvolvedores e artistas locais.

Além dos planos do MinC, a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo também possui projetos próprios para o incentivo do mercado de jogos eletrônicos. Segundo Rodrigo Mathias, representante da instituição, o setor de jogos eletrônicos será incluindo dentro da categoria de Projetos Especiais do Programa de Ação Cultural (Proac), permitindo a concessão de fundos para games como medidas de desenvolvimento de novas tecnologias na arte e na cultura.

Dinheiro não é tudo

Por mais que a criação de fundos e programas de fomento ao desenvolvimento de jogos no Brasil seja uma boa notícia, os participantes do painel ressaltaram que isso seria um gasto inútil se a ideia se limitasse apenas ao fornecimento de dinheiro. Segundo secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Alfredo Manevy, é preciso criar estratégias para estimular o país como desenvolvedor, permitindo que o setor sustente a si mesmo.

O superintendente executivo da Ancine, Maurício Hirata, reforça essa opinião, afirmando ser necessária a criação de leis similares àquela que levou os canais da TV a cabo a estabelecer uma quantidade mínima de programas feitos no Brasil dentro de suas grades de programação. Dessa forma, seria estabelecido um caminho entre os desenvolvedores e as publishers para que o mercado brasileiro possa se manter e crescer cada vez mais.

Rosana Melo, coordenadora do Sebrae, afirma que também é necessário conscientizar os próprios desenvolvedores de jogos da importância de formalizarem suas empresas, já que o fato deles normalmente surgirem de “grupos de garagem” leva a uma formalização tardia. Dessa forma, eles poderão ter acesso aos benefícios dos projetos governamentais e estabelecer relações mais profissionais com as publicadoras.

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