TCG jogou: To Leave é o game que vai arrancar os seus cabelos de forma suave
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TCG jogou: To Leave é o game que vai arrancar os seus cabelos de forma suave

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A Brasil Game Show 2014 pode estar quase no fim – afinal, este sábado (11) é o penúltimo dia de feira –, mas nem por isso as novidades param de aparecer aqui no TecMundo Games. Um game que foi exibido em uma demo não jogável na BGS 2013 resolveu dar as caras novamente este ano, e pudemos, enfim, curtir um pouco de To Leave, título desenvolvido pelo estúdio indie equatoriano Freaky Creations.

O jogo segue a fórmula dos independentes de se livrar das amarras impostas pelos grandes estúdios e colocar em prática ideias pensadas no esquema “fora da caixa”, abordando temas que por muitas vezes fogem do escopo de produções blockbusters – seguros em sua burocracia e orçamentos milionários.

Assim como em FEZ, Gone Home e Braid, tudo no game é focado em experiências. A arte, jogabilidade, trilha e atmosfera tentam a todo tempo fazer com que você avance pelos mapas, mas não sem antes o envolver e fazer o máximo para sintonizar o seu coração com o mundo criado para o título.

É tanto sentimento

Escolhido com perfeição, o nome To Leave (deixar) simboliza exatamente a decisão tomada pelo protagonista Harm. O garoto sente que está estagnado e desiludido, e que a sua vida está sendo consumida pouco a pouco pelo local onde vive. Sendo assim, resolve deixar para trás suas tristezas e medos para poder recomeçar a viver verdadeiramente, mas, para isso, preciso largar de vez a opressora cidade de Candice.

Decidido a não esperar a carona de um trem que esporadicamente leva e traz mantimentos ao lugar, Harm assume seus objetivos e abre a porta que o leva para uma dimensão em que o único combustível é a sua vontade de seguir em frente, independente dos obstáculos que surgirem.

To Leave é uma viagem metafórica pela vida dentro da sociedade atual, com as pessoas tendo que cumprir papeis ou vestir máscaras para realizar ações que são esperadas delas pelo resto de seus círculos de relacionamento.

Porém não precisa ficar com o pé atrás ao ler o tanto de significados existentes por debaixo dos panos, o game não exige nenhum mestrado em Filosofia para ser jogado. Pudemos colocar as mãos nele e garantimos: ele vai desafiar profundamente a sua habilidade no controle de Harm durante a jogatina.

Tentando de novo e de novo

Conseguimos tirar uma lasquinha da demo de To Leave na versão para PS Vita. Disponível apenas em uma única cabine de testes, e em meio a diversas outras estações com títulos como Minecraft e God of War para o portátil da Sony, o game atraía poucos curiosos para experimentá-lo.

Apesar disso, havia uma pequena fila para ele, e, durante o tempo de espera, era possível ver exatamente quantas vezes cada uma das pessoas falhou durante os cinco minutos disponíveis para checar o gameplay.

Curiosos? Ok, das quatro pessoas a nossa frente o número de mortes foi, na sequência: sete, doze, dez e vinte e nove vezes – isso mesmo! Ainda assim, todos pareciam satisfeitos ao deixar o PS Vita na bancada antes de ceder a vez para o próximo, e alguns até gostaria de ficar mais.

Fácil? Não, nem um pouco

Na verdade, a jogabilidade de To Leave é relativamente simples, com o jogador controlando Harm, que está agarrado a uma porta mágica, bastando apertar o botão X para ganhar impulso ao mesmo tempo em que se usa o direcional ou a alavanca esquerda para movimentar o protagonista para os lados. Fora esses dois controles, o botão Quadrado também pode ser usado para interagir com a porta em alguns locais específicos.

A energia que faz com que Harm siga em frente é chamada de Drive (algo como estímulo ou ímpeto), que fica marcada como um limite de tempo para que você percorra as fases. É possível colher algumas unidades desse Drive pelo mapa, fazendo com que o personagem prolongue um pouco mais sua motivação em deixar a cidade.

Mas não se engane, já que o mundo interno de Candice – com cada etapa simbolizando um aspecto da vida na cidade – é cheio de obstáculos e o game tem uma mecânica de vida implacável, em que basta encostar em praticamente qualquer coisa no cenário para ser mandando pro beleléu.

O jogador pode criar pequenos save points ao pousar em grande blocos azuis – que também concedem Drive na primeira vez que são tocados –, o que acaba ajudando demais em percursos mais avançados. Cada parte do mapa é vencida ao se chegar em um outro bloco, de cor roxa, no qual você pode interagir com a porta e avançar para outro ponto da fase.

“Ninguém baterá tão forte quanto a vida”

Sim, este game é para aqueles que gostam de desafios, aqueles que jogam Super Meat Boy, Dark Souls, Ikaruga ou Contra e se divertem com o próprio sofrimento. Alguns caminhos longos entre dois save point são extremamente cruéis e podem causar uma certa frustração em gamers mais casuais, já que, ao zerar seu Drive, basta apenas uma falha para ter que começar seu progresso do começo.

Um problema pode ser o fato de que a curva de aprendizado é bem íngreme, e não dá muito tempo ao jogador iniciante para se acostumar com a jogabilidade de forma mais gradual. Os desafios ficam bem cabulosos com uma rapidez impressionante e isso pode afastar uma parcela do público em potencial para o título.

De qualquer modo, é o jeito como o criador de To Leave, Estefano Palacios, tentou representar as adversidade da vida, que muitas vezes não permitem um mísero deslize antes de te levar ao chão. É realmente preciso força de vontade, dedicação e perseverança para conseguir prosperar, pelo jeito.

Uma experiência majestosa, apesar de tudo

Ainda assim, fica difícil não recomendar pelo menos tentar um contato com o game. O visual do jogo, com a arte toda feita à mão, é de encher os olhos, usando uma paleta com tons bem sujos para representar toda a atmosfera opressiva da cidade, ao mesmo tempo que pinta de cores fortes elementos do cenário e insufla vida na porta que leva Harm ao seu destino.

A delicadeza das animações fazem acreditar na dedicação dos desenvolvedores, assim como a trilha sonora, composta especificamente para To Leave, passa todas as emoções sentidas pelo protagonista na sua jornada para partir de Candice de uma vez por todas. É quase impossível não ser tocado, de um jeito ou de outro, pelo clima – ou pela dificuldade – de To Leave.

O título está me produção desde 2012 e teve seu lançamento adiada já algumas vezes, devido à escala que o projeto tomou durante o seu desenvolvimento. To Leave segue sem data marcada, mas com versões garantidas para PlayStation 4, PlayStation Vita, PC, Mac e Linux.

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