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“Brasil será principal mercado nos próximos 10 anos”, diz artista ao TCG

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Alex Alvarez. Fonte da imagem: Reprodução/Vimeo

Apesar das frustrações que temos com preços, políticas e outros entraves tipicamente brasileiros, é bom ver um mercado de games aquecido. Ainda mais quando essa visão vem de alguém de fora como Alex Alvarez, sócio-fundador da renomada escola internacional de arte Gnomon e um dos idealizadores do The Union, evento anual que reúne os principais designers da indústria no Brasil.

A terceira edição rolou no último final de semana no WTC - Golden Hall, em São Paulo, e contou com a presença de grandes figurões da indústria. O BJ esteve lá para conferir de perto os pensamentos gringos sobre nosso país e ficou surpreso com o que Alvarez pensa sobre o país. Segundo ele, nossa indústria está tão aquecida que, no longo prazo, pode se transformar no principal mercado de games do mundo.

Confira a entrevista na íntegra!

Obrigado por seu tempo, Alex. Vamos direto ao ponto: sabemos que a Gnomon escolheu o Brasil para firmar uma parceria através da escola Saga e promover, entre outras coisas, a existência do The Union. Por que houve o “não” para outros países e o “sim” para o Brasil?

Parte disso ocorreu em função da própria Saga. Observamos vários pontos do mundo para firmar uma parceria com a gente: Europa, China, América do Sul. O problema é que muitas companhias que se aproximaram da gente focavam somente em Hollywood, se interessavam apenas em dinheiro.

Nosso principal foco é ajudar nossos estudantes. Não se trata apenas de “eu faço porque faço”, e sim a paixão pelo que fazemos. Ficamos felizes por ver uma oportunidade num país com potencial e com uma indústria que pode crescer muito.

Acho que a Saga foi uma grande oportunidade. A escola introduz a arte aos jovens, isso é essencial e existe por aqui.

É curioso, muitos podem pensar que esse tipo de ensino é coisa exclusiva do primeiro mundo. Então há bastante potencial aqui no Brasil para isso?

Não, não rola isso lá fora não. Temos hoje crianças de 8 a 10 anos lá que não têm qualquer tipo de incentivo para o mundo da arte. Existem problemas aqui no Brasil, é claro, mas fico impressionado com o interesse dos brasileiros, a criatividade. Nesse sentido, a escola Saga foi um sucesso.

Há muitos estudantes, eles entendem a filosofia. Houve essa combinação de pensamentos entre a Saga e a Gnomon. Graduamos muitas pessoas nesses últimos anos, muitos brasileiros, e todos estão bem colocados no mercado.

Então, há muito talento no Brasil. É um país representativo. Percebi algo diferente neste país. A cultura, a criatividade das pessoas.

De fato, se há um fator unânime sobre os brasileiros, é a criatividade. Você enxerga um mercado crescente nos próximos anos, observando o longo prazo?

Sem dúvidas. Está muito claro que a economia brasileira nos últimos 10 anos cresceu muito, é um país grande, com o que, 150 milhões de habitantes?

Na verdade já são 200 milhões.

Uau, caramba! Há alguns meses eram 150 milhões. Fiquei surpreso agora. Mais um motivo pelo qual enxergo no Brasil excelentes oportunidades para a indústria de entretenimento crescer com muito conteúdo novo, diferente.

Viemos para cá com a seguinte preocupação: para onde os estudantes irão? Queremos treinar pessoas para que elas tenham trabalho. Num país pequeno, isso é difícil, mas no Brasil é possível.

É preciso olhar no longo prazo. Não nos próximos dois ou três anos apenas, e sim nos 10 ou 20 anos que estão por vir, e acho que o Brasil será a principal indústria de games nesse período.

A abordagem em outros países foi muito diferente?

Foi sim. Com os chineses, por exemplo, foi complicado. Eles simplesmente queriam dar um monte de dinheiro para nós e pronto. Tudo bem que eles são algo de outro mundo na hora de construir pontes ou prédios, mas arte não funciona assim. Leva tempo.

Após muitas conversas com o Brasil, fizemos a primeira edição do The Union, a segunda, e agora a terceira com mais de 4.000 pessoas.

O bom humor e a felicidade dos brasileiros, mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos, fazem a diferença?

É exatamente isso. Viajei por vários países, conheci diversas culturas. E a do Brasil é essa: alegria, disposição, boa vontade. A personalidade das pessoas é aberta, feliz. Muito mais do que se vê na Europa, por exemplo, hehe.

É sempre um prazer vir aqui, as pessoas são sempre muito legais. Eventos como esse [The Union] deixam impressões muito boas.

Acho que o Brasil é um país que chama atenção. Se eu chego para alguém e falo: “Abri uma escola na Rússia”, a reação é uma. Se eu falar que a escola foi aberta no Brasil, a resposta é muito mais positiva! Não há nada de negativo sobre o Brasil na mídia. Lá fora, não há. Sabemos dos problemas políticos que vocês têm e de outros problemas, mas todos têm impressões positivas sobre vocês. Vocês têm Rio, São Paulo e outras cidades, pessoas alegres.

Você mencionou bonitas palavras sobre sonhos, carreira, maneiras de conquistar objetivos. Alguma mensagem especial para os brasileiros que almejam trabalhar com desenvolvimento, design ou qualquer outra área de games?

Na verdade, tudo é muito mais simples do que imaginamos. Acho que basta você olhar onde está e como quer fazer o seu trabalho. Existe uma ponte para tudo hoje em dia.

Gnomon School of Visual Effects. Fonte da imagem: Reprodução/ConceptArtWorld

Os artistas consagrados ralaram muito para chegar onde estão. Não há uma fórmula mágica: há estudo e prática. Muita gente pode te bloquear falando que isso não vale a pena, que trabalhar com arte não é rentável etc. Há 15 ou 20 anos atrás, ok, talvez fosse verdade. Mas com o que temos hoje em dia, tudo é possível.

A indústria de entretenimento continua a crescer. A indústria de games cresce exponencialmente. PS4 está chegando, Xbox One está chegando. Isso tudo envolve muitas, muitas pessoas. Isso significa mais profissionais, mais empregos, mais oportunidades.

Contanto que você nunca pare de se desafiar, haverá espaço. Saiba suas fraquezas, saiba seus limites. Qualquer um que queira atingir qualquer coisa, não necessariamente na área de arte, tem que se dedicar. Música, esporte, medicina, qualquer coisa. Ninguém nasce o melhor: tudo se resume a prática, a nunca parar de estudar. Educação é para a vida. Obrigado!

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