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Capcom utiliza conquista de Lost Planet 2 para dificultar comércio de usados

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Novo game, nova tentativa da indústria de colocar uma pedrinha a mais no caminho do comércio de jogos usados. Dessa vez, o troféu criatividade vai para a Capcom, que através de uma conquista/troféu em Lost Planet 2 pretende desestimular as revendas do título.

A coisa funciona da seguinte maneira: existe uma conquista chamada “Honeymoon Period” no título que garante 20 pontos no Xbox 360 e um troféu bronze no PS3. Para consegui-la, entretanto, a ideia é bastante curiosa: você deve jogar o título seis meses após a primeira vez que ele foi colocado no console. Traduzindo em miúdos: você precisará ficar pelo menos seis meses com o título antes de pensar em passá-lo para frente — isso caso as conquistas signifiquem algo para você, é claro.

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Entretanto, a medida não parece ser capaz de surtir o efeito esperado pela empresa. Isso por que existe uma maneira simples — embora não exatamente ortodoxa — para se quebrar o controverso objetivo: caso você realmente não esteja disposto a manter a sua cópia por seis meses, basta desconectar o console da rede, atrasar o relógio do sistema em sete meses, criar um novo jogo salvo, e em seguida conectar-se novamente.

Simples. E você ainda ganha o troféu/conquista “malandragem” — não, nenhum dos consoles realmente fornece isso. Enfim, nova tentativa, nova controvérsia, nova falha. Qual será a próximo arroubo criativo da indústria?

“Abaixo os jogos usados!”

Mesmo quem não seja esperto o suficiente para quebrar o golpe do troféu/conquista “Honeymoon Period” já deve ter percebido que a atual indústria de jogos não vê com bons olhos o comércio de jogos usados. A lógica é simples: embora para você seja bastante atraente retirar tudo o que puder de um título para em seguida vendê-lo, nenhum centavo do valor da revenda vai para os cofres da Capcom ou da Electronic Arts ou de qualquer outra produtora. “Algo precisa ser feito”, dizem os executivos.

Dessa forma, embora seja impossível enquadrar como atividade criminosa a revenda de jogos — não que não fosse atraente para muita gente —, a indústria lança mão de alguns artifícios contestáveis para driblar o tino comercial dos jogadores.

Em primeiro lugar, o Oasis da venda online. Tudo bem, o comércio digital de jogos traz, sem dúvida, uma série de benefícios para os consumidores: você não paga a mídia física, tem acesso a diversos títulos de caráter “cult” — que, se dependessem das publicadoras grandes, provavelmente jamais veriam a luz do dia —, e sequer precisa sair de casa para fazer a compra. Mas o que acontece quando você enjoar daquilo? Pois é.

A venda online simplesmente traz o paraíso para os produtores: não existem gastos com mídia física, com entrega em grandes revendedoras e, o que também é muito interessante, você (o consumidor) não terá nada nas mãos para vender e alimentar um comércio nitidamente danoso.

Uma fatia no comércio de usados

Entretanto, a utópica realidade em que todos os jogos são distribuídos de forma exclusivamente digital ainda é um tanto embrionária. Isso porque nós ainda temos o costume, vindo de longos anos de cartuchos e CDs, de adquirir jogos em mídia física. Talvez seja uma forma de sentir que algo realmente “nos pertence”.

Img_originalDessa forma, as produtoras lançam mão de toda uma gama de artifícios para desencorajar o mesmo diminuir o chamado “valor residual” daquele seu jogo desgastado. Dragon Age: Origins fornece itens exclusivos apenas mediante um código inalienável (exclusivo para o primeiro comprador), e o mesmo faz UFC 2010 com seu modo online. Caso queira adquirir qualquer um desses jogos usados, você terá que, necessariamente, desembolsar uma quantia extra por um novo código.

O raciocínio é simples: enquanto o comércio de usados não for completamente extirpado, as produtoras têm que levar uma fatia quando suas propriedades intelectuais são revendidas. É ultrajante? É. É imoral? Provavelmente. Pode ser parado? Infelizmente esse não parece ser o caso.

Afinal, a exclusão das mídias físicas e, consequentemente, do comércio de usados apenas enfatiza uma coisa: você jamais compra um jogo (uma propriedade intelectual), apenas adquire o direito de utilizá-lo mediante condições bem definidas — não é como um carro, ou mesmo um console de video game. E as produtoras, é claro, sabem muito bem disso. Agora é esperar pelo próximo golpe criativo.

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