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Coluna TCG - Por que as conquistas no PC não me conquistaram

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Desde que apareceram nos video games, as conquistas (ou troféus, como são chamadas pela Sony) dividiram a opinião dos jogadores. Há quem se dedique a caçá-las em todos os jogos, terminando campanhas repetidas vezes em diferentes níveis de dificuldade e dedicando horas para alcançar o nível 50 daquele modo multiplayer. Ao mesmo tempo, há quem não se importe com o recurso e simplesmente ignore todo o processo.

Independentemente de sua opinião, a adição do sistema de conquistas como o conhecemos hoje (iniciada pelo Gamerscore da Xbox LIVE, criado em 2005) foi uma grande mudança no hábito de jogar (e desenvolver) games.

Com eles, além de ter uma ferramenta para avaliar a sua progressão em determinado título, os jogadores também passaram a receber dicas de como explorar elementos de jogo que até então poderiam passar despercebido. Até o relançamento HD de Metal Gear Solid 3: Snake Eater, por exemplo, muita gente provavelmente não tinha prestado atenção em alguns detalhes do jogo que, por oferecerem conquistas ao ser descobertos, passaram a ser mais conhecidos.

Outro ponto (ainda mais interessante, na minha opinião) é o aspecto social do sistema de conquistas. Como todas ficam atreladas ao seu perfil (seja na LIVE, PSN ou Steam), seus amigos podem saber o que você anda jogando e o seus feitos em cada título, desde apertar Start em The Simpsons Game até conquistar a platina de Dark Souls.

A platina tão sonhada pelos jogadores do PS3Além de oferecer mais um nível de exposição da sua vida na internet, o recurso também é interessante por incentivar que gamers conversem sobre um tópico em comum: games, é claro. Quem nunca perguntou para um amigo se determinado jogo vale a pena por vê-lo na lista de jogos do colega?

Uma plataforma, conquistas descentralizadas

Enquanto tudo isso é muito fácil de fazer por meio da Xbox LIVE ou da PlayStation Network, quem decide jogar no PC não encontra as mesmas facilidades. Para começar, dependendo de quais jogos você tiver no computador, é necessário ter instalados diversos clientes (como o Steam, Origin, Battle.NET e Uplay), cada um com seu próprio sistema de conquistas e agrupamentos de amigos próprios.

Por conta disso, enquanto os desenvolvedores ainda podem oferecer conquistas para apresentar elementos escondidos dos jogos, o apelo delas parece muito menor no PC. Afinal, dependendo do título escolhido, você pode jogá-lo a partir de três diferentes clientes (basta pensar em títulos da Electronic Arts e Ubisoft, vendidos no Origin, no Uplay e no Steam).

De acordo com a escolha, o suporte a conquistas também pode simplesmente não existir, matando um recurso bastante popular. No caso de jogos mais antigos disponibilizados no PC, isso até é compreensível. Em jogos atuais, entretanto, isso não passa de uma oportunidade perdida de tornar o título ainda mais interessante.

Desvalorização da conquista

Mesmo no Steam – de longe, a plataforma mais popular no PC – as conquistas também não oferecem o mesmo apelo. Além de a inclusão do sistema não ser obrigatória em todos os jogos e de, como já citado, muitos jogos vendidos pela loja necessitarem de outros clientes, o Steam também parece não valorizar as “proezas” (como são chamadas as conquistas pela Valve).

Prova disso é a forma de navegação de conquistas do sistema, muito mais complicada do que na LIVE ou na PSN. Enquanto ainda é fácil acessar a sua biblioteca de jogos e as proezas de cada um, tente compará-las com a de seus amigos. Apesar de o recurso existir dentro da plataforma da Valve, fazer isso é muito menos intuitivo do que nos consoles.

Ao mesmo tempo, não há a contabilização do número total de conquistas de um jogador. Em vez disso, existe um Steam Ranking baseado no número de horas de jogo nas duas últimas de cada usuário.

Assim, se você conseguiu acumular 200 horas de jogo em Civilization V, mas por algum motivo não conseguiu jogar nada nos últimos 14 dias, o seu ranking será igual a zero. Aposto que se a LIVE fosse assim, aquele cara que está tentando alcançar o Gamerscore de 1.000.000G nem teria começado. Pelo menos a proposta do sistema de Trading Cards em troca de horas de jogo parece uma medida para oferecer alguma recompensa ao jogador.

Solução?

Infelizmente para aqueles que gostam de colecionar troféus e conquistas, o PC ainda não parece ser a melhor das plataformas para organizar o fruto de toda a sua jogatina. Caso o Steam reorganizasse a sua seção de conquistas, no entanto, os jogadores poderiam aproveitar mais os recursos.

A loja da Valve, por exemplo, já oferece alguns dados bastante interessantes que os jogadores dos consoles precisam de ferramentas externas para consultas. É o caso das estatísticas globais, que mostram a porcentagem de jogadores que obteve determinadas conquistas em cada título com suporte a proezas.

Caso uma ferramenta nesse modelo que permitisse, com facilidade, a comparação com o grupo de amigos (ou, quem sabe, com o conjunto de membros de alguma comunidade do serviço) fosse disponibilizada, quem sabe tudo não ficasse mais interessante?

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