Voxel
241
Compartilhamentos

Coluna: games podem ser um esporte?

Último Vídeo

Os holofotes brilham sobre a multidão, e a tensão circula no momento que antecede a final do campeonato. Em questões de minutos, sua mente é surpreendida por uma jogada maravilhosa, calculada, inacreditável; e você grita emocionado. Você celebra junto da equipe que atingiu o topo e superou todos os desafios até aquele exato instante. Os jogadores, com o batimento ainda acelerado pela adrenalina, respiram aliviados, mas outros pulam, choram – soltam a tensão do momento que garantiu o título.

As maiores competições provam a necessidade de um dedicado treinamento para conquistar a taça de melhor do mundo. Esta é uma situação que ocorre em partidas de futebol, vôlei ou basquete, mas também acontece com os games. Mesmo assim, com tantas emoções e estratégias em jogo, jogar video game pode ser considerado um esporte?

Entre a trave e o xeque-mate

Trabalhar com este conceito é confrontar o senso comum que sempre envolveu a palavra. Para muitos, a prática esportiva é necessariamente física, quando, na verdade, ela pode ser mental e voltada para a competição.

O exemplo mais clássico do exercício estratégico é o xadrez. Ele é atualmente reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional como um esporte e, até onde sabemos, não é uma atividade que envolva o exercício do corpo. Os enxadristas ficam exaustos mentalmente, suam frio, calculam, estudam sem parar as estratégias mais efetivas para cada situação; há um preparo mental constante.

Competir é o ponto principal na prática esportiva. Assim como confirma a doutora na área de Educação Física Paula Rondinelli, o esporte será sempre definido pela competição, sendo necessária uma federação que a regulamente e lhe defina regras, além de garantir as premiações dos atletas. Dessa forma, as organizações dos torneios ou desenvolvedoras já atuam como federações, mostrando qual será o meio competitivo a ser adotado pelos atletas.

Mas existem jogos que contam com esta dinâmica para uma prática profissional? Sim, e os exemplos estão cada vez mais presentes na comunidade brasileira de games.

As grandes competições

No mundo, há diversas organizações gerenciando torneios de jogos eletrônicos, como a World Cyber Games e a Electronic Sports World Cup. Ambas recebem atletas do mundo inteiro por meio de seletivas e oferecem grandes premiações para vários jogos. Além delas, campeonatos são organizados pelas próprias produtoras de jogos, como o World Championship para o League of Legends e a The International para o DotA 2.

As premiações chegam a ultrapassar US$ 2,8 milhões, como foi o caso do torneio organizado para o MOBA da Valve. E, se há tamanho dinheiro em jogo, haverá jogadores que se dedicarão horas e mais horas para receber as invejadas premiações.

O Brasil mostra ligeira representação internacional nos jogos competitivos, há mais de dez anos enviando representantes na WCG (recebendo várias medalhas nesse tempo) e quase conquistando uma vaga nas finais mundiais do MOBA da Riot Games.

Jogadores como Felipe “brTT” Gonçalves e Bruno “bit” Lima contam com uma rotina de treinos intensiva para garantir os primeiros lugares em competições de Counter-Strike e League of Legends, dispondo até de centros de treinamento pelas suas equipes.

Seriam eles, dessa forma, atletas especializados em seus jogos? Ora, com uma rotina tão dedicada e focada em treinos, eles “suam a camisa” para sempre refinar suas habilidades. Não é o que os atletas tradicionais também fazem?

Suando frio no controle do video game

E quando chega a hora de colocar todas as horas de prática em disputa, o corpo sente a adrenalina subir. Nesse ponto, os grandes competidores de jogos eletrônicos compartilham a mesma sensação que os atletas olímpicos em pleno desafio mundial. Um misto de emoções corre pelas veias de ambos, juntando dúvida, ansiedade e concentração.

A única diferença está onde cada um aplica a sua energia: enquanto os games são competições voltadas ao reflexo e ao trabalho mental, as atividades físicas irão definir o ganhador a partir do esforço.

Da mesma forma que os esportes tradicionais, os jogos competitivos também contam com torcidas, narradores, jornalistas e especialistas prontos para fazer a análise de cada ação. Uma estrutura profissional que cerca os competidores e acompanha cada movimento feito por eles. Não reconhece isso de algum lugar? Ora, muitos dos esportes tradicionais contam com isso.

O cyberatleta hoje

No entanto, não estou dizendo que qualquer game poderá ser considerado como um esporte – para isto ele precisará de estrutura e organização, além de dar incentivo monetário para a dedicação do jogador. Enquanto no Brasil esse cenário está crescendo aos poucos com alguns jogos, os atletas ainda precisam passar por muitas barreiras para ainda serem aceitos como esportistas especializados.

Olhar para um jogador profissional e concluir que ele é somente uma pessoa dedicada aos video games seria desconsiderar uma série de fatores que o motivaram a seguir por este caminho. Os grandes prêmios, a exaustiva preparação e a concentração máxima para chegar ao topo são apenas algumas das características que o colocam na mesma pele do atleta que está prestes a dar tudo de si e seguir pelo rumo que o leva ao ouro. Soar o apito do juiz ou começar a partida de Starcraft será apenas o início de sua caminhada.

Você sabia que o Voxel está no Facebook, Instagram e Twitter? Siga-nos por lá.