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Conferimos toda a sanguinolência e brutalidade de Bloodborne

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A possibilidade de termos o primeiro jogo da From Software para PlayStation 4 deixou todo mundo empolgado. Desde que as primeiras informações, ainda vagas, sobre o tal Project Beast começaram a surgir, muita gente foi à loucura. E o anúncio oficial do game na conferência da Sony era o que faltava para os fãs de Dark Souls migrarem de vez para a nova geração. Mas será que ele é realmente tudo isso?

Bloodborne é uma das principais atrações da Sony aqui na E3, sendo responsável por uma das maiores filas no local, atrás apenas de The Order: 1886. No entanto, como se trata de um título ainda em fase inicial de desenvolvimento, foi possível apenas acompanhar a jogatina de um dos produtores do game e conferir algumas das novidades que o estúdio planeja trazer.

Assim como os demais games da desenvolvedora, o foco aqui é a ambientação. Logo de cara, somos jogados em uma cidade aparentemente abandonada, mas que logo se revela ser um local para criaturas amaldiçoadas. E isso cria uma pressão enorme, já que a grande quantidade de becos, bueiros e demais estruturas pode se transformar em esconderijos perfeitos para ataques surpresas. Com isso, a sensação de perigo paira constantemente no ar.

O curioso é que esse clima lembra muito o clássico Resident Evil 4. Temos uma vila suspeita, pessoas amaldiçoadas e agressivas vagando sem rumo pelas vielas e muitas tochas e corpos queimando por todos os lados. 

Uma morte em cada mão

No entanto, as semelhanças param por aí, já que Bloodborne é muito mais pesado e sombrio do que o retorno de Leon. E sanguinolento, já que todos os ataques realizados pelo protagonista resultam em litros e litros de sangue sendo jorrados pelo cenário. Não é à toa que, em poucos minutos de teste, o personagem já estava completamente pintado de vermelho.

Para isso, ele conta com dois tipos de armas. A primeira é uma espécie de lâmina gigante, um misto de foice e machado, que ele manuseia habilmente com uma única mão, dilacerando as criaturas com bastante estilo. A outra é algo parecido com um bacamarte, uma espingarda de grosso calibre que nós vamos chamar carinhosamente de “trabuco” para facilitar a imaginação de todos – e soar muito mais legal.

Como o personagem não precisa optar entre uma e outra, estando sempre com os dois equipamentos em mãos, isso torna a jogabilidade bem mais variada. Isso porque é possível alternar entre um tiro e ataques físicos com bastante facilidade, ampliando o leque de possibilidades estratégicas.

Isso fica bem claro já nos primeiros minutos de demonstração, quando o jogador se depara com um inimigo bem maior do que as esqueléticas ameaças anteriores. Enorme, bruto e carregando com facilidade um grande pedaço de concreto, ele logo parte para cima de você e mostra como você terá de se virar para sobreviver neste mundo.

Até então, os inimigos que cruzaram o caminho do personagem eram bem simples. Pequenos e raquíticos, bastavam um ou dois golpes para que eles tombassem em uma poça de sangue à sua frente. Com este, no entanto, as coisas são mais complicadas. Detentor de uma força descomunal, ele exige que você explore bem o sistema de esquiva e aproveite as vantagens de ter dois tipos de armas sempre à mão.

Desse modo, é possível perceber que a mecânica geral de Bloodborne será baseada exatamente no timing de seus movimentos. Saber quando esquivar, quando usar seu trabuco ou quando partir para cima com sua lâmina gigante é essencial e o que vai separar os guerreiros de verdade daqueles que vão morrer dezenas e dezenas de vezes.

Isso se repete durante a batalha contra o chefe que finaliza a demo. Uma criatura gigantesca, semelhante ao lendário Baphomet, surge do alto de uma construção e parte para cima do personagem. Seja com suas investidas diretas ou seus grandes saltos, o jogador precisa se desviar no momento certo para usar o bacamarte como quebra de defesa. É somente quando o monstro abre sua guarda que ele pode partir para cima com a lâmina e causar algum tipo de dano – um processo que requer paciência e muita disciplina por parte dos aventureiros.

Um perigo a cada esquina

Como dito anteriormente, o fato de o jogo se passar em uma cidade do século XVIII ou XIX cria várias possibilidades. O design do ambiente é feito para que você sinta-se constantemente ameaçado – e, mais do que isso, faz com que essa sensação não seja em vão. Quando você menos espera, surge uma criatura para tentar matá-lo.

Porém, enquanto os inimigos-padrão parecem ser relativamente fáceis de serem derrotados, outros vão exigir um pouco mais de habilidade e paciência. Não que isso seja um problema, já que os fãs da From Software não esperavam nada diferente disso.

Um dos pontos altos do trailer de Bloodborne exibido na conferência da Sony foi exatamente a aparição dos cães do inferno. E, como é de se imaginar, eles são realmente animais malditos e que vão fazê-lo suar frio em frente ao Playstation 4. Como eles são mais rápidos e relativamente menores do que os demais oponentes, você precisa tomar muito cuidado para não tombar diante das mordidas.

Novamente, a combinação de armas e esquivas se vê necessária. O destaque, no entanto, é que o produtor fez alguma firula em que o personagem finaliza o animal de maneira bastante brutal. Mais sangue voa pela tela, dando um brilho rubro à pouca iluminada rua.

Como a cidade é cercada de construções bem variadas, o jogador tem bastante liberdade para explorá-las de diferentes formas. O design do local oferece várias possibilidades, desde escalar alguns locais até descobrir passagens alternativas para evitar confrontos.

Além disso, não é estranho encontrar outros sobreviventes tentando acabar com a maldição que caiu sobre o lugar. Segundo o produtor, o que vimos em tela era um NPC lutando contra uma das criaturas e cabe ao jogador decidir se vai ou não ajudá-lo. Os samaritanos podem se beneficiar de recompensas dadas por esses personagens, mas os oportunistas podem ver ali uma brecha para avançar sem arriscar sua cabeça.

Ainda falta muito

Por mais que Bloodborne pareça bastante promissor, é nítido que ainda resta muito trabalho para a From Software. A começar pela enorme instabilidade do jogo, que mais parecia uma apresentação de slides do que um game de nova geração. Apesar de muito bonito, era nítido que tudo estava abaixo de 30 fps, uma vez toda a movimentação era lenta e bastante travada. Isso porque nem havia tanta coisa acontecendo na tela e até o próprio produtor procurava andar para evitar que a velocidade do personagem tornasse as coisas ainda mais pesadas.

Não foi à toa que ele sofreu bastante para enfrentar alguns inimigos mais poderosos, uma vez que a lentidão dificultava a ação. Quando era preciso correr, esquiar e girar a câmera, a imagem quase congelava de vez.

Outro ponto que chamou a atenção foi a inteligência artificial dos oponentes, que não estava tão inteligente assim. A reação deles à presença do personagem é demorada e, por isso, quase nunca representam uma ameaça realmente assustadora. Aliado à fragilidade desses seres que vimos na demo, parece que a dificuldade que acompanha a série Souls não estará tão presente assim em Bloodbourne. No entanto, ainda há esperanças para que isso mude no futuro.

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