Falamos com o organizador da Brasil Game Show: saiba o que esperar em 2014

Falamos com o organizador da Brasil Game Show: saiba o que esperar em 2014

Último Vídeo

Assim como muitos jogadores, Marcelo passou a adolescência folheando revistas de games. Via nas páginas de publicações como a SuperGamePower e EGM os eventos que badalavam a indústria lá fora e se perguntava quando isso iria acontecer no Brasil. Um sonho distante, visto que, em meados dos anos 90, o mercado nacional era praticamente nulo, entregue à pirataria e ao contrabando.

Distante, mas não impossível. Tanto que, anos depois, o Marcelo que sonhava em ir a uma E3 e conferir todas as novidades antes de elas chegarem às lojas foi além. Organizando seu próprio evento, a Brasil Game Show, ele não só permitiu que milhares de outras pessoas pudessem vivenciar aquela experiência como ainda ajudou a colocar o país dentro da rota das grandes produtoras.

"A BGS se tornou o cartão de visita do Brasil para os desenvolvedores lá fora", explica Marcelo Tavares, que desde 2009 fomenta a comunidade gamer no país e coloca o mercado nacional cada vez mais em evidência lá fora. "Quando começamos, não tínhamos nada por aqui. Era um mercado nulo".

Marcelo Tavares em entrevista ao BJ durante a BGS 2013

Tanto que a primeira edição do evento, que ainda se chamava Rio Game Show, foi bem pequena — mas o suficiente para atrair a atenção de algumas empresas. Em 2010, algumas já marcaram presença, mesmo que de maneira tímida, e, em 2011, tivemos um grande salto de público e de companhias participantes.

E a razão para esse interesse crescente é bastante simples. "Quando o produtor vê a paixão do brasileiro, ele passa a ter uma noção maior de como são as coisas por aqui", conta o organizador. "É assim que ele percebe como o Brasil é um mercado em potencial". Não é à toa que, durante a conferência da Sony latino-americana durante a última E3, um desenvolvedor disse nunca ter visto tanta gente reunida para testar alguns lançamentos.

Só que de nada adianta se impressionar se não há resultados — e, nesse aspecto, a BGS faz bonito. O próprio Tavares credita ao crescimento do evento e de sua relevância a entrada de grandes nomes da indústria no país. "Quando começamos, o Brasil tinha apenas uma ou outra empresa trabalhando de forma ainda pouco significativa. Depois de algumas edições, companhias como Sony e Blizzard passaram a atuar com mais força por aqui".

E não é preciso ir muito longe para perceber o quanto a Brasil Game Show foi importante nesse sentido. Além de ser o palco de grandes novidades, a feira ganhou suas próprias conferências aos moldes da E3 — mesmo que em proporções bem menores —, com direito a anúncios focados no mercado local e até mesmo algumas surpresas. Em 2011, por exemplo, o público pôde conhecer o Vita meses antes de seu lançamento e, no ano passado, foi a vez do PlayStation 4 e Xbox One. Uma oportunidade que, há pouco tempo, muitos brasileiros julgavam jamais ser possível por aqui.  

Olhando para fora

É claro que, quando falamos de evento em escala global, a E3 é referência. Também pudera, afinal, trata-se da maior feira de jogos do mundo e o momento em que toda a indústria e a comunidade param para ver o que há de novo. E a organização da BGS não ia deixar de se espelhar nela na hora de pensar em sua próxima edição.

Para o público brasileiro, a Electronic Entertainment Expo se transformou em uma espécie de "trailer" do que esperar da Brasil Game Show. Por mais que as novidades presentes em cada um dos eventos não sejam as mesmas, os jogadores se baseiam na feira norte-americana para traçarem suas expectativas em relação ao que vamos ver em nosso país.

Em 2011, o Vita apareceu antes na BGS

Para a organização da BGS, a coisa não é diferente, embora com suas próprias particularidades. "Para nós, a E3 é muito mais voltada para negócios", explica Tavares. Segundo ele, sua presença em Los Angeles não é apenas para conferir o que há de novo no mercado, mas para conversar com estúdios para ver quais jogos trazer para o Brasil, quais produtores convidar e tentar alinhar com aquilo que o público gostaria de ver.

E os resultados estão sendo bem positivos, como o próprio organizador da feira aponta. Segundo ele, o bom desempenho de uma edição da Brasil Game Show só vai ser percebido no ano seguinte, quando mais e mais empresas se interessarem em participar. "Em 2013, foram mais de 100 lançamentos e, neste ano, pretendemos dobrar este número". E ele garante: boa parte do que vamos ver lá fora vai pintar por aqui.

Apesar de parecer um pouco cedo para fazer esse tipo de "previsão" — faltam mais de cinco meses para o evento —, isso não significa que o planejamento da edição de 2014 da BGS não tenha começado. "Quando a edição do ano passado estava acontecendo, nós já estávamos pensando na próxima", explica Tavares, que começa a correr atrás de toda a burocracia e dos participantes sempre um ano antes. Isso sem falar da locação do Expo Center Norte, local da feira, que já está garantido até 2015.

O que esperar de 2014

Com as coisas tão adiantadas para a Brasil Game Show de 2014, não podemos nos esquivar das expectativas em relação ao que está por vir. Se o evento bombou no ano passado com a estreia de PS4 e Xbox One em terras tupiniquins, o que esperar desta edição, que será totalmente focada nos jogos de nova geração?

Tavares já antecipa dizendo que, desta vez, a BGS quer se destacar não apenas pela quantidade, mas também pela qualidade das novidades que estarão presentes. E, para que isso aconteça, algumas mudanças tiveram de ser feitas.

A principal delas é um aumento no espaço disponível para o público. Desta vez, a feira não contará com um ou dois pavilhões do Expo Center Norte, mas com todos eles. Isso vai permitir não só aumentar a capacidade de pessoas transitando entre os estandes, mas também oferecer espaços maiores e, principalmente, mais confortáveis.

E, como a área vai ser maior, também será preciso mais tempo para poder transitar por todo o espaço. Tavares conta que, para cruzar de uma ponta a outra do local, é preciso mais de 25 minutos — isso em um ambiente vazio e sem nenhuma pausa. Como as condições da BGS são completamente diferentes, será necessário um pouco mais de paciência para conseguir olhar todas as novidades. Não é à toa que a procura por ingressos para mais de um dia tenha aumentado.

Divulgação/Brasil Game ShowFonte: Divulgação/Brasil Game Show

Para 2014, a estimativa é que mais de 250 mil pessoas passem pelo evento. Trata-se de um aumento e tanto em relação ao ano passado, que recebeu cerca de 150 mil visitantes. "Com o espaço que temos disponível, tínhamos a possibilidade de dobrar esse número, mas optamos em fazer uma pequena limitação exatamente para oferecer a melhor comodidade a todos os que forem", comenta o organizador.

Essa preocupação é importante, principalmente após as várias críticas que a BGS sofreu nos anos anteriores por conta da superlotação em determinados dias. Para remediar isso, Tavares conta que, desta vez, as passagens estarão 40% mais espaçosas e os principais estandes também ficarão maiores, permitindo que as pessoas possam transitar com mais facilidade e, o mais importante, jogar aquilo que elas querem.

Divulgação/Brasil Game ShowFonte: Divulgação/Brasil Game Show

Outro ponto que os organizadores querem evitar desta vez são as enormes filas que atormentaram muitos dos visitantes em 2013. E, agora que o Expo Center Norte será utilizado em sua totalidade para a Brasil Game Show, o evento contará com duas grandes entradas para o público, o que deve evitar a concentração massiva de pessoas em um único ponto.

E essa facilidade vai ajudar a pôr um fim em outro pesadelo dos visitantes: o tempo de espera. Nas edições anteriores, era comum encontrar pessoas que madrugaram em frente ao local para serem os primeiros a entrar. Neste ano, Tavares pede para que as pessoas não façam isso, pois o ritmo de entrada deve ser bem tranquilo e sem a necessidade de que alguém vire a noite para garantir seu lugar.

Só que, para isso, é preciso se planejar e garantir seu ingresso o quanto antes. Com mais de 30 mil entradas vendidas cinco meses antes, a possibilidade de escolher em quais dias ir está nas mãos daqueles que adquirem seus ingressos o mais breve possível. "Estamos dividindo bem o número de ingressos para que não haja superlotação em nenhum dia. Então, para que a pessoa possa escolher a data exata, o ideal é fazer isso logo", explica o organizador do evento.

Divulgação/Brasil Game ShowFonte: Divulgação/Brasil Game Show

Mas a preocupação de atender todo esse volume de gente não é exclusividade dos responsáveis pelo evento. As próprias empresas estão pensando e se preparando para isso. Tanto que, das companhias que estiveram outras vezes na BGS e que vão retornar, todas prometeram aumentar o espaço de seus estandes. Uma evolução lógica: com mais novidades para mostrar e mais pessoas para receber, o mínimo esperado era que eles também aumentassem sua capacidade.

Para ter uma ideia desse aumento, Tavares conta que empresas como a MadCatz ampliaram seus espaços de 45 m² em 2013 para 200 m² neste ano. A Kingston segue uma progressão semelhante, indo de 50 m² para 240 m², e as lojas Americanas, que estavam com 270 m² na edição passada, saltaram para incríveis 900 m².

Mas e os jogos?

É claro que não deixaríamos de perguntar quais serão os jogos que marcarão presença durante a Brasil Game Show 2014. O problema mesmo é obter resposta, já que Marcelo Tavares precisa respeitar vários acordos de confidencialidade com as produtoras, se comprometendo a não revelar nenhum dos títulos que estão por vir.

Divulgação/Brasil Game ShowFonte: Divulgação/Brasil Game Show

"Este ano será verdadeiramente next-gen", conta o idealizador da feira, se referindo ao fato de o ano passado ter sido o ano dos consoles. "Eu não sei exatamente quais serão esses games, mas é fácil saber qual será o line-up das empresas. Qualquer um consegue deduzir", brinca. De fato: como duvidar de EA Sports UFC por parte da Electronic Arts ou do tão falado Assassin's Creed: Unity, da Ubisoft?

E, falando no estúdio francês, Tavares antecipa que a empresa finalmente terá seu próprio estande em 2014. Ao contrário dos anos anteriores, quando dividia espaço com a NC Games, a gigante vai contar com um espaço de 350 m² para apresentar seus lançamentos.

Divulgação/Brasil Game ShowFonte: Divulgação/Brasil Game Show

Marcelo conta ainda que mais de 50% do espaço do evento já foi negociado e que alguns nomes já estão confirmados, como Razer, OnGame, MadCatz, Kingston, Americanas, NVIDIA e a própria Ubisoft. E ele garante que maio será um mês forte para os anúncios e que podemos esperar coisa nova vindo nas próximas semanas.

Só que, para o jogador que procura os lançamentos para seus consoles, os nomes em questão são outros. E Tavares, mais uma vez, se esquiva: por questões estratégicas de cada companhia, ele não pode dizer se a empresa A ou B vai estar ou não presente. Ainda assim, ele disse que "quem esteve presente no ano passado certamente vai voltar", ou seja, fãs da Sony, Microsoft, EA e Warner podem respirar aliviados, pois as chances de elas voltarem são grandes — ainda que não estejam 100% garantidas.

Além disso, o organizador da BGS deixou escapar outro detalhe interessante. Ainda falando sobre as empresas presentes que não podem ser reveladas, ele comentou que quem não esteve presente no ano anterior pode voltar. "Em 2013, o foco era inteiramente nos novos consoles e algumas companhias não tinham o que mostrar para competir, então optaram por uma ausência estratégica. Desta vez, a atenção são os jogos". E é óbvio que a descrição de Tavares nos faz lembrar automaticamente da Nintendo, mas ele não confirma — e nem desmente. "Estamos negociando com ela, mas ainda não há nada fechado".

Atrações internacionais

Com o crescimento da Brasil Game Show, era óbvio que mais e mais nomes importantes da indústria iriam aparecer por aqui. Em 2011, o produtor da série Street Fighter, Yoshinori Ono, compareceu ao evento e, no ano seguinte, foi a vez do produtor de Tekken, Katsuhiro Harada. Desde então, já virou tradição contar com um visitante de renome internacional.

Divulgação/Brasil Game ShowEric Holmes, produtor de Batman: Arkham Origins, esteve na BGS 2013 (Fonte: Divulgação/Brasil Game Show)

E, em 2014, isso não será diferente. Marcelo Tavares conta que podemos esperar a presença de vários produtores e que teremos grandes revelações ao longo do segundo semestre. Segundo ele, alguns nomes já estão certos, enquanto alguns ainda estão em negociação.

Como era de se esperar, ele não revelou quem são essas pessoas, mas disse que o público vai gostar. "No fim da BGS 2013, o público respondeu um questionário e uma das perguntas era exatamente sobre quem ele gostaria de ver no ano seguinte", explica o empresário que também é colecionador de video games. "Embora não possa antecipar quem são, posso dizer que estamos bem alinhados ao que vimos nessa pesquisa".

Palco de novidades

E, se a ideia é transformar a BGS em uma feira do porte de eventos como a E3, gamescom e Tokyo Game Show, ainda falta uma coisa: anúncios de peso. É claro que já demos passos importantes nesta direção, seja com as conferências da Sony e da Microsoft sobre seu planejamento local ou com a revelação de um trailer inédito de Street Fighter X Tekken pela Capcom em 2011. No entanto, o público sempre deseja mais.

"Este ano, teremos duas situações de anúncios exclusivos focados no Brasil", antecipa Tavares, que diz que gostaria de ver o evento que ele idealizou se transformar no palco de novidades para o mercado global. Já imaginou um título sendo anunciado para PS4 ou Xbox One no Brasil. "Este é o próximo sonho. Quem sabe?".

Focando no eSport

Uma das principais atrações da BGS 2013 foi o estande da Riot Games, onde um campeonato de League of Legends reuniu milhares de pessoas que torceram freneticamente por suas equipes favoritas. Era o maior evento nacional abraçando o eSport de uma forma surpreendente.

Divulgação/Brasil Game ShowFonte: Divulgação/Brasil Game Show

E Tavares promete dar mais atenção à modalidade neste e nos próximos anos, principalmente com um número maior de campeonatos em jogos diferentes. "O eSport é uma tendência. A gente sabe como o pessoal é apaixonado e como é importante para eles, então vamos continuar apoiando".

Tanto que, para 2014, já há algo planejado. "Esses torneios vão continuar neste formato [sendo organizados pelos estandes], mas nós vamos dar todo o suporte necessário", conclui.

Você sabia que o Voxel está no Facebook, Instagram e Twitter? Siga-nos por lá.