Como a Coreia do Sul virou uma potência do eSport?

Como a Coreia do Sul virou uma potência do eSport?

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É difícil pensar em esportes eletrônicos sem pensar na Coreia do Sul. O país asiático sempre se destacou no cenário da jogatina profissional e continua defendo sua coroa como a maior potência dos eSports do mundo – basta lembrar da épica disputa entre as equipes Samsung Galaxy White e Star Horn Royal Club, na final do mais recente torneio mundial de League of Legends. Mais de 40 mil pessoas se reuniram no estádio de Sangam (que também serviu como palco para as partidas de futebol durante a Copa do Mundo de 2002) e vibraram com a vitória do time White, composto por jogadores da própria Coreia do Sul.

Mas, afinal, por que os sul-coreanos são tão bons nos eSports? E por que o país se tornou a maior potência dos esportes eletrônicos, sendo conhecido por sua infraestrutura elaborada para esse tipo de torneio? Parte da explicação para esse fenômeno envolve um pouco da história política da localidade. Para enfrentar a crise econômica que abalou a Ásia na década de 90, a Coreia do Sul resolveu investir pesado em telecomunicações e infraestrutura de redes, permitindo que qualquer cidadão tivesse acesso a uma conexão de alta velocidade.

Além disso, esse investimento governamental causou uma explosão de lan houses no país – conhecidas na Coreia do Sul como “PC bangs” – e elas rapidamente se tornaram um clube para jovens que queriam mostrar suas habilidades nos terrenos virtuais. Em vez de procurar uma quadra esportiva para jogar futebol ou basquete, eles procuravam esse tipo de lugar para jogar Starcraft em grupo e treinar suas habilidades coletivamente.

Exemplo de "PC Bang" na Coreia do Sul

Incentivos do governo e interesse da mídia

Vale a pena ressaltar também que o governo sul-coreano teve um papel importantíssimo na criação de um ecossistema consistente para os eSports no país. Em 2000, por exemplo, foi criada a Associação Coreana dos eSports (Korean eSports Association ou KeSPA, no original em inglês), que visa gerenciar eventos, regular transmissões, vistoriar condições de trabalho de jogadores profissionais e até mesmo incentivar o interesse pelos esportes eletrônicos na população asiática em geral. A associação só foi fundada após a aprovação do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo – que queria transformar os eSports em “um esporte real”.

Não demorou muito para a mídia local perceber uma boa oportunidade de lucrar com esse segmento: atualmente existem até mesmo alguns canais televisivos especializados em esportes eletrônicos, com direito a noticiários e comentaristas discutindo sobre determinada partida. Um bom exemplo disso é a famosa Ongamenet, uma emissora de TV a cabo que é comumente referida como a mais influente do gênero.

Um nicho lucrativo

Outro detalhe que atrai os jovens sul-coreanos para o cenário da jogatina profissional são as altas quantias de dinheiro envolvidas no cenário asiático dos eSports. Podemos citar como exemplo o esportista Lee Jae-Dong, especializado em StarCraft, que ganhou mais de US$ 500 mil em sua carreira (entre premiações e patrocínios).

O investimento da Coreia do Sul nos eSports é tão grande e cria tantos talentos que o país consegue “exportar” jogadores para times de outros países. Assim como o Brasil empresta seus futebolistas para times estrangeiros, não é difícil ver jogadores profissionais coreanos integrando equipes chinesas, norte-americanas e até mesmo brasileiras – como é o caso da Keyd Stars e da paiN Gaming.

Ainda assim, os eSports continuam sendo um nicho bastante específico, por mais que o número de fãs da modalidade aumente a cada ano. Não deve demorar muito até que a popularidade dos esportes eletrônicas seja tão grande quanto a de esportes tradicionais, como futebol, basquete e baseball – e naturalmente a Coreia do Sul terá um papel importantíssimo na disseminação desse conceito.

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