O que define um jogo como indie? Confira a opinião do criador de Rayman

O que define um jogo como indie? Confira a opinião do criador de Rayman

Último Vídeo

“Agora, muitos desenvolvedores indie profissionais trabalham por aí. Eles não são mais pobres – estão fazendo muito dinheiro, inclusive, com seus jogos independentes. Esses estúdios ainda são indie? Quem se importa?”. Esta notação baseia-se em uma provocadora fala proferida por pelo chefe da desenvolvedora Q-Games, Dylan Cuthbert, e abarca o tema discutido por alguns dos grandes nomes da idústria dos jogos durante a Gamescom 2014.

A discussão foi iniciada por Michel Ancel, diretor de Beyond Good & Evil e criador da franquia Rayman, durante a conferência da Sony. De acordo com o experiente empreendedor, o termo “indie” pode ser tido hoje como um anacronismo. “Você não deveria dizer ‘jogo indie’ [quando se refere a games produzidos por mais de 100 pessoas]. Agora, deveríamos dizer algo como “jogos realmente inovadores”.

E as considerações de Ancel não levam em conta apenas as dezenas de milhares de dólares gastas durante a produção de um título. Os chamados jogos indie da atualidade devem ser vistos como obra detentora de autenticidade. “Um jogo independente é aquele no qual os desenvolvedores expressam suas paixões e visão. Foi assim que defini um jogo indie”, arrematou.

Um AAA indie?

A visão de Ancel não se constitui como um olhar necessariamente novo sobre os debates acerca da produção de jogos indie. Também ouvido durante a Gamescom deste ano, Rex Crowle, designer do estúdio Media Molecule, disse concordar com o criador de Rayman. “Acredito que o que define um jogo como indie é mais o pensamento independente do que a estrutura financeira que o desenvolvimento de um título exige”, observou Crowle.

A crítica do também produtor toma como objeto uma constatação elementar: “você pode ter um jogo indie de tiro em primeira pessoa muito bom que, na verdade, é bastante genérico, de modo que é possível se ter produções colossais, jogos AAA, que abordam emoções. Esses dividendos [orçamentários] não existem mais”, pontuou o palestrante.

Linhas borradas

E esta divisão precisa entre títulos AAA e indie parece estar de fato em crise. O ponto de vista de Paul Rustchynsky, chefe do estúdio Evolution, foi elucidado: “existem jogos bons e existem jogos ruins; todos eles estão juntos, no mesmo saco. Não deveríamos estar falando em ‘triple-A’ ou em games ‘indie’. Todos são jogos, e todos terão elementos únicos”, pontuou Rustchynsky.

Em “sentido estrito”

Apesar de reconsiderada a definição de “produção indie”, considera-se indie todo o jogo que é publicado de forma, naturalmente, independente. Desenvolvedores de jogos para mobiles fazem publicações desta maneira de modo corriqueiro; até mesmo empreitadas mais ousadas são concretizadas a partir dos esforços de times que não contam com financiamento para publicação.

O que pode fazer com que uma obra ultrapasse a barreira das definições do termo “indie” é, assim, justamente a forma de publicação do conteúdo – e não necessariamente o método de produção empregado durante a criação do game. Bom exemplo deste fenômeno são bandas pequenas que, quando ouvidas por grandes produtoras, acabam se tornando gigantes (tal como Nirvana).

“Existem muitos times de desenvolvimento pequenos, mas há equipes grandes que querem lançar seus jogos de forma independente. Acho que todos esses modos de produção funcionam. É mais variedade. Há mais oportunidade para escolhas”, arrematou Michael Denny, vice-presidente da Sony Worldwide Studios Europe.

Você sabia que o Voxel está no Facebook, Instagram e Twitter? Siga-nos por lá.