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Destiny: jogamos o Beta, veja nossas impressões [vídeo]

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Já se passaram três anos desde o rumor de que a Bungie, estúdio que trouxe à vida a série Halo, estaria trabalhando em um jogo completamente novo. Destiny ainda não chegou às lojas em sua versão final, mas um gostinho tem sido dado a alguns jogadores através de um programa Beta que — já adiantamos — tem causado boas impressões ao longo dos últimos dias. Se você esteve em alguma caverna nos últimos meses ou anos e não tem ideia do que estamos falando, tudo bem, nós explicamos.

Destiny é um shooter ambientado em uma trama de ficção científica com uma pitada de misticismo — assim como a antiga trilogia “Star Wars” e a série de TV “Battlestar Galactica”. O game completo será lançado mundialmente no dia 9 de setembro, mas a Bungie está promovendo um teste Beta com uma versão prévia do game, a fim de ajustar glitches e bugs, polir elementos e dar aos jogadores uma noção do que está por vir.

O Beta esteve disponível para PlayStation 4 e PlayStation 3 do dia 17 ao dia 20 de julho. Uma pausa para manutenção dos servidores aconteceu durante os dias 21 e 22, com o retorno de um novo período que dura de 22 a 27 de julho — dessa vez para ambos os consoles da Sony mais o Xbox One e Xbox 360. Finalmente, no dia 24, o programa ficou aberto a todos. Nós, do BJ, participamos do teste, explorando o que o game tem oferecido até agora, e vamos contar a você o que achamos.

A história

Há muito tempo, em uma galáxia nada distante — na própria Via Láctea, na verdade — uma contruto esférico gigantesco chamada de “O Viajante” iniciou a chamada Era Dourada da humanidade quanto à tecnologia e exploração, dividindo seu conhecimento com os humanos e ajudando-os a se expandirem além da Terra, o que provocou a colonização de quase todo o Sistema Solar.

Essa era durou por séculos, até que a população sofreu com um cataclismo. Uma entidade maligna conhecida como “A Treva” — antiga inimiga do Viajante — começou a devastá-la, deixando poucos sobreviventes. Os remanescentes retornaram à Terra e passaram a viver em um lugar chamado “A Cidade”, o último bastião da civilização em todo o Sistema Solar, protegida pela aura do Viajante, que permaneceu desde então silencioso e inativo.

A Cidade tem sido atacada ao longo dos anos por misteriosas espécies alienígenas. Você, como jogador, assume o papel de um dos soldados denominados “Guardiões”, indivíduos que têm a habilidade de usar a energia do Viajante para defender o local através de superataques. É dessa forma que você é introduzido à história de Destiny, sendo ressuscitado no início da trama após muito tempo por um tipo de inteligência artificial conhecida como Fantasma e travando batalhas contra aqueles que ameaçam a humanidade.

Mecânicas de jogo

Enquanto shooter, o diferencial de Destiny em relação a outros jogos da categoria é que ele une uma série de aspectos bem-sucedidos de outras franquias e mitologias. Exemplificando de modo grosseiro, poderíamos dizer que é como misturar o que há de melhor em Borderlands, Mass Effect e Halo.

Isso porque Destiny não se apresenta como um FPS convencional, mas mescla mecânicas de RPG nas interfaces, pontuações, classes e progressão do guardião. Também porque é ambientado em uma mitologia com diversas culturas, planetas e um design complexo, original e fora do lugar comum para caracterizar cenários e figurinos de personagens.

E, finalmente, porque traz uma ação diferenciada ao alternar entre primeira e terceira pessoa durante o uso de poderes ou veículos, trabalhando habilidades como o uso de granadas, supers, ataques corpo a corpo e pulos bem altos, de forma que a inclusão dos mesmos modifique completamente a dinâmica de combate — de forma muito positiva — quando comparado a um FPS padrão.

O lado RPG

Durante as batalhas, o dano causado nos inimigos é exibido em números na tela. Do mesmo modo, os pontos de experiência (XP) são informados em uma barra do HUD. As armas não são encontradas no chão ou roubadas dos inimigos, mas devem ser compradas ou desbloqueadas, permanecendo sempre com o jogador — o arsenal é relativamente grande e varia entre as classes. O único tipo de item coletável é a munição — disponibilizada na versão Primária, Especial e Pesada.

Além de oferecer essa visão durante batalha, o jogo também traz a perspectiva em terceira pessoa de forma fixa na Torre, local onde sua faceta RPG mais se destaca. Lá, o personagem é visto de corpo inteiro, conversando com NPCs, adquirindo missões paralelas (“contratos”) e negociando itens e armas.

Na Torre, você encontra também vários outros jogadores passeando e buscando realizar as mesmas tarefas que você. Há ainda, com os direcionais digitais do controle, a possibilidade de interação com essas pessoas através de gestos, acenos e até dancinhas — o que lembra muito MMOs como WoWStar Wars: The Old Republic.

Classes e progressão

Em Destiny, você encontra três classes básicas de Guardiões: Titã, Caçador e Arcano — equivalentes aos clássicos Guerreiro, Ladino e Mago. Porém, pelo menos no início, a diferença entre eles não é tão gritante quanto estamos acostumados na maioria dos RPGs. Há, de fato, níveis de resistência, dano e domínio de armas e poderes que variam entre os três grupos, mas o contraste é sutil.

Enquanto o Arcano tem grande domínio de poderes de energia, por exemplo, o Caçador utiliza uma faca e pode manejar fuzis de precisão (sniper rifle). É claro que isso enriquece a dinâmica de um time, mas não espere grandes disparidades nas classes básicas.

Na versão Beta, só é possível elevar seu personagem até o nível 8. A partir do nível 15, que só veremos na versão completa do jogo, estarão disponíveis as especializações — subclasses desses três estereótipos que privilegiam habilidades específicas de cada uma.

O game também oferece na customização do personagem os sexos masculino e feminino, além de três opções de raça (humanos, exos e despertos) — mas, diferentemente das classes, essas não são opções que fazem diferença na jogabilidade.

Modos de jogo

Destiny oferecerá várias modalidades de jogo entre história, multiplayer cooperativo e multiplayer competitivo. No Beta tivemos apenas uma introdução disso em quatro missões do modo história, duas missões focadas em cooperação e um único modo jogador contra jogador (PvP).

No modo história, é possível jogar sozinho ou juntar-se a mais dois amigos para cumprir as missões. São quatro mapas: Restauração, A Escuridão Interior, A Mente Bélica e A Última Matriz. O jogador é introduzido direto à história, sem opção de passear pelas outras modalidades, o que acaba funcionando como um treinamento prévio para os modos multiplayer.

Há ainda o modo cooperativo Exploração, com a missão Explore o Cosmódromo, e o modo cooperativo Assalto, com a missão O Covil dos Demônios. Nessa última, não é possível jogar sozinho, sendo obrigatória uma organização de partida para que o jogador encontre pelo menos mais um amigo que o ajude na missão — são no máximo três usuários.

Ambos os modos cooperativos oferecem recompensas, como pontos de XP ou medalhas de reputação, ao completar a missão e, assim como o modo história, devem ser acessados no mapa indo até o planeta Terra.

O Crisol

Já o modo competitivo é jogado em uma área do mapa chamada de “O Crisol”. Essa área só é liberada quando o jogador realiza algumas missões e faz seu guardião chegar ao nível 5 — é preciso falar antes com o personagem Lord Shaxx na Torre, para ter acesso a ela. Das seis modalidades PvP exibidas no menu, apenas uma está disponível no Beta, a “Controle”.

Esse modelo de jogo já é conhecido de outros carnavais. Seu objetivo consiste em tomar mais bases ou Pontos de Controle do que o time inimigo. Vale dizer também que, no modo Controle, os níveis são desativados, ou seja, exceto pelas armas e habilidades pessoais, todos jogam de igual para igual. No final, o resultado oferece disputas surpreendentemente bem balanceadas.

O modo competitivo de Destiny talvez seja a coisa mais próxima do multiplayer de Halo já lançada, porém, ao mesmo tempo, soa diferente, como se possuísse um charme próprio. São novos recursos e um novo visual, mas com uma dinâmica agradável e familiar.

Aspectos estéticos

Destiny possui um visual estonteante e ainda nem o vimos em sua forma final. São cenários amplos e extremamente detalhados, tanto nos céus cheios de astros e nuvens quanto em sua flora, arquitetura de edificações e cidades arruinadas.

Quanto aos cenários, pode-se dizer que os mapas disponíveis são muito semelhantes aos de Halo: Reach — áreas muito abertas, vegetação baixa e semiárida, cavernas, um pouco neve e céus límpidos —, mas o design dos figurinos acaba remetendo muito a Mass Effect — vide quarians. As feições dos rostos são realistas e as texturas bem detalhadas nas mais diversas superfícies. A paleta de cores é viva e toda a estética tem um aspecto claro e limpo.

Ao falar de aspectos gráficos, não podemos esquecer também que a versão Beta está rodando apenas em 720p com 30 quadros por segundo, mas teremos uma noção melhor disso na versão completa, que terá 1080p com 60 quadros por segundo no PlayStation 4 e Xbox One.

Menus e interface

Em qualquer game de RPG, uma navegação descomplicada no menu é parte essencial para uma experiência de jogo satisfatória. Administração de itens, escolha de armas e gerenciamento de habilidades são só algumas das funções presentes em tempo integral nesse gênero ligeiramente mais complexo.

Em Destiny, a Bungie parece ter acertado quanto à descomplicação. Não leva muito tempo para entender os menus do jogo, sendo necessário no início apenas descobrir como gerenciar as vantagens que se ganha ao subir de nível e escolher suas armas e armaduras.

Só é estranho que a desenvolvedora tenha optado por usar um cursor semelhante a um mouse — não há sequer versão do jogo planejada para os PCs —, visto que isso torna a navegação entre as seções um pouco mais lenta. No single player o impacto não é tão grande, mas a falta de agilidade ao gerenciar itens no multiplayer pode ser muito prejudicial.

No geral, a interface do jogo é bem acabada e traz um design que lembra mapas do período barroco, mas em uma releitura high-tech. No HUD, durante o gameplay, a tela não fica poluída e somente o necessário é exibido: sua barra de escudo/energia, suas armas e quantidade de balas, a barra de super e o radar de inimigos e aliados.

Música e dublagem

A música de Destiny é parte essencial da experiência que o jogo propõe. Grande parte dela foi composta pelo talentoso Martin O’Donnell, que realizou diversos trabalhos junto à Bungie desde os anos 90 — incluindo cinco dos games da franquia protagonizada por Master Chief.

O’Donnell foi demitido do estúdio por razões misteriosas e recentemente o processou, mas seu legado em Destiny se expressou através de uma trilha marcante e original — nada aquém daquilo que já vinha produzindo em sua carreira. Ela é caracterizada por suaves vozes de corais, arranjos instigantes à la Danny Elfman, orquestras de cordas, guitarras melancólicas e teclados com timbres futuristas. Não é difícil desejar deixar o menu parado só para ouvir cada faixa.

Ainda na questão do áudio, é interessante perceber o cuidado que a Activision teve em entregar um jogo totalmente regionalizado, com dublagens em português do Brasil já no teste Beta. A versão brasileira de forma geral está decente, mas alguns problemas pontuais geram incômodo, como a voz masculina do próprio guardião, que não expressa emoção alguma, e a voz do narrador do multiplayer competitivo, que parece ter sido emprestada do Google Tradutor.

A dublagem do Fantasma, AI que guia o jogador durante a campanha e voz mais ouvida durante o jogo, também funciona bem. Na versão original, o personagem é dublado por Peter Dinklage, o Tyrion da série “Game of Thrones”. Durante o Alpha, o ator havia sido duramente criticado por sua pobre performance, mas refez suas falas, aperfeiçoando o trabalho anterior e ganhando uma edição diferenciada que deu à sua voz uma sonoridade mais metálica.

Nosso veredito... Até o momento

Se o programa Beta, amplamente divulgado pela Activision e Bungie, pretendia mostrar que o barulho que Destiny vem causando nos últimos meses faz jus ao seu conteúdo, ele tem sido convincente. Estamos falando de um jogo que ainda tem alguns meses para ser completado, mas que já oferece uma versão de acesso antecipado tão polida quanto vários jogos AAA em suas versões finais.

Destiny não parece ser um jogo totalmente original ou revolucionário, mas é um título que fez sua lição de casa direitinho, aproveitando as melhores mecânicas e virtudes que os shooters do mercado trouxeram nos últimos anos e adicionando um ar de frescor a elas.

O gameplay é fluido, dinâmico, viciante... Diferenciado. Porém, compará-lo com a outra grande IP da Bungie, Halo, é inevitável. Claro que Destiny não está livre de problemas — a inteligência artificial dos inimigos, por exemplo, é algo que ainda deixa a desejar, assim como algumas das vozes dubladas em português e o estranho cursor dos menus —,mas o conjunto da obra, até o momento, esteve acima das expectativas.

Há muito ainda para ver, o conteúdo disponibilizado neste teste Beta é somente a ponta do iceberg, mas já tem sido o bastante para deixar os jogadores positivos quanto aquilo que está por chegar. Desta vez, por favor, que nos acordem antes de setembro acabar, no dia 9, mais precisamente. Que venha a versão final.

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