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Dreamcast: um console fadado a sucumbir ao seu próprio brilho

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Fonte da imagem: Reprodução/Bensbargains

Tadashi Takezaki é, atualmente, um dos principais executivos da SEGA. Se você acompanha notícias acerca da tal companhia, certamente o nome citado lhe é familiar. Saiba, porém, que o veterano do mundo dos jogos foi um dos principais idealizadores do Dreamcast, console lançado em 1998 no Japão.

"Quando desenvolvemos o hardware [do Dreamcast], analisamos os erros cometidos no Saturn e reformulamos nossa abordagem completamente", comenta Takezaki em entrevista à revista Famitsu. Por que, então, ele não foi emplacado mundo afora? Confira este apanhado geral acerca dos entraves enfrentados pela SEGA e descubra o quão inspirador o console foi (e ainda é) à geração corrente de video games.

Uma abordagem de marketing completa

Se comparado aos seus predecessores (os consoles Genesis (16-bit) e Saturn (32-bit)), o Dreamcast pode ser considerado um divisor de águas na história da SEGA. "Fizemos o melhor para que ele fosse aceito por todo o público", diz Takezaki. O design e o hardware do nostálgico video game foram realmente revolucionários nos idos da segunda metade da década de 1990. "Como resultado, acamos adotando um design compacto, simples, com um esquema de cores quentes - algo completamente diferente dos sistemas mais antigos da SEGA", emposta o entrevistado.

Então por que ele falhou?

Ainda nas palavras do veterano, o principal motivo que levou o Dreamcast a falhar foi o alto custo de todo o processo de produção de games. "Em essência, [o fracasso] foi uma questão de puro custo". A partir do lançamento do PlayStation 2 (que chegou ao mercado japonês em março de 2000), o desenvolvimento de sistemas e de jogos acabou entrando em crise.

Fonte da imagem: Reprodução/Bit-tech

Isso porque a Sony criou o padrão de produção dos DVDs – possibilitando, assim, que um método próprio, mais barato e eficaz de desenvolvimento fosse adotado pela concorrente direta da SEGA (e, logicamente, do Dreamcast). “Estávamos perdendo muito dinheiro com as vendas. E não conseguimos reduzir os gastos com a produção. Foi uma daquelas situações em que quanto mais consoles você vende, maior é o seu prejuízo”, complementa Takezaki.

Os primórdios de uma comunidade global gamer

O Dreamcast foi certamente uma das plataformas mais ousadas já lançadas. Quem, no início dos anos 2000, poderia imaginar que praticamente uma década depois uma comunidade gamer online poderia ser criada? Pois saiba que a SEGA pretendia “levar algo novo aos jogadores; um ambiente em que eles poderiam se conectar através de todo o globo”.

E a disponibilização de jogos online era também uma das ideias da corajosa equipe responsável por dar vida ao saudoso Dreamcast. “Todo o modelo da SEGA era uma base barata de dispositivos capazes de trabalhar em ambiente online – possibilitando, assim, a prestação de serviços e a venda de produtos via internet; o Dreamcast era o nosso truque que faria o sonho virar realidade”, explica, em tom de contemplação, Takezaki.

O primeiro e último dos moicanos

Mesmo tendo se configurado como um console absolutamente inovador, ousado e precursor de um mundo onde a comunidade gamer toda se conectaria via internet, o Dreamcast, na opinião de Takezaki, acabou sendo o filho pródigo destinado naturalmente à "morte". “Naquela época, os PCs começaram a decolar – isso fez com que qualquer console ‘exclusivo’ não conseguisse sobreviver por muito tempo. As sementes que plantamos com o Dreamcast estão finalmente dando frutos neste momento”, reflete o atual chefe do departamento de implementação de projetos da SEGA.

Há alguns anos, a filosofia da SEGA, também conforme lembra Takezaki, era bastante simples: “se é divertido, então siga em frente”. O Dreamcast foi de fato a menina dos olhos da companhia por um tempo. Mas um contexto social e econômico tenso, marcado principalmente por mudanças radicais no mercado dos eletrônicos, fez com que o console (que brotou já à frente sua época) acabasse sendo consumido pelo seu próprio fulgor.

Fonte da imagem: Reprodução/Bensbargains

E se a metodologia de desenvolvimento de jogos não tivesse sido dominada pela Sony, empresa responsável por ditar os padrões da gravação de dados em DVDs? O que aconteceria se a comunidade online global de jogadores tivesse sido inaugurada já nos primeiros anos de 2000?

Respostas absolutas a essas provocações habitam o imaginário de um ou outro nostálgico (e talvez melancólico) pensador. Fato é que o Dreamcast parece ter desenhado os primeiros moldes da atual geração: pessoas que, por meio do compartilhamento de informações via rede online, constroem por si mesmas mundos fantásticos nesta agitada e sempre conectada sociedade.

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