E3 2014: como os anúncios antecipados tiraram a graça das conferências
159
Compartilhamentos

E3 2014: como os anúncios antecipados tiraram a graça das conferências

Último Vídeo

Havia um tempo em que todo fã de video games esperava ansioso pelo mês de junho. A chegada da E3 não era apenas o momento dos grandes anúncios, mas a época do ano em que toda a comunidade se surpreendia com as novidades reveladas. Ver um game ser anunciado não era apenas conferir novas informações sobre ele, mas se empolgar por não estar esperando nada daquilo.

Contudo, isso é coisa de um passado há muito tempo perdido. O que temos hoje é algo bem mais diferente e menos “romântico”. As edições bombásticas da E3 estão cada vez mais raras e, a cada novo ano, a impressão que temos é que o público já conhece todas as novidades da feira antes mesmo de seu primeiro dia. E isso parece estar matando cada vez mais a graça – e a utilidade – do evento.

De antemão

A E3 2014 é um ótimo exemplo de como essa antecipação está tornando o evento menos interessante. Isso porque, apesar de todas as principais conferências acontecerem nesta segunda-feira, 9 de junho, todos os grandes anúncios já haviam sido confirmados ou especulados com precisão semanas (ou meses, em alguns casos) antes.

Por um lado, isso é bem legal, principalmente para os jornalistas que vêm cobrir a feira e já sabem o que esperar e quais jogos priorizar na correria que é a vida entre os estandes. Por outro lado, quem quer ser impactado por algum anúncio bombástico pode se decepcionar.

Foi o caso de quem esperava ver uma bela briga entre Sony e Microsoft. As duas empresas chegaram ao evento com promessas de mostrar as armas de seus respectivos consoles na batalha da nova geração e, mesmo com muita coisa já apresentada anteriormente, todo mundo sonhava em ver aquele ás surgir da manga de uma das empresas. E não foi o que aconteceu.

Em ambos os casos, com pouquíssimas exceções, os jogos AAA eram conhecidos do público e as conferências serviram muito mais para complementar o que já sabíamos do que para apresentar algo inédito. Tanto Halo 5: Guardians quanto Uncharted 4: A Thief’s End, os grandes trunfos de cada plataforma, não surpreenderam e apareceram nas apresentações mais para manter o hype dos fãs do que para qualquer outra coisa. 

É claro que isso é uma questão bastante pessoal e você pode muito bem ter enlouquecido com esses títulos – assim como com qualquer outro que apareceu durante os shows. Ainda assim, não há como negar que o impacto causado pelo que foi mostrado é bem menor do que o que tivemos no ano passado, por exemplo, durante o anúncio de The Order: 1886.

Isso não quer dizer que não tivemos aqueles títulos que chegaram sem fazer barulho e surpreenderam todo mundo. LittleBigPlanet 3, por exemplo, é um deles. No entanto, por mais que sua apresentação tenha sido repentina, ela não foi grande o suficiente para fazer o pessoal perder a cabeça. No lado da Microsoft, Rise of Tomb Raider foi legal, mas ainda com informações escassas. De resto, apenas títulos que todos já conheciam ou esperavam ver, além de outras novidades de menor expressão.

Um problema também de terceiros

Embora a gente tenha sentido esse ar de que a E3 2014 está  mais fraca nas conferências da Sony e da Microsoft, as demais empresas que se apresentaram nesta segunda-feira aqui em Los Angeles não fizeram muito diferente.

O caso mais crítico dessa falta de novidades foi a Ubisoft, que trouxe apenas dois títulos realmente inéditos ao palco e, ainda assim, sem o impacto que todos esperavam — sobretudo depois de sua atuação nos dois últimos anos de evento. O estúdio francês se limitou a mostrar novos trailers de seus jogos, fazendo uma demonstração mediana e pouco empolgante do que está por vir.

De novo mesmo tivemos apenas Rainbow Six: Siege e Shape Up, que, apesar de chamarem a atenção de quem estava presente, não tiveram a mesma empolgação vista com a revelação de Watch Dogs e The Division. Just Dance 2015 também foi revelado, mas todo mundo já contava com isso.

Os dois maiores trunfos da produtora deveriam ser Assassin’s Creed: Unity e Far Cry 4 que, apesar de já terem sido anunciados, ainda não tinham quaisquer detalhes mais específicos de jogabilidade. Mostrar essas particularidades seria uma ótima forma de minimizar a falta de anúncios de peso que todos esperavam. Só que não foi isso o que ela fez.

Embora esses jogos estivessem presentes em sua conferência, o que o público realmente queria ver foi mostrado pela Microsoft e Sony. O modo cooperativo de Unity e os primeiros movimentos pelas terras do Himalaia apareceram em outros shows e a Ubisoft teve de se contentar com trailers menos interessantes.

A Electronic Arts foi um pouco mais ousada e trouxe novidades minimamente surpreendentes, como seu próprio MOBA. Contudo, ela continuou apostando em seus medalhões e não foi muito longe daquilo que ela mostrou na última E3 ou dos rumores que circulam na internet nas últimas semanas

Por que antecipar

Se essa antecipação por parte das empresas pode causar um aumento no desinteresse do público pelas novidades apresentadas na E3, por que eles ainda continuam a existir? Qual a lógica  de uma empresa queimar a largada e revelar seus jogos semanas antes da maior feira de games do mundo?

A resposta é simples: atenção. Você se lembra de todos os jogos apresentados em cada conferência? Difícil, não é mesmo? Isso porque, em um evento do porte da E3, tem tanta coisa acontecendo e tantas companhias disputando atenção que deixa de ser vantajoso mostrar algo que pode ser esquecido no instante seguinte.

Desse modo, a solução encontrada pelas produtoras é exatamente antecipar seus anúncios. Caso Forza Horizon 2 fosse anunciado na manhã de segunda-feira, ele teria de dividir espaço com o novo vídeo de Halo 5, o Beta de Battlefield: Hardline, a jogabilidade de The Division e o terror de The Order: 1886 – apenas para começar.

Contudo, como a Microsoft optou por fazer isso antes, o novo capítulo da série de corrida não só ficou mais tempo na cabeça dos fãs como ainda ganhou muito mais destaque em sites especializados e nas rodas de discussão. Não é à toa que as companhias estão apostando cada vez mais em eventos próprios em vez de entrar nessa queda de braço com concorrentes.

Trata-se de uma jogada bem inteligente. Só que, por outro lado, isso faz com que a participação do jogo no evento seja menos impactante, uma vez que você já sabemos o que é aquilo e sabemos o que esperar. No caso de Horizon 2, a Microsoft falou um pouco sobre seus recursos e já seguiu em frente - deixando o título quase despercebido dentro do balaio de novidades que ela criou.

Esse grande acúmulo de detalhes “mais ou menos” originados de informações requentadas é o que dá o tom de “evento pouco interessante” às últimas E3. A gente já sabe tanto sobre os jogos ou sobre os planos das empresas que, quando isso é realmente apresentado para nós, quase não se importa.

Com isso, o evento que um dia já foi o momento mais aguardado do ano pelos jogadores exatamente pelo fator surpresa passa a se tornar o local onde os rumores se confirmam.

Vai, Nintendo! 

Se essa tendência é algo preocupante para quem ainda espera que eventos como a E3 tenham o “romantismo” de outrora, em 2014, especificamente, as apresentações apáticas podem ser a oportunidade que a Nintendo precisa para se destacar. Afinal, ela tem de mostrar a força do Wii U perante o PS4 e o Xbox One, além de provar que é possível reverter os péssimos desempenhos financeiros que ela vem colecionando.

E a solução para isso está exatamente na apresentação de seus jogos. Ao contrário das demais produtoras que apareceram nesta segunda-feira, a “Big N” segue sem fazer barulho em relação a seus projetos. Ninguém sabe ao certo o que ela vai mostrar em sua apresentação e é exatamente por isso que está todo mundo empolgado para ver o que vem por aí.

Mantendo sua posição de empresa tradicional, ela não abriu mão de guardar seus segredos até o último segundo para surpreender durante o Play Nintendo, evento que será transmitido nesta terça-feira. Esse mistério torna tudo bem mais interessante, pois vamos acompanhar o programa às cegas e sem saber o que esperar — como nos velhos tempos. E, se ela fizer tudo certinho, pode se sagrar “vencedora” da E3 deste ano.

Você sabia que o Voxel está no Facebook, Instagram e Twitter? Siga-nos por lá.