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E3 2014 - Dragon Ball: Xenoverse empolga e consegue renovar a série

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Sempre que surge um novo jogo inspirado em Dragon Ball, eu me pergunto como isso é possível. A série já possui mais de 30 anos de, ainda assim, Goku e companhia continuam invadindo os consoles ano após ano. Como isso é possível? De onde a Bandai Namco consegue arranjar tanta novidade para manter viva uma história que já se encerrou há mais de três décadas?

E, para minha surpresa, o novo Dragon Ball: Xenoverse é uma resposta da própria desenvolvedora a esse questionamento, aproveitando a estreia da franquia na nova geração para quebrar alguns paradigmas e, finalmente, introduzir conteúdos inéditos não apenas em termos de mecânicas, mas também dentro da mitologia DBZ.

Um novo começo

Além do trailer liberado nesta semana, a Bandai aproveitou a E3 para nos mostrar um pouco da jogabilidade deste novo game. Ainda em estágio inicial de desenvolvimento, foi possível ver um pouco da forma como Goku e os demais guerreiros Z vão se virar na nova geração.

E, para o bem ou para o mal, o game ainda parece um jogo de Dragon Ball – só que muito maior. Desenvolvido pela mesma equipe responsável pela série Budokai, Xenoverse traz tudo aquilo que os fãs da franquia querem ver e aprimora. “Eu odeio esse clichê, mas nós conseguimos usar o poder dos novos consoles para levar o jogo a um outro nível”, explica o produtor Jason Enos.

Só que realmente não há como evitar esse tipo de afirmação, já que tudo parece bem maior e melhor do que os demais títulos ofereciam.

A começar pelo próprio visual. A demonstração deixou bem claro o quanto o game está bonito. Por mais que o jogo não abandone o visual próximo ao do anime, a quantidade de detalhes e a construção do mundo ao seu redor é muito bem feita e traz uma nova dimensão às batalhas. E, como o próprio Enos explica, é isso que torna as lutas da série tão divertidas.

“Um dos pontos que a nova geração permitiu melhorar em Xenoverse foi a iluminação e o uso de partículas. Isso permite que tenhamos efeitos muito mais bonitos durante os ataques, além de fazer com que todo o cenário responda melhor aos ataques dos personagens”, explica Enos. E, de fato, isso faz com que tudo fique mais bonito e interessante por aqui.

Na demo, foi possível ver três lutas bastante icônicas. A primeira nos mostrou um Goku Super Saiyajin enfrentando Freeza em meio ao planeta Namek à beira de um colapso, explorando muito bem as características de nova geração. Tudo é muito bonito e vivo, enchendo os olhos do jogador antes mesmo de soltar o primeiro Kamehameha. Já as demais colocaram o herói contra Cell e Boo, recriando alguns dos momentos mais marcantes do anime.

E um dos pontos que mais chama a atenção em Dragon Ball: Xenoverse é o fato de que a Bandai procurou realmente introduzir novos elementos e fazer mudanças significativas no que tínhamos até então. Prova disso, é um sistema de batalha mais simplificado para tornar os combates mais acessíveis.

“Fizemos questão de mexer nisso para deixar mais fácil a criação de combos, para que todo mundo possa experimentar toda a intensidade das lutas”, explica o produtor, que ainda promete que essa simplificação não vai tornar o jogo mais raso. Segundo ele, apesar dessa mudança, há espaço para a introdução de várias camadas de estratégia, tornando tudo mais variado. Contudo, como a demonstração foi apenas apresentada para nós, não foi possível conferir isso na prática.

Só que a maior adição de Xenoverse à série Dragon Ball não é apenas essa facilitação para os novos jogadores, mas a possibilidade de transformarmos os heróis em Super Saiyajins no meio da luta. “Até então, tínhamos versões diferentes do mesmo personagem. No novo game, a mudança ocorre no meio da luta”, explica Enos.

E, assim como anime e mangá, isso traz mudanças significativas ao combate. “Da mesma forma como acontece na história original, a transformação em Super Saiyajin vai mexer no equilíbrio das lutas”, explica o produtor Masayuki Hirano. “Ainda não temos definido exatamente como isso vai acontecer em termos de valores, mas o personagem ficará mais forte e mais rápido quando se transformar”.

É claro que, com essa novidade, surgem algumas preocupações. Afinal, se é possível mudar de forma no meio do confronto, como manter as coisas justas e balanceadas? Hirano explica que não será possível se transformar a qualquer momento, já que é preciso cumprir algumas exigências para habilitar a mudança.

Já sobre a possibilidade de termos o mesmo tratamento para os vilões, o produtor deixa a dúvida. Embora os personagens já apareçam em suas formas finais durante a demonstração, ele não soube dizer se teremos a opção de evoluí-los durante os combates.

Evolução nos detalhes

Com o poder da nova geração em mãos, é natural que Dragon Ball: Xenoverse traga algumas novidades menores, mas que fazem toda a diferença na experiência geral. Afinal, esta é a geração dos detalhes e nem mesmo os jogos de anime vão ignorar essas melhorias.

Exemplo disso é que a expressão facial dos personagens muda de acordo com o combate, deixando tudo mais natural, acabando com a sensação de que controlávamos dois bonecos de plástico em uma arena de papelão. Na luta entre Goku e Freeza, por exemplo, é possível ver a raiva no rosto do Saiyjin a cada golpe e o ar de desprezo do vilão. 

É o tipo de coisa que, na prática, não faz diferença nenhuma, mas ajuda na ambientação. E isso é o que os fãs mais querem: recriar de verdade os momentos mais marcantes do anime e mangá – embora a proposta de Xenoverse seja um pouco diferente, como veremos a seguir.

Nova história

Como eu falei antes, o que sempre me intrigou nos jogos de Dragon Ball era o fato de como os fãs ainda se empolgavam em ver as mesmas histórias sendo recontadas infinitas vezes. Como se interessar por algo que já vimos em trocentos outros jogos?

A solução encontrada pela Namco foi fazer um misto de conteúdo clássico com algo inédito, agradando tanto os conservadores quanto quem anseia por novidades.

“Em Xenoverse, nós não queremos contar a história da série de novo. O foco não são mais os personagens, mas o universo Dragon Ball”, explica Hirano. Tanto que, como foi mostrado no trailer, há um personagem inédito dando as caras por aí.

“Ainda não podemos falar sobre ele, mas podemos falar que ele é parte fundamental da nova história”, conta o produtor. “Ele tem características de vários outros personagens da série e isso vai fazer com o que jogador queira ir mais e mais em busca de respostas”.

Ainda não sabemos nada mais concreto sobre o enredo, mas há alguns indícios que podem nos ajudar a imaginar o que está por vir. Se a ideia é explorar mais o universo do que a história clássica, é possível supor que alguma coisa – como a chegada desse personagem misterioso – vai alterar a linha temporal clássica e fazer com que a trama original seja apresentada com algumas modificações.

“Sim, Freeza, Cell e Boo estão presentes no jogo, mas não no mesmo contexto que você conhece”, comenta Hirano. “Estamos explorando esse universo de formas diferentes e esses personagens serão usados para apresentar algo novo”. O produtor não chegou a dizer exatamente quantos lutadores estarão disponíveis, mas garantiu que os fãs não vão ter do que reclamar. Já sobre a possibilidade de termos algo relacionado ao Dragon Ball original ou à saga GT, ele já não é tão otimista. “Como a ideia não é recontar a velha história, não espere ver Goku ainda criança em Xenoverse”.

Por fim, ele comentou sobre a escolha do título. Afinal, o que é Xenoverse? “Trata-se de uma mistura entre a palavra universo e do prefixo grego ‘xeno’, que se refere ao estranho, ao desconhecido. Em outras palavras, vamos ver alguma espécie de novo mundo em Dragon Ball Z”.

Pelo visto, mesmo depois de 30 anos depois do fim da série, Goku ainda tem muita história para contar – e lutas para vencer.

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