Dos escombros para o museu: Instituto Smithsoniano recebe cartucho do E.T.

Dos escombros para o museu: Instituto Smithsoniano recebe cartucho do E.T.

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O museu do Instituto Smithsoniano, nos EUA, tem uma seção inteira dedicada à história dos video games. A maioria dos objetos expostos por lá representa um momento importante na indústria dos games, entre eles o protótipo do “Brown Box” – um dos primeiros consoles domésticos –, um arcade do Pong e diversos outros aparelhos e jogos.

Em geral, o acervo exibe uma coleção de inovações e conquistas do setor no século 20. Mas o que dizer sobre a sombria década de 80? Para representar uma época marcada pela queda no mercado de jogos nos Estados Unidos e um período complicado, tanto no quesito tecnológico quanto no cultural, os museólogos do instituto escolheram um cartucho do “E.T.: O Extraterrestre” para o Atari.

Para quem não se lembra, as fitas foram enterradas no deserto do Novo México, nos EUA, depois que o game encalhou nas prateleiras. Hoje em dia, os mesmos objetos são itens de colecionador e podem ser adquiridos por pouco mais de mil reais no eBay– um valor bem salgado considerando que o título é ruim.

Um tesouro perdido

Drew Robarge, especialista do museu, escreveu sobre a aquisição do cartucho no blog oficial do Instituto Smithsoniano. Segundo ele, o local não é um hall da fama, sendo seu trabalho compartilhar também os problemas tecnológicos, sociais e culturais que abrangem qualquer inovação, incluindo no mundo dos video games. Justamente por isso, Robarge ficou muito feliz em poder incluir uma cópia de E.T. ao acervo.

“Em 1982, a Atari se sentiu oprimida pela competição vinda da Mattel e da Coleco – as quais produziam os consoles Intellivision e Colecovision –, pois elas ofereciam ameaça ao império estabelecido pelo Atari 2600”, explica Drew. “Portanto, a empresa teve que apelar: criou um game licenciado baseado em um dos maiores sucessos já produzidos por Steven Spielberg”, complementa.

Entretanto, o preço do licenciamento foi tão caro que a Atari precisaria vender 4 milhões de cópias em apenas uma semana para cobrir os custos. O problema é que eles só tiveram quatro semanas e meia para lançar o jogo antes do deadline primordial, o Natal. A história comprova que o título não chegou nem perto da meta e foi devolvido em diversas lojas devido às suas regras bobas e ao design tedioso.

Sem escapatória, a empresa enterrou as unidades no deserto do Novo México. Este ano, a trama virou um documentário produzido pela empresa Fuel Entertainment e está rendendo alguns milhares no eBay. Robarge diz que nunca acreditou que pudesse pôr as mãos em uma fita do E.T.

“Imaginando que os cartuchos estariam eternamente enterrados no deserto, decidi colocá-lo em minha lista de coleções, mas eu sabia que as chances de conseguir uma eram praticamente nulas”, explica o especialista.

Saindo das profundezas do deserto

Robarge diz que ficou muito surpreso quando a Fuel Entertainment decidiu escavar o local em busca das fitas. Além disso, ele temia que a companhia apenas retirasse os itens e os colocasse de volta, portanto decidiu entrar em contato para solicitar uma cópia. Como a expedição foi bem sucedida, o museu finalmente conseguiu sua tão almejada unidade.

“A fita é um artefato que define a queda de uma era. Além disso, ela pode contar muitas histórias: o difícil processo de criar adaptações de bons filmes para os jogos, o declínio da Atari, o fim de uma época das fabricantes de video game e o ciclo de vida do cartucho em si. O objeto também coloca fim às lendas urbanas sobre o assunto e aos anos dourados da empresa responsável por ele. É como dizem: o lixo de um homem é o tesouro de outro”, conclui.

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