Estamos jogando: The Witcher 3 - parte 1

Estamos jogando: The Witcher 3 - parte 1

Último Vídeo

Sim, a análise de The Witcher 3: Wild Hunt está a cargo do Felipe Gugelmin, mas ele não é o único jogando o game aqui na redação, muito pelo contrário. Enquanto a versão definitiva da crítica do BJ não sai, que tal ver mais dois pontos de vista de outros dois fãs sobre o jogo?

Guilherme Dias está em um relacionamento sério com The Witcher 3

Eu sou Guilherme Dias, ex-redator e atual apresentador no TecMundo Games. Conheço o universo de The Witcher há três anos, mas foi apenas em 2014 que passei a estudar os livros e as informações na internet. Escrevi também, em parceria com o Felipe Gugelmin, o Super Conteúdo do game no BJ e era provavelmente o mais entusiasmado com o lançamento de The Witcher 3 aqui na redação.

Até a publicação destas impressões, já joguei The Witcher 3 por cerca de sete horas. Primeiramente, é preciso dizer que joguei no PC e no PS4 e que apesar de algumas quedas de quadros durante as cutscenes, o visual se mostrou incrivelmente soberbo. Destaque para as feições faciais, que demonstram emoções sutis com os olhos.

Como grande fã que gastou dezenas de horas de The Witcher 2: Assassins, percebi de cara várias mudanças nas mecânicas. A perspectiva, quase sempre presa às costas de Geralt, agora é mais ampla. O personagem fica mais “solto” ao caminhar. Botões usados para usar sinais (magias) ou travar mira, mudaram de lugar e algumas funções como a do medalhão somem, dando espaço para novas habilidades, como a da “visão witcher”.

Vale a pena mencionar que uma série de mecânicas famosas de outros jogos foram adicionadas. O modelo de investigação com a Visão Witcher, por exemplo, lembra muito o Modo Detetive da série Batman Arkham e o ato de “sumonar o cavalo assoviando”, assim como a pilhagem de animais mortos no mapa, remete muito ao gameplay de Red Dead Re

Um mundo grande e cheio de referências para fãs

Existe liberdade, muita liberdade. Antes mesmo de dar o terceiro passo na primeira quest principal, o jogo oferece a possibilidade de vários jogadores tenham experiências completamente diferentes. Várias side-quests diferentes, e cheias de desdobramentos, ficam disponíveis assim que você chega a um vilarejo da antiga Temeria — agora dominada pelo Império de Nilfgaard.

Wild Hunt também começa sua campanha com muitas referências que serão melhor compreendidas pelos fãs, como por exemplo a menção a um feiticeiro protetor dos animais, inclusive carniçais — Dorregaray, presente no segundo e quarto livros da série.

Da mesma forma, um sonho de Geralt serve para mostrar seu relacionamento com a pequena Ciri, os outros witchers e com Yennefer. Percebe-se muito respeito às obras literárias. A personalidade e representação física de Yennefer — presente nos games pela primeira vez — são retratadas com extrema fidelidade.

O velho problema da versão brasileira

Ainda há leves problemas no framerate e alguns bugs menores, mas a única coisa que realmente me incomodou em Wild Hunt foi sua versão nacional. Sim, é evidente que está acima da média — principalmente com desastres como o de Battlefield Hardline e Mortal Kombat —, mas ainda assim é muito o que melhorar.

A dublagem em si está bem razoável, mas a adaptação dos termos e a pronúncia dos mesmos pelos atores é desastrosa. Geralt virou “Jeralt” e Yennefer virou “Jennifer”. O cavalo que em inglês é chamado de “Roach” e que nos livros em português é “Plotska” — por razões que ninguém sabe — virou “Carpeado”, e por aí vai. Enquanto os recém-chegados nem vão notar — e serão até ensinados erroneamente —, os fãs vão sofrer se optarem pela versão brasileira.

Cala a boca e pega meu tempo livre!

Porém, de forma geral, o game está suprindo as enormes expectativas que eu tinha sobre ele. Side-quests interessantes, cenários de cair o queixo, diálogos inteligentes, combate progressivo, respeito ao material original, easter-eggs para os fãs de longa data e uma imensa vontade de não parar de jogar.

Como todo bom RPG de grande porte, meia dúzia de horas não foram suficientes nem para arranhar a superfície do conteúdo. Mas assim que eu gastar mais tempo com o jogo, trago mais comentários antes da publicação da análise.

Bruno Micali pensa que finalmente achou um jogo que corresponde ao hype

Fala, galera! Sou o Bruno Micali e trabalho na NZN há dois anos. Escrevo para o TecMundo Games e o TecMundo. Amo games, amo tecnologia e amo, acima de tudo, encarar tudo isso com leveza, com diversão, como formas de lazer e de entretenimento. É por isso que até evito usar termos como “indústria” ou “negócios”, apesar de serem elementos inerentes a esse mercado – e absolutamente necessários.

Quando jogos do calibre de The Witcher 3: Wild Hunt são anunciados, fico num estado de êxtase absoluto, transbordando empolgação, pareço um “desenho animado humano” na redação. Especialmente quando conheço a franquia e admiro todo o universo nela presente.

Não cheguei a terminar o original, mas zerei o 2 no porte para Xbox 360, li o primeiro livro e, agora, estou completamente fascinado em desbravar The Witcher 3 e tudo o que esse mundinho fascinante tem a oferecer. Sim, isso significa buscar os outros livros, os gibis, os vídeos relacionados e todos os conteúdos de consumo possíveis.

O nosso superespecial já é mais que suficiente para fomentar a curiosidade de qualquer um. Trata-se de um material completo elaborado pelo Guilherme Dias e pelo Felipe Gugelmin, bem como demais envolvidos, com bagagem para sustentar uma leitura completa. Enquanto isso, estou simplesmente pirando em The Witcher 3. Pirando, pirando.

À CD Projekt RED, só elogios

É impressionante o grau de preocupação que a CD Projekt Red teve ao tornar o game um produto acessível a todos os públicos. A sequência é palatável a qualquer perfil de jogador, do casual ao hardcore, e isso está escancarado desde o começo. Tudo é muito bem explicadinho, apontado na tela, e a curva de aprendizado está incrivelmente equilibrada. E se você não quiser mamão com leite, é só desativar tudo isso no menu e botar na última dificuldade. Ou seja, gregos e troianos ficam felizes.

Mas não se enganem: a CD Projekt Red é, majoritariamente, constituída por veteranos, por desenvolvedores que, em sua essência, são hardcore. “Cabe a cada um usar o instinto próprio ou o do bruxo”, opinou Pawel Panasiuk, Event Manager da empresa, ao TecMundo Games, em evento realizado à imprensa no começo de abril. Portanto, The Witcher 3 jamais pode ser subestimado. É no combate, que pode ser confundido com um hack’n’slash de God of War ou um sistema cadenciado de Dark Souls 2, que mora o desafio. The Witcher 3 não é nem um, nem outro. Ele é desafiador à sua maneira.

Boas primeiras impressões

Estou adorando a forma como a história é contada. A dublagem em português está um primor que só. Sérgio Moreno parece ter nascido com o timbre perfeito para Geralt de Rívia: voz rouca e grave, indiferente a determinadas situações. Pois assim são os bruxos: agem com indiferença perante algumas circunstâncias que possam exigir mais sentimentos, atuam com frieza, seguem um código. Essa expectativa de saber se Geralt vai responder de forma mais sentimental ou não a uma pergunta emotiva é um dos elementos mais intrínsecos da densa narrativa.

O sistema de diálogos segue a cartilha de um autêntico RPG americano e sempre dá opções válidas – por vezes sarcásticas – ao bruxo. É simplesmente incrível constatar a reação dos outros, é aquela emoçãozinha que temos ao ver novelas ou séries. Tudo se encaixa, e em momento algum me senti perdido. Pelo contrário: está sendo um deleite. Ainda mais como jogador que não domina tanto a série como o Felipe Gugelmin, a cargo da análise final, e o Guilherme Dias, nosso apresentador que debulhou em conteúdos sobre o jogo e também mergulhou de cabeça nesse universo.

O combate é simplesmente perfeito, brutal, cadenciado e estratégico. Não adianta sair dando porrada a esmo. É preciso ter calma, usar a esquiva, a defesa, o contra-ataque, os sinais (que, na prática, se traduzem em magias), os óleos para as armas... Tudo, de alguma forma, ajuda a criar uma atmosfera de batalha mais épica e equilibrada.

Ok, agora sobre o “mundo aberto”...

Eu, que sou puritano, encasquetei com um pequeno detalhe: o mundo aberto não é exatamente tão “aberto” assim. Tal qual nos anteriores, The Witcher 3 é separado por áreas, sendo necessário utilizar a viagem rápida para viajar entre uma e outra. Não, não é possível cavalgar entre um reinado e outro. Você explora cada área, e elas são GIGANTESCAS, mas fechadas.

Ao avançar muito, Geralt diz que “há dragões ali e é melhor voltar”. Isso não é uma crítica, apenas uma observação. A diferença é que você pode explorar cada região a hora que quiser. Em The Witcher 2, por exemplo, não era possível retroceder, mas as áreas também eram grandes, abertas e exploráveis – claro que numa escala muito menor que a de The Witcher 3.

No geral, minha experiência está sendo muito gratificante. Sem falar no jogo de cartas Gwent, que tem regras próprias e corre o risco de se tornar viciante, as side quests criativas, que jamais são repetitivas, e o visual, que define a nova geração. Sei lá, devo ter esquecido de citar algum outro ponto positivo, e não me lembro de nenhuma ressalva que precise ser discorrida aqui. Minha dica é a seguinte: joguem. Reservem aí umas 200 horas da vida, no mínimo!

E vocês, o que tem achado até agora?

Por hoje é só, pessoal. Não deixem de deixar os comentários de vocês também aqui embaixo. A gente quer saber como está sendo a experiência de vocês com o jogo ou o que você esperam, caso ainda não tenham jogado. Semana que vem, antes da análise, voltamos com uma segunda remessa de impressões sobre o game.  

Você sabia que o Voxel está no Facebook, Instagram e Twitter? Siga-nos por lá.