O futuro dos games pode misturar mais realidade do que imaginamos. Será?

O futuro dos games pode misturar mais realidade do que imaginamos. Será?

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Muito se fala e se especula sobre os jogos como principal modelo de mercado para o futuro. Não é segredo para ninguém que a indústria de entretenimento eletrônico movimenta mais dinheiro que Hollywood ou qualquer outro segmento da cultura pop. 

Mas algumas visões bastante ousadas dão um panorama interessante de como pode ser o futuro – games com sua própria categoria no Oscar? Upgrades que podem ser usados na “vida real”? Alguém substancial no mercado se pronunciou de forma peculiar ao traçar um perfil da indústria dentro de exatos 10 anos, isto é, em 2024.

A autora e designer de jogos Jane McGonigal, que trabalhou em games mobile como SuperBetter, Cryptozoo e tem ampla experiência em pesquisas de games, por exemplo, esboçou um prognóstico de 10 anos e “previu” o futuro de maneira inimaginável no design de jogos.

A artista teria encantado a plateia numa palestra em Nova York para o festival Games for Change, que ocorre periodicamente (com edição no Brasil, inclusive) e aborda temas ligados aos games na vida das pessoas.

Para quem não conhece, Jane McGonigal é conhecida por defender o uso da tecnologia digital para canalizar atitudes positivas em colaboração com o mundo real. Ela exemplificou o uso das viciantes balas de goma da Jelly Belly (é, aquelas coloridas que faziam você pirar quando pequeno): de acordo com a artista, as balas são capazes de criar diferentes sabores, como banana, maçã, limão, mantendo o mesmo aspecto.

Com os games, a “sensação”, naturalmente, seria outra, mas ela disse que, ao olharmos para “sinais da realidade”, percebemos como certos elementos podem se combinar no futuro para que algo novo seja criado.

E que elementos/sinais são esses?

Em um ousado prognóstico sobre o mercado daqui a exatos 10 anos, McGonigal observou uma variedade de sinais e imaginou cinco jogos do futuro inspirados pelas ideias que parecem estar fazendo algum barulho. Nesse imaginado ano de 2024, os games são o principal eixo da indústria e deixam outros segmentos subordinados, tendo agora premiações próprias – à la Oscar mesmo – e influenciando diretamente na realidade de cada um de nós. A artista imaginou cinco jogos:

Reprodução/WikipediaJane McGonigal. Fonte: Reprodução/Wikipedia

Everwin

A ideia desse jogo se inspira em três sinais do mundo real. O primeiro deles seria a criação de contas de poupança linkadas à loteria. Basicamente, alguém que fizesse um depósito nessas contas automaticamente estaria concorrendo a uma premiação de loteria (algo bastante conveniente para o Brasil, diga-se). O segundo sinal é a pesquisa em preparativos de dopamina (uma das substâncias químicas utilizadas na transmissão de impulsos nervosos): a pesquisa serviria para estudar como essa substância poderia ser utilizada para estratégias de motivação. O último sinal é o aumento dos jogos de apostas no mundo online (redes sociais também, portanto).

Combinados esses três elementos, o resultado seria Everwin, um “game” que permitiria aos economistas fazerem um balanço de áreas com menos lucro e uso mais frequente de loterias, diminuindo também as apostas ilegais de jogos de azar e promovendo um ambiente social mais “puro”.

Magical Mystery Dinner

Os sinais para esse jogo imaginado chamado Magical Mystery Dinner incluem o uso de impressoras 3D. É claro que elas não poderiam ficar de fora dessa tendência “realista”, correto? Existem modelos que imprimem até comida.

A ideia de McGonigal aqui é misturar o Oculus Rift na parada. O acessório poderia ser utilizado para mudar a forma através da qual as pessoas degustam os alimentos – até mesmo um simulador de vacas poderia ser utilizado para reduzir o consumo de carne. “É como se você estivesse jogando e comendo algo que é bom por causa do Oculus Rift”, explicou a artista.

Walk My Mile

Por falar em Oculus Rift, eis ele aí novamente, que agora é “irmão” do Facebook. McGonigal enxerga um cenário em que a realidade virtual pode ser utilizada para jogos que abordem autobiografias. Imagine “jogar a própria vida” e compartilhar isso? É mais ou menos por aí.

“Imagine um mundo em que o Facebook conecta duas pessoas no mundo, permitindo que elas se entrevistem para conseguir uma história de vida e transformem isso num jogo. Aí basta colocar o Oculus Rift e seguir os passos que aquela pessoa percorreu”, ambicionou a artista.

Daí o nome “Walk My Mile” (algo como “Caminhe Meus Passos”, em tradução livre).

Mega NFL

Um game que abordasse esportes não poderia faltar na imaginação de McGonigal. Ela crê que muitas pessoas poderiam abandonar rastreadores (como o Fitbit ou o da Nike) para se inspirar em outras criações, como o bem-sucedido Zombie Run!, Healthball e mais, na busca por uma interação maior.

“No futuro dos esportes profissionais, você poderia medir seus exercícios com outros fãs para comprar um upgrade opcional em um jogo real”, disse a artista, que exemplificou um bastão de beisebol aprimorado como recompensa ou um ponto extra para um dos times em uma partida de futebol americano.

A ideia não é lá muito inédita, pois há zilhões de games por aí que utilizam o PS Move, Kinect e os controles do Wii, mas vale pela ousadia.

Socrates 2.0

Por fim, McGonigal imaginou o game Socrates 2.0, um título educacional inspirado no atual modelo dos sistemas educativos, que envolvem altos custos e muita tecnologia.

A ideia seria a seguinte: o aluno acordaria com a ajuda de um alarme no corpo e brincaria com um jogo de perguntas e respostas com um computador. Então, ele ganharia “level” em vez de “nota”. Espertinho o esquema, não? O estudante, depois, sairia ao mundo real para virtualmente aplicar seus conhecimentos.

O Socrates 2.0 incluiria também um sistema de encontro entre professores, especialistas e estudantes que utilizassem esse mesmo alarme “corporal”.

E o vencedor é: Tetris!

McGonigal conclui sua visão ao imaginar a premiação de 2024, colocando o público para a votação dos melhores. Nesse mesmo ano, aliás, o prêmio Nobel da Paz seria finalmente entregue a um desenvolvedor de jogos: Alexey Pajitnov, o dono de Tetris.

E você, acredita que as coisas podem tomar essa proporção?

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