A ganância arruína a distribuição do pokémon lendário Diancie pelo Brasil

A ganância arruína a distribuição do pokémon lendário Diancie pelo Brasil

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Se você joga a franquia Pokémon desde a primeira geração e é um dos poucos que se recusa a usar trapaças para completar a Pokédex com os monstrinhos de bolso lendários mais raros – como é o caso de Mew –, provavelmente você já sofreu bastante com o fato de a Nintendo, por muitos anos, ter simplesmente ignorado o Brasil como um mercado digno de investimento (o que ainda parece acontecer, na verdade).

Apenas recentemente a empresa começou a liberar algumas distribuições em terras tupiniquins. Na época do Nintendo DS, no entanto, elas aconteciam da seguinte maneira: você ia até uma loja autorizada e conectava o portátil para receber o pokémon em questão diretamente no aparelho, sem intermediários. Contudo, com o advento da eShop e a mudança da franquia para o 3DS, agora esses eventos acontecem com a distribuição de panfletos com códigos únicos impressos.

Uma mudança para pior

É realmente preciso dizer que isso foi uma péssima ideia? Enquanto em outros países, e em “algumas” lojas do Brasil, os vendedores se preocupam em limitar a entrega de um código por pessoa (no máximo dois, caso tenha ido buscar para um amigo), o que anda acontecendo por aqui é algo bem diferente do ideal: os códigos (limitados) são deixados expostos para quem quiser pegá-los, não havendo ninguém para impedir jogadores gananciosos – sem o mínimo senso de empatia e coletividade pela comunidade Pokémon – de pegar dezenas de panfletos.

Até a semana passada, por exemplo, estava acontecendo um evento de distribuição de um Gengar shiny (o qual não é muito diferente da versão normal, mas fica inteiramente branco quando megaevolui, dando uma aparência bacana ao pokémon). A partir desta semana, até o próximo dia 16, o pokémon lendário Diancie está sendo distribuído – o qual possui megaevolução e foi destaque no filme mais recente da série, possuindo nível de raridade similar ao de Mew.

Em ambos os casos, por experiência própria, o redator que lhes escreve foi com um grupo de amigos para fazer o procedimento de rotina: todos levam seus portáteis, coletam o pokémon distribuído e logo começam várias batalhas para comemorar a ocasião. Pois bem, esse evento social foi destruído pela ganância alheia: faltando 10 dias para acabar a distribuição, simplesmente não havia mais códigos!

Ganância e extorsão

Enquanto o atendente afirmou que eles poderiam ser repostos no final de semana, não apenas a viagem até o shopping distante foi praticamente perdida, como ainda deverá ser repetida. E ainda, há grandes chances de haver a reposição, mas de já terem acabado quando formos lá novamente. Mas, qual a razão disso? Cada “cartucho” só pode coletar um pokémon da mesma distribuição! Seria inútil pegar mais de um código, não é mesmo? Bem, não exatamente.

Considerada a raridade desses pokémons e o fato de não estarem disponíveis em outro período (quando acabar a distribuição, os códigos se tornam inúteis), os jogadores gananciosos que pegam bolos de panfletos usam a seguinte tática: em troca de entregar o lendário (ou shiny), eles pedem um pokémon treinado para uso competitivo, algo que exige muito trabalho, de maneira geral. Não apenas isso, existe até mesmo quem esteja vendendo os códigos no Mercado Livre! Ou seja, não apenas isso é extorsão, como um sequestro de lendários.

No fim das contas, isso não apenas serve para manchar mais a reputação dos brasileiros no exterior, como também, potencialmente, tem chances de impedir que novas distribuições aconteçam em grande escala por aqui – considerando um cenário mais alarmista. O resumo da ópera: depois de anos esperando que eventos assim acontecessem, os próprios jogadores arruínam a experiência da comunidade inteira (sim, isso está acontecendo pelo Brasil inteiro).

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