Na GGRJ 2018, os games indie ganharam destaque

Na GGRJ 2018, os games indie ganharam destaque

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Entre os dias 19 e 21 de julho, aconteceu o Geek & Game Rio Festival, evento que reuniu fãs da cultura pop no Rio de Janeiro para conferir atrações que vão de YouTubers famosos a painéis de cosplayers. No que diz respeito aos jogos eletrônicos, a coisa foi mais tímida: quem não estava ali para assistir aos torneios de eSports tinha à disposição uma série de estações de jogos, mas nada exatamente novo.  

Em unidades do Xbox One original e do Wii U, entre outras plataformas, os visitantes tinham a opção de jogar games bons, mas que já estão disponíveis há certo tempo. Para quem não tem um console recente em casa, sem dúvida deve ser legal poder jogar um pouco de Tekken 7, Dragon Ball FighterZ ou FIFA 18 com os amigos e familiares, mas quem procurava por coisas que ainda não chegaram às lojas poderia sair desanimado do evento.  

GGRJ

Quem cumpriu esse papel de novidade foram os jogos independentes, que ocupavam uma área totalmente dedicada aos criadores do Rio de Janeiro. Quem visitou o canto repleto de máquinas para jogo não saiu decepcionado, seja pela variedade de gêneros ou pela qualidade dos projetos que estavam disponíveis.  

O elemento em comum são as histórias de desenvolvimento marcadas por algum tipo de dificuldade. As questões apresentadas variavam desde a necessidade de mudar a engine de desenvolvimento para abranger mais plataformas (e o alcance dos projetos), até a dificuldade de encontrar uma publicadora – muitas vezes com os objetivos de quebrar as políticas ainda restritivas que a Nintendo impõe a brasileiros que desejam trabalhar com o Switch.  

Variedades temáticas  

Enquanto sai da BGS 2017 com a impressão de que a maioria dos participantes queria recriar Dark Souls ou Castlevania, na GGRJ a seleção de gêneros era bastante variada. Entre os games que estavam disponíveis (e que pude testar) estava Future Flashback, adventure 2D com gráficos pixelizados que lembrou muito os visuais de Beneath a Steel Sky.  

Future FlashbackFuture Flashback

Situado em um futuro distópico, o game nos apresenta uma trama bastante relacionável: um homem não consegue lidar com o fim de seu relacionamento (e com o afastamento de seu filho), usando uma droga futurista para conseguir reviver o passado durante alguns minutos e ser transportado a um futuro mais feliz. No entanto, uma espécie de “glitch” no sistema dá a entender que algo errado está acontecendo, e que essa trama pessoal pode fazer parte de algo maior – tudo isso em um universo recheado de referências a filmes como Blade Runner.  

Outro game com presença sólida é Tiny Little Bastards, que conta a história de um taverneiro viking que teve seu estoque de cerveja roubado por globlins. Com um visual 2D muito bem desenhado e controles com resposta certeira, o título é tecnicamente um “metroidvania”, focando na exploração de ambientes e na descoberta de novos caminhos. No entanto, que me chamou mais atenção foi o combate, que lembrou os bons títulos de plataforma da era 16 bits, exigindo respostas rápidas e a capacidade de identificar rapidamente ameaças variadas.  

Trajes FataisTrajes Fatais

Também vale citar o já conhecido Trajes Fatais, que no evento exibia sua build mais recente, disponível há pouco tempo para os apoiadores do projeto. O game de luta não somente está bonito, mas também gostoso de jogar: aqui não há a a complexidade de execução de golpes vistas em games como Street Fighter ou King of Fighters, mas isso não significa que não há estratégias.  

Mais importante do que conseguir executar um golpe é saber quando ele deve ser usado e como encaixá-lo em meio a uma combinação destruidora. Conversando com o produtor do jogo, também tive alguns relances das mudanças de interface e da tela de seleção de personagens, e posso dizer que vem coisa boa por aí.  

Inspirações em Dark Souls e Castlevania  

Enquanto os games inspirados pela série Souls e o estilo Metroidvania não dominaram a área indie, eles sem dúvida estavam presentes lá. O maior exemplo disso foi Deathbound, game bastante inspirado pela série da From Software, seja em seu sistema de combate focado em confrontos um a um, seja em seu estilo visual.  

No entanto, ele não é uma mera cópia, trazendo à fórmula uma ideia um tanto diferente. Em vez de usar um único personagem com builds diferentes, durante a aventura o jogador vai encontrando a essência de outros guerreiros mortos em batalha, podendo assumir suas identidades – algo que garante novas habilidades e uma maior capacidade de sobrevivência.  

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Deathbound estimula a troca constante de personagens ao limitar bastante a stamina de cada um deles (que está diretamente ligada à sua vida): assim, para prolongar um combo acaba sendo necessário mudar quem está realizando o ataque. Ainda em fase bastante inicial de desenvolvimento, o game já sabia usar bem essa ideia, mesmo que a inteligência artificial de seus inimigos não exigisse tanto dos jogadores. 

 A demonstração termina no melhor estilo Dark Souls: após uma animação, surge um chefe gigantesco acompanhado de uma música épica. O ritmo do combate era lento, mas ele se mostrou bastante desafiador – e capaz de barrar táticas antigas da série da From, como circular inimigos por trás para vencer suas defesas. Em geral, não dá para dizer que o game é perfeito ou está pronto para ser lançado, mas deu para ver nele as sementes de um projeto que pode se provar surpreendente.

No campo dos Metroidvanias, chama a atenção Valiant Saga, game com visual 2D pixelizado e um nível de dificuldade generoso. Com um estilo bastante old-school, esse é o tipo de jogo que exige que você passe diversas vezes pela mesma fase aprendendo o ritmo dos ataques inimigos e as armadilhas que surgem pelo caminho. O mais impressionante é o fato de que ele está sendo criado na Unreal Engine 4, motor gráfico normalmente associado a títulos tridimensionais. 

Por fim, temos Light of the Darkness, game com visual 2D impressionante e um sistema de combate complexo e recheado de opções táticas. Embora a build disponível sofresse com alguns problemas de framerate (fruto do uso de um notebook que não estava em seus melhores dias, me revelou o desenvolvedor), o game já se mostrava uma experiência bastante robusta – algo surpreendente, vista a informação de que ele está passando por uma mudança de engines. 

 

A aposta em games independentes foi certeira para a organização da GGRJ, que conseguiu compensar com isso a falta de grandes novidades da indústria Triplo A. Não somente isso permitiu ao público conferir boas ideias de autores nacionais, como deu a eles um espaço que nem é tão fácil assim de conseguir. E você, esteve presente no Geek & Game Rio Festival? Jogou algum dos games presentes por lá? Compartilhe suas impressões sobre eles na seção de comentários. 

Viajamos ao Geek & Game Rio Festival 2018 a convite da organização do evento 

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