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Há ligação entre a violência dos jovens e os video games?

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Entre ano e sai ano e o assunto não sai da moda: será que os video games influenciam alguém a se tornar mais violento? Profissionais de todas as áreas opinam, psicólogos apresentam suas teorias e jogadores, muitos até mesmo ofendidos com este tipo de afirmação, contestam a ideia de que jogar GTA pode fazer alguém sair atropelando a galera por aí.

O fato é que os resultados de estudos feitos até os dias de hoje nunca conseguiram provar de forma pontual a influência direta dos video games nos jovens e como é que eles podem acabar deflagrando um comportamento violento.

Christopher J. Ferguson, professor adjunto de psicologia e justiça penal na Universidade Internacional A&M do Texas, por exemplo, cita que "As pesquisas sobre esse assunto não foram muito bem feitas até hoje". Ele se mostra um crítico desse tipo de trabalho que, segundo ele, traz resultados inconstantes, não trazendo relação direta dos jogos eletrônicos e a violência: "Olho para as pesquisas e não consigo dizer o que significam".

Estudos de agressividade

Se alguns não acreditam haver qualquer apontamento positivo nesse sentido, outros cientistas da área acreditam que há, sim, relação entre video games e comportamentos agressivos. O psicólogo da Universidade Estadual de Iowa, Christopher Barlett, conduziu um estudo que avaliou 47 jovens.

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No trabalho, os alunos da universidade foram colocados para jogar "Mortal Kombat: Deadly Alliance" por 15 minutos. Depois, para avaliar os seus impulsos físicos e psicológicos, os membros da equipe de Barlett disseram para que eles influenciassem outros amigos a comerem porções de pimenta.

O trabalho mostrou que quem jogou "Mortal Kombat" forçou os outros colegas a tomarem porções maiores de pimenta do que outros alunos que anteriormente haviam jogado games considerados como “não violentos”.

Outro estudo, realizado pela Universidade de Brock, em Ontário, no Canadá, apontou que os estudantes de ensino médio que se divertiam com os chamados jogos violentos durante períodos maiores de tempo apresentam a tendência de se envolverem cada vez mais em “eventos problemáticos”, como brigas no pátio da escola, por exemplo.

Influência da mídia como um todo

Se uma corrente de psicólogos vê relação direta dos video games com a violência, outros, mais ponderados, acreditam que a influência negativa até existe, mas ela não é proveniente somente dos jogos, mas sim, da mídia como um todo. Dessa forma, filmes e seriados da TV, por exemplo, também seriam capazes de tornar as pessoas mais violentas.

O psicólogo Craig A. Anderson, da Universidade de Iowa, nos EUA, comenta que a literatura e todas as pesquisas já realizadas nesse sentido mostram que as chamadas mídias violentas são um dos fatores envolvidos na violência dos jovens. Segundo ele, há vários pontos que podem influenciar alguém negativamente, como sentir-se socialmente isolado ou intimidado. Assim, a mídia seria somente mais um a ser estudado.

Massacre em Sandy Hook

O recente massacre na escola Sandy Hook, nos Estados Unidos, reacendeu essa discussão sobre a violência versus os video games de forma contundente. Em suas investigações, os detetives da cidade tentam descobrir, por exemplo, se o atirador Adan Lanza estava “simulando” uma situação vivida nos jogos eletrônicos.

De acordo com a polícia, Lanza passava várias horas por dia jogando games de tiro, isolando-se da sociedade e passando grande parte do tempo no sótão da casa, local onde ficava o seu quarto.

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Ainda segundo a polícia, antes de dar início ao massacre, o jovem teria destruído o HD do seu computador, supostamente apagando as evidências do planejamento das suas ações – e também de quais jogos ele estaria jogando no PC.

Válvula de escape?

Apesar dos estudos e afirmações de diversos especialistas, se você perguntar para um gamer se ele acredita que os jogos eletrônicos o deixam mais violento, ele muito provavelmente irá achar a questão um verdadeiro absurdo.

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A maioria dos jogadores diz que os títulos mais “agressivos”, vamos dizer assim, funcionam como uma espécie de “válvula de escape”. Ou seja: você vai no Call of Duty, detona com alguns bandidos, e assim ficaria bem mais relaxado. Os psicólogos, contudo, refutam essa ideia veemente.

O fato é que algumas estatísticas do governo norte-americano mostram que o número de jovens infratores caiu mais de 50% entre os anos de 1994 e 2010 – mesmo período em que as vendas de video games explodiram e mais do que duplicaram.

Além disso, Michael R. Ward, economista da Universidade do Texas, publicou um estudo no qual ele e a sua equipe mostram que as taxas mais elevadas de vendas dos jogos violentos estão relacionadas a uma notável diminuição de ocorrência de crimes ocorridos no mesmo período. Uma das razões seria o fato de que em vez de estarem “aprontando” nas ruas, os jovens estariam em casa jogando video games.

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Entretanto, ele lembra que as ondas de violência são eventos sazonais e que pode não haver uma ligação direta entre uma ocorrência e outra. Ou seja, não é possível afirmar com certeza que isso faz realmente sentido.  O fato é que essa discussão promete durar ainda muitos anos. E você, o que acha?

Fonte: Polygon e UOL

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