Tentamos sobreviver aos perigos da ilha de The Forest. Veja

Tentamos sobreviver aos perigos da ilha de The Forest. Veja

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Em meio a uma onda de jogos de sobrevivência, The Forest foi um game que se destacou com facilidade. Isso graças à sua proposta de levar a experiência ao nível mais “hardcore” possível, combinando o desafio de simplesmente se manter vivo em um ambiente hostil com a necessidade de resistir aos ataques de uma bizarra raça humanoide.

Praticamente um ano se passou sem qualquer outra notícia desde o anúncio do game, até que o título finalmente chegou em Early Access ao Steam. Então, depois de tanta espera, está na hora de descobrir o que The Forest nos guarda.

Será que o título veio para cumprir tudo o que ele prometeu originalmente ou talvez tenha sido cedo demais para trazê-lo ao público? Confira o que achamos logo abaixo, em uma descrição do tempo que passamos “sobrevivendo” na floresta.

Após a queda: conhecendo o básico

The Forest tem um início que vai parecer bastante familiar para os fãs de Lost: o protagonista sofre um acidente de avião, caindo em uma ilha habitada por uma estranha tribo de humanoides. Mesmo antes de chegarmos aos mapas maiores já é possível perceber que o game está impressionante no quesito gráfico, com uma quantidade absurda de detalhes em suas texturas e um trabalho de iluminação fantástico.

Passado esse pequeno incômodo de quase morte, somos apresentados ao básico da jogabilidade. Aqui, quem já jogou um FPS na vida ou mesmo títulos como DayZ ou Minecraft não deve ter muita dificuldade em entender como se mover, coletar itens e fazer ações básicas – The Forest está constantemente explicando que botões usar para executar as ações, além de sugerir o que deve ser feito na aventura.

Depois de pegar cada guloseima e utensílio presente no avião, somos apresentados ao guia de sobrevivência. É através dele que aprendemos o básico do que fazer no game, como criar bases para abrigos, fogueiras e armadilhas, além de dicas do que comer e outras sugestões. Apesar de ser uma leitura um tanto extensa, acredite: você vai querer ler tudo o que há ali.

Primeiro dia: juntar recursos

Como em qualquer jogo de survival, o primeiro dia em The Forest se resume, basicamente, a juntar os materiais mais essenciais para sobreviver, além de criar um abrigo simples. Aqui o foco mais verossímil do game já fica bem evidente, visto que só é possível carregar uma pequena quantidade de cada material.

Montar o abrigo básico, por exemplo, tende a levar vários minutos. Isso porque o jogador, além de ter que coletar muitos gravetos e pedras, tem ainda que cortar árvores (uma tarefa que pede um bom polimento para se tornar mais precisa) e levar cada uma das oito toras necessárias para o local do abrigo uma a uma. A tarefa é lenta e provavelmente vai frustrar quem gosta de dinamismo, mas ganha pontos pelo realismo das mecânicas.

Vale notar outra coisa que é útil e irritante ao mesmo tempo por aqui. Em The Forest, todos os itens tendem a reluzir para chamar sua atenção, o que quer dizer que você dificilmente não vai perceber que há um objeto próximo. O problema é que, ao mesmo tempo, esse brilho atrapalha na hora de identificá-lo, caso não haja tempo para observá-lo com calma.

Segundo dia: buscar comida (ou virar comida)

Vendo que meu personagem já estava começando a se sentir faminto, chegou a hora de caçar alimentos. Ter sucesso nessa missão é uma questão de sorte: o cenário é gerado aleatoriamente, então você pode aparecer próximo de frutas e muitos animais ou ter o azar de precisar atravessar a ilha em busca de algo comestível.

Infelizmente, tive azar. Então me restou apenas vagar por aí em busca de recursos. A viagem acabou se mostrando bastante recompensadora, já que, no caminho, encontrei um acampamento repleto de itens e dinheiro (nada melhor para acender uma fogueira). Mas foi pouco depois de achar uma moita com frutas não venenosas que tive um encontro com... Eles.

Lembra-se daquela tribo humanoide da qual falei antes? Pois é, eles vagam pelo mapa em grupos, caçando qualquer azarado que cruzar o caminho deles. Tentar se esconder pode até ser útil, mas é provável que você acabe sendo visto depois de passar despercebido por eles uma ou duas vezes.

E é aqui que toda a experiência desanda por completo.

Como não sobreviver

Enfrentar as criaturas, em um primeiro momento, parece uma experiência e tanto: eles são tão fortes quanto o jogador, mas atacam em grupo, cercando-o, e conseguem se deslocar pulando de árvore em árvore para poder atacar o seu personagem desprevenido. Tudo aqui diz para que você fuja deles.

No lugar disso, preferi atacar para testar o sistema de batalha. Infelizmente, descobri que a precisão dos seus golpes é tão boa quanto na hora de cortar uma árvore com seu machado: em primeiro lugar, seu personagem é ridiculamente lento ao tentar executar uma sequência de ataques.

Para piorar, seu avatar tem dois tipos de ataques, sendo que um, apesar de mais poderoso, deixa-o completamente vulnerável por um longo período de tempo. E é exatamente esse o golpe que seu personagem vai acabar executando, caso você não esteja a uma distância perfeita para acertar seus inimigos.

Vamos lembrar, com isso, que essas criaturas são extremamente rápidas e atacam em grupo. Agora, combine isso com os controles pouco precisos e você já deve imaginar o resultado: não demorou para que nosso protagonista caísse.

Segunda noite: hora do jantar

Por sorte, parece que nosso personagem sempre tem uma segunda chance. Caso seja derrotado, você reaparece em uma caverna repleta de inimigos, e pode continuar com sua aventura se fugir dali.

O problema é que essa área contém muitos, mas muitos adversários, sendo que alguns deles são inimigos ainda mais fortes do que o normal. Além disso, seu avatar ainda está fraco, praticamente à beira da morte. Tentando esgueirar pela caverna, consegui me esquivar de alguns ataques mesmo no completo breu, graças aos efeitos sonoros incrivelmente precisos dos inimigos. Mas, novamente, o fim acabou sendo inevitável.

Primeiro dia (novamente): que comece tudo outra vez

Ok, a primeira tentativa pode ter sido uma falha, mas certamente agora, com uma melhor noção do que deve ser feito na aventura, eu teria chances maiores, não é? Infelizmente, não.

Dessa vez, a situação foi ainda mais frustrante. Logo de início, após me deslocar apenas algumas dezenas de metros do ponto onde a aventura começou, fui alvo de um ataque inimigo – que, aliás, incluía algumas criaturas mais perigosas do que os “humanos” comuns –, me vendo obrigado a fugir.

Engana-se quem pensa que isso vai ajudá-lo, contudo. Mesmo após correr até a energia do personagem se esgotar, não demorou para que eles simplesmente o alcançassem, iniciando mais uma batalha completamente desequilibrada. E assim uma segunda expedição terminou com nosso protagonista derrotado, em questão de apenas cinco minutos.

O survival mais difícil que você já viu

Não há como negar que The Forest tem seu charme. Os gráficos e efeitos sonoros simplesmente estupendos ajudem muito aqui, mas também a proposta em si é executada com altíssima qualidade: em uma floresta tão densa, cada sombra ou arbusto se torna um inimigo, e coletar os recursos é uma tarefa quase tão árdua quanto seria na vida real (tirando o esforço físico, é claro).

Mesmo assim, o game ainda parece sofrer demais com um desiquilíbrio na dificuldade, visto que você é constantemente colocado em batalhas que parecem simplesmente injustas. Isso tudo ainda pode ser corrigido facilmente, bastando que o jogo receba um polimento maior na jogabilidade para tornar seu personagem um pouco mais eficiente em seus golpes, assim como diminuir o encontro com inimigos logo no primeiro dia da aventura.

Se continuar assim, entretanto, The Forest pode continuar se mostrando um bom jogo, mas que apenas os gamers mais persistentes conseguirão jogar, tamanha a dificuldade de sobreviver mesmo uma ou duas horas naquela ilha. Então, se você não é um desses, pense duas vezes antes de dar uma chance ao título.

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