Jogamos Broforce, o indie game dos heróis clássicos de filmes de ação

Jogamos Broforce, o indie game dos heróis clássicos de filmes de ação

Último Vídeo

Os fãs mais radicais de filmes de ação com protagonistas indestrutíveis, incorruptíveis e armados até os dentes lamentam que a safra atual de heróis não tenha a mesma qualidade daquela cujo auge foi na década de 80. Foi aí que Sylvester Stallone retomou esse espírito carregado de testosterona com “Os Mercenários”, uma luz no fim do túnel para veteranos e um gás na geração que não acompanhou certos atores, hoje próximos da terceira idade. Só que nem tudo é perfeito: os games ainda estavam carentes de algo assim — o filme até ganhou uma versão em jogo, só que você sabe como são as adaptações...

A esperança veio do mercado independente, um paradoxo com as produções hollywoodianas que consagraram esses astros no cinema. Trata-se de Broforce, um jogo indie de tiro e plataforma com elementos retrô que começou como um Easter-egg da empresa Free Lives Games e virou um dos títulos mais “de macho” no Steam.

“Nossa, mas o BJ vai falar de algo que mal chegou ao Beta?”. Pois é: o texto foi escrito com o jogo em Early Access, quando você compra o título antes que ele fique pronto. A previsão da versão completa é para 2015, mas isso pouco importa: o game já está cheio de conteúdo, recebe atualizações constantes para não acumular poeira e é muito, muito divertido. 

Recarregue a sua Magnum .44, vire o boné para trás e prepare as frases de efeito: Broforce é tudo o que você espera em termos de ação brucutu.

Formadores de caráter

Deixe de lado Mortal Kombat, Street Fighter ou Mario Kart: Broforce tem um dos melhores conjuntos de personagens selecionáveis já visto na história dos games. Duvida? Você começa controlando RamBRO, uma paródia do militar interpretado por Stallone. Versões em 16 bits – e com nomes modificados para caber um “bro” no meio – de John McClane (Bruce Willis em “Duro de Matar”), John Matrix (Arnold Schwarzenegger em “Comando Para Matar”) e Chuck Norris (que dispensa qualquer citação) estão lá, ao lado de heróis recentes e alguns obscuros.

Eu poderia listar todos aqui, mas não vou estragar a surpresa: soltar exclamações de felicidade ao liberar um novo combatente é uma das melhores sensações proporcionadas pelo game. Por isso, veja o trailer acima por sua própria conta e risco.

É só tiro, porrada e bomba

Broforce não deve ser reduzido à fusão de ícones dos filmes de ação: também são vários os games reconhecidos no visual e no estilo do título. Combater exércitos lembra Metal Slug, toneladas de tiros e a dificuldade trazem memórias de Contra e os cenários parecem inspirados em Blackthorne.

Até por ser um “revival”, os controles de Broforce são simples e, claro, o foco está nos ataques. São três botões para armas: um é o equipamento principal, o outro é uma arma branca e o terceiro é o golpe especial, que só pode ser usado algumas vezes. Aqui, algumas limitações são detectadas, como a impossibilidade de mirar na diagonal, para cima ou para baixo.

Por outro lado, assim como nos filmes, cada herói tem personalidade e estilo próprios. Alguns usam metralhadoras, outros preferem espadas e há quem aposte nas próprias mãos. Isso interfere na estratégia: você começa a fase com um personagem aleatório e liberta prisioneiros espalhados pelo cenário. Cada vez que isso acontece, ele vira um “bro” e continua na nova pele até ser abatido ou fazer outro resgate.

Adrenalina visual

Não exija muito dos gráficos, já que eles são propositalmente reduzidos a um estilo 16 bits. Ainda assim, os cenários são criativos e totalmente destrutíveis, sem contar que isso abre espaço para piadas visuais sutis (note a reação de um soldado quando uma granada cai perto dele), sangue pixelizado aos litros e mais explosões que um filme do Michael Bay.

Há ainda uma ausência de falas, mas elas são compensadas pelos efeitos sonoros sem fim dos armamentos e uma trilha sonora que cabe em qualquer um dos longa-metragens clássicos.

Nome Genérico de Filme 2: A Vingança

Filmes de ação antigos e história profunda não combinam. Aqui, não é diferente: na campanha, a Broforce é uma organização militar que combate o mal a partir de missões de infiltração – o que, na linguagem desses heróis, significa atirar para todos os lados, detonar barris explosivos e não deixar sobreviventes. O potencial da reunião é imenso, mas isso não é explorado. Há desenvolvimento zero de personagem, nada de trama única ou vilão memorável (exceto máquinas cheias de armas), fazendo com que cada modo de jogo aja individualmente, quase como mini games.

Mas isso não é um grande problema: cansou de invadir bases e selvas e metralhar soldados? Não se preocupe: assim como nas franquias de ação, o jogo apresenta “sequências” em forma de modos de jogo que são mais do mesmo, mas também adicionam novos elementos e fazem com que você passe mais tempo em Broforce.

Reunindo os “bros”

Seja de forma local ou online, jogar com até quatro jogadores é um sonho que vira realidade: parcerias improváveis sendo feitas entre personagens nada parecidos e o dobro de explosões (e corpos) na tela. Há ainda um modo de edição de fases que parece complicado à primeira vista, mas que pode ser dominado por qualquer um e resultar em mapas incríveis.

E ser um jogo indie no estilo 16 bits tem suas vantagens: apesar da alta quantidade de elementos, ele não exige um computador poderoso para rodar, além de ser compatível com teclado e vários joysticks.

Sangue, suor e lágrimas (de nostalgia)

Mesmo durante o Beta Early Access, parece que Broforce transporta você para um comercial do Old Spice com Terry Crews, ao set de “Os Mercenários” jogando conversa fora com Stallone e Jason Statham ou a grandes momentos de “Esquadrão Classe A”.

Há ainda quem reclame do preço por um título ainda em desenvolvimento, mas todos os atrativos compensam cada centavo. Não há melhores palavras para descrevê-lo do que alucinante, divertido e nostálgico – e posso jurar que senti, vindo da janela ou das minhas memórias de infância, um cheirinho de pipoca enquanto vibrava com o controle na mão.

Você sabia que o Voxel está no Facebook, Instagram e Twitter? Siga-nos por lá.