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Jogamos! Ni No Kuni 2 pode ser a experiência mais encantadora de 2018

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Na semana passada, recebi um dos convites mais legais desse começo de ano: ter a chance de jogar os primeiros quatro capítulos de Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom. Demorou para poder publicar, mas finalmente posso contar as primeiras impressões dessa experiência encantadora que me alegrou muito para ter uma cópia em mãos o quanto antes.

O segundo game da (agora) franquia foi anunciado há um tempo e sofreu dois atrasos nos últimos anos. Mas fiquem tranquilos: o polimento valeu a pena e o que pude jogar me mostrou uma magia há tempos não sentia ao jogar em um game, algo realmente fora da curva. Vale ressaltar que a versão que experimentei é a final, portanto, é a que chegará aos consumidores no dia 23 de março (se não houver atualizações no primeiro dia). Portanto, leve as opniões abaixo não só como um preview, mas quase como uma análise em progresso já.

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Uma narrativa com tom de Studio Ghibli

Primeiro ponto sobre esse subtítulo: o estúdio Ghibli, produtor de filmes como “Viagem de Chihiro”, “Castelo Animado” e “Ponyo” cuidou da direção de arte do primeiro jogo e isso foi impactado no estilo da narrativa (o que era maravilhoso), mas a companhia já não tem mais ligação com o segundo título.

Entretanto, o clima foi mantido e é justamente o que os fãs esperavam. A narrativa é muito gostosa de consumir: algo que é ao mesmo tempo sério e inocente de uma maneira levemente infantil. Na história, seguimos Evan, um rei juvenil que deve assumir o trono quando seu pai morre, mas é deposto por um golpe pouco tempo depois de ter a responsabilidade do trono nas mãos.

Ni No Kuni 2

É quase como uma história séria mascarada em um conto infantil: os golpistas e opressores são representados na forma de ratos, enquanto a oposição é retratada com gatos. A trama tem um tom sério, mas a aventura é recheada de missões divertidas e cativantes. Já que não pode ter o seu reino de volta, Evan tem a ajuda de Roland (um presidente do mundo real) e muitos outros personagens para começar um novo governo.

Ao mesmo tempo que a trama é série, ela também disfarçada com uma magia encantadora à la Studio Ghibli

A trama se passa centenas de anos depois dos acontecimentos do primeiro game e, pelo menos nesses primeiros capítulos, parece não ter nenhum relacionamento direto com seu antecessor. Portanto, se você não jogou o primeiro, pode ficar sem medo, porque não vai estar perdendo nenhum evento crucial para entender o que se passa.

Há tempos não vemos um gameplay tão cativante e fluido

Sou suspeito para falar: amo um action RPG e não resisto há fantasias lindas com uma boa jogabilidade de ponta (Kingdom Hearts 2 é o meu jogo predileto da vida). Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom é exatamente isso. É capricho puro em cada trecho de gameplay. E fala sério: você lembra quando foi a última vez que viu um JRPG de ação muito bem-feito no mercado? Não é algo comum, convenhamos.

Mas o erro dos outros não é elogio. De qualquer forma, Ni No Kuni 2 não é o jogo que precisa se justificar dessa forma, porque traz um combate majestoso que é um prato cheio para quem gosta do estilo. O legal é que muita coisa mudou em relação ao primeiro título: em vez de ter um estilo mais “Pokémon” com barra de espera para ataques, o game parte para a ação total.

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Ni No Kuni 2

Veja bem: a sequência da franquia não é hack ‘n slash, mas é sim um jogo com mecânicas robustas. Acho que é seguro dizer que o novo título da Level-5 se aproxima bastante com Kingdom Hearts: há golpes comuns, golpes fortes (coisa que a franquia da Square e Disney não tem), ataques à distância que consome uma barra de MP e um leque de habilidades que pode ser acionado pelo botão R2.

As habilidades especiais podem ser customizadas conforme o jogador progride na história e há muitas opções. Além de tudo isso, o jogador também pode optar com quem ele jogará durante as batalhas: basta trocar os personagens com os direcionais do controle, tudo muito rápido. O bacana é que cada um deles tem um estilo de luta bem distinto, o que oferece uma variedade bem grande à jogatina.

Há muitas outras nuances, como os ataques e fraquezas elementais, as armas carregadas que dão mais dano mágico e por aí vai. Porém, o elemento que merece destaque aqui são os higgledies, uma espécie de substituto para os familiars do primeiro. Diferentemente da aventura original, os “bichinhos” não aparecem nas lutas, apenas os higgledies, que são novas entidades que podem fornecer suporte durante o combate. No fim, temos uma experiência muito variada, recompensadora e gostosa de aproveitar.

Direção de arte continua soberba

Apesar de o Studio Ghibli não estar mais na direção de arte da franquia, a desenvolvedora não trocou a estética do game, até mesmo para não destoar ou confundir o público. Portanto, o visual ainda mantém muitas similaridades ao estilo artístico das obras do Ghibli, tudo por conta de alguns artistas que foram contratados e eram ex-funcionários do estúdio.

Pode-se dizer que o primeiro Ni No Kuni era um pouco mais micro, com ambientes menores, corredores mais apertados e atenção aos detalhes. Ni No Kuni 2 é mais macro, ambicioso e espalhafatoso. Entretanto, a magia e simplicidade ainda reinam soberanas, criando aquele tom fantasioso que marcou tanto a experiência do primeiro jogo.

Ni No Kuni 2

Não joguei muito tempo, mas talvez exista uma chance de existir pequenas quedas de frames em algumas partes, principalmente no modo Skirmish (que falarei mais abaixo). Mesmo que esse seja o caso, não há nenhum grande problema. O maior ponto negativo do ponto de vista da experiência audiovisual é a falta de diálogos dublados, já que a dinâmica continua igual ao primeiro Ni No Kuni: somente as cenas mais importantes têm vozes.

Novidades muito interessantes (e legais)

Apesar de Ni No Kuni 2 ter inovado no combate e trazer uma nova história, as inovações não param por aí. Se você tem acompanhado os trailers e gameplays, deve saber que há duas grandes adições à campanha: o modo Skirmish, que são batalhas táticas de exércitos, e o modo Kingdom Builder, na qual você evolui o seu próprio reino (como um SimCity beeem mais simplificado).

Ni No Kuni 2

Confesso: fiquei um pouco com pé atrás sobre esses dois novos modos, pois me pareceu “encheção de linguiça” nos materiais de divulgação. Porém, tudo mudou quando coloquei as mãos no game. O modo Skirmish traz algumas ideias bem interessantes e um combate completamente diferente. Considerando o contexto do protagonista, que é um rei, faz bastante sentido.

Já o Kingdom Builder é um pouco mais simples e não requer muita dedicação (ou pelo menos em um primeiro momento, já que joguei apenas 3 horas), mas é divertido do mesmo jeito. Pode parecer que se trata apenas de criar lojas e outros estabelecimentos na sua cidade, mas há muita mais: você pode atribuir personagens para atividades específicas para coletar recursos ou arrecadação de impostos, pode desenvolver novas tecnologias e muito outras coisas.

Essas duas novidades foram motivos pelos quais o game foi adiado duas vezes no passado, mas parece que o esforço vai compensar no fim: Ni No Kuni 2 é muito divertido. Se a diversão e a variedade forem mantidas durante o resto da campanha, algo que o primeiro jogo conseguiu com maestria, temos uma obra de arte chegando em breve.

Ni No Kuni 2: Revenant Kingdom está previsto para chegar ao PC e PlayStation 4 no dia 23 de março deste ano.

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