Kojima no Brasil: os detalhes da vinda de uma lenda dos games ao país

Kojima no Brasil: os detalhes da vinda de uma lenda dos games ao país

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A décima edição da Brasil Game Show acontecerá em outubro e terá a presença de um nome muito importante na indústria de jogos: Hideo Kojima. Conhecido como o criador da franquia Metal Gear Solid, o produtor virá pela primeira vez à América Latina. Mas como organização conseguiu trazê-lo para cá? Para explicar um pouco mais dessa negociação, conversamos com Marcelo Tavares, CEO da BGS.

Kojima é conhecido por ser um ícone do mercado, mas também é recluso e mais inacessível que outros grandes nomes, como Phil Spencer, Cliff B., entre outros. De acordo com Marcelo Tavares, não é a primeira vez que o evento tenta chamar o criador de Metal Gear ao Brasil.

Em 2015, a BGS já tentava contato com o produtor através da Konami, na época a empresa em que Kojima trabalhava. Seja por falta de disponibilidade ou pelo fato de o pedido não ter chegado até ele, não foi possível convidá-lo para o Brasil (vale lembrar que pouco depois aconteceu o atrito entre a empresa e o diretor, que culminou com sua saída da companhia). Portanto, de acordo com as palavras do próprio Marcelo Tavares, ter essa lenda dos games no Brasil é um marco.

Confira abaixo a entrevista:

Abaixo, você confere na íntegra a nossa entrevista com o Marcelo Tavares, que comentou com a gente sobre parte do processo para trazer Kojima para cá e a empolgação do produtor em participar do evento e conhecer o Brasil.

TecMundo Games: Como foi trazer o Kojima para cá?

Marcelo Tavares: Ele era o nome número 1 de pedidos do público. Depois de muito tempo de buscar, de falar, de procurar, a gente conseguiu convencê-lo. E a resposta foi bacana e nos surpreendeu. Ele está muito entusiasmado com a vinda. Foi algo bem difícil de conseguir, pois até na E3 é muito raro de vê-lo caminhando pelo evento.

Eu não chegava nem próximo de conversar com a Kojima Productions (...) [empresa criada após sua saída da Konami], portanto foi um grande trabalho que tivemos em mostrar o tamanho da paixão das pessoas aqui. A receptividade dele foi muito boa depois que conseguimos chegar nos contatos diretos e falar com as pessoas certas.

TecMundo Games: Depois de ter o contato com as pessoas certas demorou muito essa negociação?

Marcelo: O primeiro contato que fizemos para ele vir para cá foi com a própria Konami em 2015, mas não andou pra frente. Precisávamos respeitar a hierarquia das nossas empresas parceiras e, mesmo fazendo o convite e uma apresentação para a Konami, não sabemos se ela não conseguiu levar até ele ou se ele estava ocupado com outros projetos.

Agora, com a Kojima Productions, o acesso era mais fácil. Começamos o contato há alguns meses, e ele teve o desdobramento final na época da E3, com Shinji Hirano, o presidente da Kojima Productions. Foram mais de 70 emails trocados e bastante conversa, mas ele topou e ficou muito entusiasmado. Ele não virá aqui apenas para receber a premiação e ir embora, ele ficará três dias na feira e vai participar da área de concurso cosplay, da área de painéis que vamos estrear neste ano, da área de meet and greet e muito mais.

A primeira tentativa de trazer Kojima para o Brasil aconteceu em 2015, mas, infelizmente, não deu certo

TecMundo Games: E o que isso tudo significou para a BGS?

Marcelo: Em relação ao nome, é um marco. Não há dúvidas, é o público que mostra: 26% colocavam Hideo Kojima como principal nome que gostariam de ver. O segundo estava 20 pontos percentuais atrás. Era uma diferença bem grande. 

Esses pedidos vinham de conhecidos da gente, da imprensa ou do público em geral. Para nós é um marco, é o principal nome que trouxemos até hoje. É um cara que é um deus da indústria de games, já recebeu todos os prêmios possíveis lá fora e agora tem um projeto muito aguardado [o game Death Stranding, anunciado em junho de 2016]. Ele vir na décima edição é o momento certo para a gente mostrar que há um evento gigantesco, um mercado gigantesco e, principalmente, que a gente tem um público apaixonado por ele e pelos games.

TecMundo Games: Qual era o segundo nome que o público mais pedia?

Marcelo: O segundo nome era o [Shigeru] Miyamoto, mas que acaba ficando com uma distância um pouquinho maior hoje por falta da presença da Nintendo no Brasil. É uma pena, mas tomara que a gente consiga isso no futuro, pois ele é mais um nome da nossa lista de pessoas que queremos trazer.

Shigeru Miyamoto, criador de Mario e Zelda, era o segundo nome mais pedido pelos fãs e pode aparecer em próximas edições

TecMundo Games: Como foi a reação da equipe da BGS ao saber que o Kojima vinha para cá?

Marcelo: Foi na E3 [de 2017] que soubemos que deu certo. Na volta, fizemos uma reunião com nossa equipe. Eles ficaram muito entusiasmados e felizes com a notícia. Não é um cara com quem você consegue falar a qualquer momento, é uma pessoa superatribulada, que está envolvida em projetos gigantescos e nunca tinha vindo para a América do Sul. Todos estavam na expectativa para anunciar essa novidade.

A equipe ajudou bastante a trabalhar nesse anúncio, sempre seguindo os desejos do próprio Kojima. A iniciativa de gravar o vídeo e postar no Twitter foi dele, e isso foi muito bacana.

TecMundo Games: Quão infernal é pensar no esquema de segurança para que tudo ocorra bem?

Marcelo: Nos últimos anos, já tivemos várias experiências. E com ele, sem dúvida nenhuma, é uma atenção especial que vamos dar a esse caso. É o tipo de ação que a gente não pode compartilhar, infelizmente, mas temos uma estratégia que vai desde a chegada dele, ao transporte, à hospedagem, à permanência dele na feira, aos momentos de descanso e muito mais.

Claro, vai ter uma questão de segurança em volta dele, mas não é nem a pedido do Kojima. É mais pela paixão dos fãs, pois um mar de pessoas pode acabar o engolindo. Queremos que ele saia do Brasil com uma impressão muito boa e queira voltar mais vezes.

TecMundo Games: Qual é o peso de convidados internacionais para BGS?

Marcelo: É muito importante. Nós pegamos esses dados com o nosso público, e o público vai atrás de lançamentos, novidades, compras. E esses aspectos são muito importantes para a BGS. Além disso, a gente tem a presença de convidados internacionais como algo muito pedido.

Nessa edição, com os nomes que já foram apresentados e os que ainda vamos anunciar, o impacto é enorme. Estamos falando com diferentes tribos, que falam de diferentes franquias e representam diversas comunidades. Para a gente, isso é muito importante e algo extra para o evento.

A BGS trabalha com muitas empresas parceiras e diz que terá mais novidades para anunciar em breve

TecMundo Games: Trazendo o Kojima na décima edição, como a BGS planeja superar esse marco?

Marcelo: Nós temos muitos nomes pedidos pelo público e estamos sempre trabalhando nisso. O Kojima é o nome número um da lista, e isso é ótimo, mas a gente tem muitos outros que são pedidos. Há várias pessoas que não tivemos êxito em trazer e há outras que estão com apenas alguns detalhes a serem resolvidos. A ideia é ter um evento em 2018 ainda melhor, maior e mais importante.

Aqueles jogadores apaixonados por determinada franquia ficam extremamente felizes quando os ídolos deles vêm para cá.

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A BGS 2017 já tem outros nomes confirmados além de Kojima, como Stephen Bliss, ilustrador da série GTA; David Crane, o criador de Pitfall; Nolan Bushnell, criador do Atari; e outros que ainda serão revelados. O evento ocorre entre os dias 11 e 15 de outubro deste ano, e o TecMundo Games estará na feira com novidades. O que você achou do Kojima no Brasil? Qual outro nome gostaria de ver na BGS do ano que vem?

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