Que lições Tom Clancy’s The Division poderia aprender com Destiny?

Que lições Tom Clancy’s The Division poderia aprender com Destiny?

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Afora a temática razoavelmente distinta, seria praticamente impossível não enxergar semelhanças entre as propostas de Destiny e do vindouro Tom Clancy’s The Division. Em outras palavras, tanto a guerra desesperada contra a “praga” do game da Ubisoft quanto a ficção à lá Flash Gordon da Bungie acabam funcionando de forma bem semelhante quando se olha sob o capô. E isso provavelmente representa uma preciosa fonte de lições para a Ubi, vale dizer.

Afinal, embora Destiny hoje movimente consideravelmente o panorama do entretenimento eletrônico, alguns escorregões certamente acabaram por tirar parte do brilho do título — escorregões que, de acordo com o editor da Revista Oficial do Xbox, Edwin Evans-Thirlwell, o game da Ubi poderia facilmente evitar... Ou pelo menos minimizar.

Estrutura narrativa “perigosamente” semelhante

Em The Division, você é mais um entre vários agentes remanescentes que busca conter a terrível praga que assola a cidade de Nova York. Para tanto, será necessário resgatar e restaurar um grande número instalações abandonadas em ruínas, sendo esta a única forma de fazer com que as coisas comecem a andar. Isso, é claro, lembra um bocado os objetivos gerais do exército de Guardians de Destiny — combatendo raças escusas e desbravando novos planetas para obter recursos preciosos.

Afora a semelhança entre esses mecanismos, fato é que ambos os objetivos podem ser executados tanto como um lobo solitário como em companhia de outros jogadores. E as semelhanças entre os títulos ainda se estendem para a forma como as disputas entre jogadores (PvPs) foram abertamente desencaixadas da história principal.

Ademais, há também o fato de que, concluída a história, a coisa toda se resuma a uma batalha sem fim para conseguir mais e mais espólios. Algumas lições devem surgir dessas semelhanças, naturalmente — digamos, além do fato de que a ficção de Tom Clancy provavelmente ajude a eliminar aquele ar de “aventura galáctica genérica”... Mesmo correndo o risco de acabar “encaçapada” por uma dose massiva de American Way.

Um ambiente com mais vida

Conforme notou Evans-Thirlwell em seu texto, Destiny talvez não seja o mais divertido dos títulos para se “zerar” em um voo solo. Em grande medida, isso se deve à imensidão de espaços potencialmente inabitados, mesmo que divididos em dezenas de planetas. Trata-se, de acordo com o autor, do que ocorre quando se tenta “encaixar um MMO num buraco de modo de campanha”.

É provável que a aridez típica de Destiny seja naturalmente evitada logo de cara por The Division. Afinal, há aqui toda uma sociedade “civilizada” ocupando as ruas devastadas da Big Apple — de maneira que não devem faltar interações e, de maneira geral, “vida” se esgueirando pelos cantos da cidade.

Ademais, seria injusto não se lembrar de uma dimensão que a Ubisoft já deu mostras de domínio: o da criação de biomas bastante convincentes. Quer dizer, basta dar uma olhada em Assassin’s Creed: Unity para perceber a diferença considerável em relação a outros ambientes.

A esperança? Que, assim como a França Revolucionária de Unity, a Nova York espoliada de The Division possa mostrar civis e/ou inimigos tocando suas vidas, tratando de seus assuntos a despeito da existência do(s) protagonista(s).

Inimigos mais intrigantes e mutáveis

Conforme observou o editor da Revista Oficial do Xbox, além dos espaços desprovidos de viva alma (algo que se origina da própria trama, sem dúvida), há também uma segunda dimensão que torna a jogatina perigosamente repetitiva após algum tempo. Trata-se de certa limitação estratégica por parte dos seus inimigos — que vão esperar pela sua chegada, pacientemente, ou avançar desbragadamente para chutar as suas partes pudendas o mais rápido possível.

Os bons auspícios aqui, entretanto, vêm do fato de que a Ubisoft parece tomar atualmente várias lições de Assassin’s Creed e também de Far Cry. Nessas franquias, assim como os demais habitantes da cidade, os seus inimigos vão tocar a própria vida e, via de regra, suas existências não tem como único objetivo esperar pelo seu aparecimento para lhe rasgar o pescoço.

É claro que, até o momento, isso existe apenas em potencial. Afinal, quem viu os primeiros grandalhões aparatados com trajes pesados e lança-chamas deve ter imaginado se, de fato, pode haver muita elaboração estratégica ali. Entretanto, dizem que as demais facções de The Division devem adotar um modus operandi um tanto mais coerente com o de um ser humano dotado de livre-arbítrio.

Foco nas fortificações

Destiny e The Division também são bastante semelhantes na proposta do “Vim, vi, venci”. O game da Ubisoft, em particular, parece ter herdado, nesse sentido, vários genes de Assassin’s Creed: Brotherhood e Far Cry 3. Nele o procedimento básico envolve dominar e reformar instalações, mantendo o controle de pontos estratégicos de Nova York. Isso é necessário até mesmo para o desenvolvimento de missões e interações possíveis com o game.

Mas a conquista e a reconstrução de uma instalação vital também deve ser capaz de trazer vida aos arredores — atraindo refugiados das ruas, cujas histórias pessoais devem não apenas enriquecer o arco principal da trama como também podem oferecer toda sorte de missão paralela.

Nesse ponto, embora os genes da Ubi certamente lhe garantam alguma vantagem, Evans-Thirlwell acredita que a solução deva passar por uma “ênfase” nos mecanismos de “fortificação”. Em outras palavras, além de ser necessário manter o patrulhamento constante das fronteiras, você ainda teria que responder pelo moral dos refugiados que arrebanhou.

No momento, entretanto, isso é apenas uma barra que precisa ser preenchida para permitir a exploração de novos territórios — de maneira que o melhor deve ser esperar pelo refinamento da Ubisoft Massive.

Uma última questão: a busca de itens

Evans-Thirlwell também joga em sua coluna para a Revista Oficial do Xbox uma última questão que deveria permear as lições aprendidas por The Division com Destiny. Basicamente, ambos os títulos tem suas mecânicas fortemente baseadas na busca e no acúmulo de itens.

O ponto preocupante disso, entretanto, é novamente certa repetição de objetivos — algo bem conhecido entre jogadores de RPGs clássicos. Quer dizer, a fim de conseguir determinado equipamento “lendário-banhado-com-sangue-de-primogênito-de-dragão +20”, o jogador acaba se sujeitando a um labor que muitas vezes chega ao francamente maçante.

Embora essa fórmula certamente tenha encontrado sua fatia considerável de mercado no entretenimento eletrônico, há quem diga que semelhantes desvios podem acabar minando a atenção da própria história do game — a qual tem se tornado cada vez mais secundária, considerando-se as modalidades de exploração pós-história.

Em suma, talvez essa não seja a melhor forma de explorar um ambiente ricamente esculpido. E você, o que Acha? Até que ponto The Division deve aprender lições ou seguir os paços de seu “irmão” extraoficial? Basta seguir para a seção de comentários abaixo.

Ademais, alternâncias de estações, condições atmosféricas e a passagem das horas do dia devem trazer a The Division boa parte do que falta em outros shooters online em massa. Isso e as diversas facções (ainda não reveladas), as quais dividirão o que restou de Nova York em uma sanguinolenta guerrilha — embora grande parte disso ainda não tenha sido mostrada.The Division deve chegar às lojas físicas e virtuais em algum momento de 2015, com lançamentos previstos para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

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