Match Point: o dia em que o Brasil foi campeão mundial em Guitar Hero

Match Point: o dia em que o Brasil foi campeão mundial em Guitar Hero

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Foi em uma época estranha no eSport nacional. Os torneios de games em território brasileiro começaram a diminuir entre os anos de 2007 e 2009. A Electronic Sports World Cup e a World Cyber Games tentavam manter as seletivas anuais sempre animadas, mas aos poucos foram cortando alguns jogos clássicos para os gamers competirem.

Embora sem mais medalhas internacionais, Counter-Strike 1.6 e FIFA continuavam firmes e fortes, mas títulos como StarCraft e Warcraft 3 simplesmente sumiram das classificatórias.

Foi nesse período que os entusiastas dos eSports começaram a perceber uma curiosidade inédita para o cenário brasileiro. Não ganhávamos medalhas nos games competitivos mais tradicionais. Muito pelo contrário: nós detonávamos em games menos conhecidos. Em três anos, os brasileiros trouxeram quatro medalhas em Carom 3D.

Carom 3D! Fomos campeões mundiais em 2007 nesse jogo de bilhar e em Need for Speed: Carbon. Se isso já não surpreendia em frente aos movimentados campeonatos de Counter-Strike, uma conquista em 2009 fez com que nosso cenário de CS ficasse um pouco esquecido em frente aos games mais “casuais”. Nós vencemos o campeonato mundial de Guitar Hero: World Tour.

E, cara, como foi emocionante rever o desfecho dessa conquista!

Fabio “caiomenudo13” Jardim trouxe para o país uma medalha inédita. Algo tão inesperado que colocaria muitos entusiastas para pensar sobre onde o Brasil poderia se destacar ainda mais como uma potência no eSport mundial. E tudo isso ao som de "B.Y.O.B." e "Satch Boogie".

Foi, no mínimo, reflexivo. Um garoto de 14 anos deixou para trás todo o cenário de Counter-Strike que lutava há anos para se manter no topo do mundo. E, de quebra, levou sozinho mais de R$ 12 mil na época pela vitória.

Mais à frente, os brasileiros continuariam a dominação no Carom 3D e pegariam a medalha de ouro e prata em 2010. Teríamos, em 2011, até uma medalha de prata em Asphalt 6!

Fãs de eSport podem se sentir incomodados com isso, mas o Brasil sempre teve dificuldades de se encaixar entre os eSports mais premiados. O cenário de Counter-Strike levou anos para conquistar uma vitória significativa com o mibr, e recentemente o League of Legends nacional segue um crescimento similar com posições mais convincentes nos campeonatos mundiais.

Enquanto o caminho é lento para um lado, os brasileiros já chegaram destruindo em Just Dance na Electronic Sports World Cup do ano passado. Diego "Diegho.san" Dos Santos e Tulio "Tulioakar96" Furst Akar fecharam uma dobradinha de respeito entre os melhores do mundo no game musical da Ubisoft.

É curioso comparar que, naquele mesmo torneio, nenhum outro competidor ou time do país conseguiu passar da fase de grupos. E isso que estávamos representados em mais quatro games, incluindo FIFA 15 e Counter-Strike: Global Offensive.

Claro que, em tempos atuais, a situação é outra. A Games Academy e a Luminosity Gaming conquistaram respeito absoluto dos competidores internacionais no CS:GO, e o League of Legends nacional é uma peça importante que compõe o tão sonhado cenário profissional de eSport no país.

Mas é bom sempre ficar alerta. Quando menos esperamos, um talento brasileiro pode aparecer por aí e levar um título mundial no jogo mais inesperado que você pode imaginar. E me pergunto qual pode ser a surpresa desta vez.

O Match Point é um espaço no TecMundo Games dedicado para discutir o eSport e os games competitivos diariamente, trazendo estratégias, curiosidades, campeonatos e jogadas inesquecíveis dos mais diversos títulos. 

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