Match Point: cogu e o legado do Counter-Strike brasileiro
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Match Point: cogu e o legado do Counter-Strike brasileiro

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Houve um tempo em que os meus amigos não paravam de jogar Counter-Strike. Corujões, rankings e campeonatos eram tópicos abordados frequentemente entre nós. Mas a febre das lan houses passou e, com o tempo, muitos deles se afastaram ou perderam o interesse nas partidas pixeladas entre CTs e terroristas. Mesmo assim, quando pergunto a eles sobre quem lembram como um mito dessa época, a resposta é quase uníssona: Raphael “cogu” Camargo.

Em um período que não parece tão longe, mas que começou há mais de dez anos, o cenário de eSport no Brasil era vasto em competidores e campeonatos amadores. Torneios dos mais diversos games floresciam nas lan houses por todos os lugares, e algumas competições de nível atraiam os jovens para competirem em níveis cada vez mais altos.

KODE 5, Cyberathlete Professional League, Electronic Sports World Cup e World Cyber Games logo chegaram para oficializar essas disputas e levar os primeiros representantes brasileiros para fora do país. E foi aí que descobrimos que nosso cenário de Counter-Strike era realmente forte. Times como mibr e g3x saíam em campeonatos ao redor do mundo, trazendo de vez em quando uma surpresa para os fãs.

Dono de uma AWP precisa e mortal, cogu foi um dos responsáveis pela vitória da mibr sobre a temida SK Gaming na ESWC 2006. Em uma conquista que enche os jogadores brasileiros de orgulho até hoje, ele abriu os olhos do mundo para um país que, até então, ainda não tinha conquistado seu espaço internacional. Sua mira — como você relembra com lágrimas logo abaixo — não perdoou nem as maiores lendas do jogo.

Pouco a pouco, no entanto, os torneios foram diminuindo no Brasil. As grandes marcas foram desabando: KODE 5 e CPL deixaram de existir, enquanto que WCG e ESWC tentavam manter-se firmes. Mas, para nós, o auge de 2006 estava estagnando e só conseguíamos representações anuais na World Cyber Games que não traziam mais medalhas ao país.

Era uma época de transição do eSport nacional e internacional, mas poucos sabiam disso. Counter-Strike mostrava as marcas da idade, assim como algumas das lendas que fizeram seu nome dentro do jogo.

O próprio cogu, que não se animou muito com o Counter-Strike: Global Offensive e deixou o cenário em 2012, repassou o legado para outro jogador que sempre fez uma rivalidade clássica dentro dos corredores estreitos da “de_train”: Gabriel “FalleN” Toledo. Hoje, o “rival” comanda a Games Academy e a Luminosity Gaming, garantindo que o cenário amador e profissional continue em destaque no país.

Ele mesmo fez algumas jogadas absurdas para garantir seu próprio status, ou vai me dizer que não lembra desse tiro lendário?

Meus amigos podem lembrar de um só nome, mas hoje preciso deixar uma homenagem a dois dos mais importantes ciberatletas do cenário brasileiro. Quando o cenário de eSport no Brasil ainda era um sonho e o League of Legends sequer existia, tivemos jogadores que movimentaram as lan houses e que ainda jogam a semente do esporte eletrônico na mente de milhares jovens e adolescentes.

Acho que devemos um pouco a eles.

O Match Point é um espaço no TecMundo Games dedicado para discutir o eSport e os games competitivos diariamente, trazendo estratégias, curiosidades, campeonatos e jogadas inesquecíveis dos mais diversos títulos. 

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