Match Point: Command & Conquer 3, chegando cedo demais para os eSports

Match Point: Command & Conquer 3, chegando cedo demais para os eSports

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A série Command & Conquer fez história no PC e nos consoles. Lembro, até hoje, de jogar durante a tarde inteira o clássico Command & Conquer: Red Alert Retaliation no PlayStation. Travava batalhas inteiras com ou sem os cheats decorados das revistas de games. E, depois, também me aventurei por Command & Conquer: Generals nos computadores, lançando as primeiras guerras em LAN contra os amigos.

Mas, no fundo, foi Command & Conquer 3: Kane's Wrath quem me fez enxergar o gênero de estratégia de uma forma diferente. Lançado lá em 2007, este jogo carregava em suas veias o clássico gameplay da franquia: menus de construção no lado direito, batalhas militares e o equilíbrio de energia e recursos de mineração. A diferença é que, ao contrário do passo vagaroso de muitos RTS clássicos, aqui as partidas eram tão rápidas que podiam acabar entre três a cinco minutos.

Command & Conquer 3 era frenético, mais ainda que todos os outros games que já tinha saboreado. Enquanto Warcraft 3 e Age of Empires era limitado por unidades construindo toda a sua base, aqui tudo aparecia rapidamente. As barracas pipocavam na sua frente, enquanto as unidades eram treinadas e cruzavam o mapa em questão de dez a quinze segundos. Em um minuto, você já batalhava contra o inimigo.

Claro que isso não acontecia em todas as partidas de alto nível. Enquanto o eSport ainda se desenvolvia e se firmava pelo mundo, os experts do jogo já conseguiam contra-atacar os avanços mais rápidos com muita eficiência. Mas, mesmo assim, as partidas dos torneios daquela época não duravam mais do que quinze minutos — uma média expressiva comparada às longas sessões de Age of Empires, StarCraft ou Warcraft 3.

Essa jogabilidade rápida sempre me fez perguntar o que desmotivou as competições depois que a World Cyber Games deixou o título de lado em 2008. A resposta logo seria encontrada no advento de Command & Conquer 4 e o esquecimento da franquia nos anos seguintes: a Electronic Arts, ao lado de muitas outras produtoras, deixou o RTS com o tempo.

E havia um motivo bem específico para isso. Os MOBAs explodiram no mercado e roubaram a atenção para sua jogabilidade centralizada em um herói ou personagem. Nem C&C 4 conseguiria se adaptar fielmente ao gênero de estratégia, ignorando alguns elementos clássicos como o macrogerenciamento e a coleta de recursos.

Isso somaria-se ao fato de que a EA nunca fez muita presença nos eSports. Poucos títulos do estúdio realmente exploram o âmbito competitivo, e nem sempre eles receberam o investimento certo para os torneios se perpetuarem pelos anos. Claro que, aqui, temos a exceção da série Battlefield.

Mas também é possível entender o lado da empresa: tudo isso foi antes da explosão dos torneios de eSports como League of Legends e DotA 2. O cenário profissional só chamou a atenção hoje, anos depois da estagnação da franquia. Aposto que, por exemplo, a situação seria bem diferente se Command & Conquer 3 fosse lançado nos dias de hoje.

Por sorte, a comunidade ainda mantém os torneios do jogo acontecendo com uma certa frequência. É o mesmo que acontece com o Age of Empires 2. Ainda não é o ideal para o cenário justificar uma volta da série, mas é bom ver que os comandantes não perderam o fôlego nas guerras tiberianas.

O Match Point é um espaço no TecMundo Games dedicado para discutir o eSport e os games competitivos diariamente, trazendo estratégias, curiosidades, campeonatos e jogadas inesquecíveis dos mais diversos títulos.

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