Match Point: o fim dos shooters em arena?
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Match Point: o fim dos shooters em arena?

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Poucos jogadores hoje entenderão a estranha lógica de que, quanto mais você pula, mais rápido você pode ficar. Pode soar bizarro ou contra as leis da física comum, mas é exatamente o que acontecia na série Quake. E os nostálgicos irão concordar comigo que a mecânica de "bunny hop" era justamente um dos charmes do jogo.

Já que lembramos disso, acho que vale a pena mergulhar um pouco mais na nostalgia. O que seria da franquia sem os famosos "rocket jumps"? Eu imagino que quem teve a ideia genial de atirar um foguete nos pés pela primeira vez ficou extremamente surpreso. Isso porque, ao contrário de explodir o personagem, o impulso podia ser extremamente eficaz para algumas manobras rápidas pelo mapa. E o resultado foi tão legal que virou até uma arte de saltos complexos e incríveis.

Esse gameplay frenético foi a febre dos jogadores no fim dos anos 90. LAN parties pipocavam em todos os lugares para celebrar os frags entre amigos, e foi nessa época que a QuakeCon se estabeleceu como o evento anual para os fãs de shooters histéricos. Você pode imaginar que isso ajudou e muito para estabelecer um cenário inicial dos eSports, não é mesmo?

Mas... E hoje?

Quake Live conseguiu resgatar um pouco do brilho da série. Mas não durou muito tempo. Ele entrou no Steam para conquistar novatos por meio de uma atualização mais "amigável", mas a mudança recente de free-to-play para pago não mostra que o jogo anda muito bem. Sem falar que os torneios com altas premiações diminuíram com o tempo. Drasticamente.

A QuakeCon 2015, templo para os jogadores obstinados pelo game, continua como o evento do ano para os fãs. Mas é basicamente o único. Em frente ao crescimento brutal de Counter-Strike: Global Offensive, os shooters de arena começaram a perder atrativos. Com a falta de títulos e atualizações de peso, eles envelheceram junto com o seu fiel público.

Isso não implica que o cenário competitivo é fraco e sem boas disputas. Seria uma ofensa afirmar isso. Temos excelentes jogadores e partidas incríveis, com direito a reviravoltas súbitas que enchem de lágrimas os olhos dos espectadores.

Mas, com a falta de jogadores novos e com a perda de plataformas competitivas (como o QLRanks recentemente), o próprio cenário não se renova. Sempre temos as mesmas figuras para carimbar o álbum de vencedores.

Minha grande esperança é que o novo Unreal Tournament, ainda em pré-Alpha, consiga resgatar um pouco das sessões nostálgicas de tiroteio. Assim como o novo Doom. Mas não quero só saudosismos. Quero que as apostas no gênero adicionem elementos novos para renovar a jogabilidade. Quem sabe armas bizarras e poderosas. Ou ainda mecânicas inovadoras para criar impacto no placar.

Tudo para conquistar uma geração que não conhece o quão desafiador era ouvir uma voz grave anunciar no seu fone de ouvido: “Prepare to Fight!”

O Match Point é um espaço no TecMundo Games dedicado para discutir o eSport e os games competitivos diariamente, trazendo estratégias, curiosidades, campeonatos e jogadas inesquecíveis dos mais diversos títulos.

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