Match Point: uma viagem no tempo para a Liga Nacional de Dota

Match Point: uma viagem no tempo para a Liga Nacional de Dota

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Nem sempre a comunidade de DotA fez rivalidade com a de League of Legends. Em épocas passadas, quando o MOBA da Riot Games ainda estava na prancheta de design, os “doteiros” travavam brigas raras com os fãs do próprio Warcraft 3. Era difícil de coexistir, em uma mesma plataforma, dois gêneros tão diferentes sem que um não ficasse incomodado com o outro.

Mas os fãs de RTS precisaram aceitar que, com o tempo, o mapa de Warcraft 3 explodiu em número de jogadores e curiosos. As salas do Garena lotavam com partidas públicas de DotA, enquanto poucos ainda persistiam construindo bases, tropas e herói.

O interesse colossal começou a gerar os primeiros campeonatos. Mas as dificuldades eram imensas: os torneios online dependiam de plataformas com boa conexão, enquanto os presenciais tinham problemas de patrocínio pelo simples fato do DotA ser um mapa customizado. Não tínhamos uma empresa para ditar regras ou nos representar. Dependíamos de, literalmente, um sapo anônimo na internet que alterava o jogo de acordo com a sua vontade.

Mesmo com todas as dificuldades, o cenário brasileiro foi se desenvolvendo. A tradicional Liga Nacional de Dota, organizada pela falecida gameSphere, trouxe os primeiros confrontos de peso entre os competidores nacionais na briga por R$ 1,8 mil na época.

Foi revirando a web nos últimos dias que me deparei com um replay da final da sexta edição, justamente quando alguns nomes conhecidos do MOBA nacional começavam a se destacar. Veja com seus próprios olhos esta relíquia.

O segundo jogo está aqui. De um lado, Lucas “Mr. Frango” Ragnini Becker na trupe das Feras do Dotinha Mundial. Posteriormente, ele representaria o Brasil em duas edições da Electronic Sports World Cup, inclusive vencendo os asiáticos da Zenith em uma das oportunidades. Do outro, Felipe “brTT” Gonçalves, que em seguida se juntaria à elite do DotA nacional e faria uma carreira pelos eSports que hoje dispensa outras apresentações.

Era um cenário competitivo embrionário, é claro. Não havia o frenesi de pulos, blinks ou teleportes e as jogadas miraculosas que se desenvolvem em poucos segundos de DotA 2. Estávamos descobrindo como era competir dentro desse novo gênero. Uma combinação de “ultimates” globais de Spectre e Zeus era algo extremamente forte e chato de lidar.

Depois descobriríamos, assistindo os campeonatos mundiais, que a pressão constante por meio de heróis de dano em área seria a estratégia dominante para evitar isso. Mas não era possível treinar com muitos times e colocar táticas avançadas em prática por conta das limitações da plataforma.

Conexões instáveis, dificuldade de acesso aos campeonatos ao vivo e outros problemas nos distanciavam do cenário amador e profissional que já se desenvolvia na China, na Europa e nos Estados Unidos. E isso só melhorou com a chegada da Valve no gênero.

Olhar para o passado é a melhor forma de medir os nossos avanços. A comunidade de DotA 2 hoje luta para mostrar a sua luz em frente ao cenário profissional de League of Legends, mas é preciso evidenciar as melhorias de seis anos para cá antes de apontar os culpados pelo atraso.

O eSport ganhou respeito. Temos campeonatos, organizações e empresas investindo continuamente neste mercado. Até mesmo o Santos entrou no meio desta grande revolução e hoje é representado por um time de DotA 2. Não há a mesma resistência de anos atrás.

Tudo o que falta é aproveitarmos a oportunidade com seriedade. Quem sabe, assim, teremos nossa própria chance de vencer os ex-campeões mundiais do The International. E podem ter certeza que, neste momento, poderemos abrir o chat e digitar, com gosto, "ez game ez life".

O Match Point é um espaço no TecMundo Games dedicado para discutir o eSport e os games competitivos diariamente, trazendo estratégias, curiosidades, campeonatos e jogadas inesquecíveis dos mais diversos títulos.

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