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Medal of Honor, a controvérsia do momento

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Parafraseando outra afirmação polêmica, eu amo o cheiro de controvérsia pela manhã. Bem, teoricamente não é manhã, mas isso não importa. Medal of Honor está gerando tanta controvérsia que é quase impossível não perceber as discussões que acontecem atualmente dentro — e fora — da indústria de games. Enquanto isso, os detalhes sobre o game jorram incontrolavelmente.

“Estou enojado e irritado”

Essas foram as palavras de Liam Fox, secretário de Defesa britânico, em declarações sobre Medal of Honor. Após descobrir que o modo multiplayer do game permitirá aos jogadores assumir o papel de soldados do Talibã, o político se revoltou e despejou uma série de afirmações sobre o título, chamando-o de antibritânico e apelando às lojas de games que proíbam sua venda.

Segundo ele, é inaceitável que alguém recrie os atos do Talibã na recente guerra do Afeganistão. E não mede esforços para fazer com que as pessoas saibam de suas opiniões. Tais afirmações, tão categóricas, geraram um longo debate — principalmente na internet — sobre a validade de retratar a facção da maneira como a Electronic Arts  o fez.

Electronic Arts essa que, por sua vez, revidou, declarando que Medal of Honor apenas demonstra o óbvio: que o conflito possui dois lados e que o jogo dá a oportunidade aos jogadores de participar como qualquer um deles. E reforça, dizendo que em todas as brincadeiras em que existem vilões e heróis, alguém precisa assumir o papel dos primeiros.

A controvérsia atingiu tamanhas proporções que setores da indústria de games resolveram ir direto àqueles cuja ferida ainda está aberta: os militares. O site gamrFeed, em especial, conversou com vários soldados norte-americanos (que são os representados no título, ao contrário do que pensa o secretário Liam Fox) e perguntou a eles o que acham do retrato da guerra presente em Medal of Honor.

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As respostas, como podemos imaginar, foram as mais variadas — no entanto, nenhum deles se mostrou radicalmente contra. O soldado que mais se indignou com a situação disse que as empresas envolvidas estão lucrando com a guerra, o que ele considera injusto e que é o mesmo que fazem companhias como a Blackwater ou outros empreendedores privados que fornecem equipamentos para o exército norte-americano.

Ainda assim, ele disse que se revoltar por causa da presença do Talibã como uma facção jogável no título é ridículo. Todos os soldados entrevistados, uns mais confortáveis com a situação e outros menos, disseram que sempre existem dois lados em um conflito, e é preciso que alguém incorpore os vilões.

O próprio governo britânico acabou tendo que se justificar após as declarações de Fox, dizendo que suas opiniões refletem um sentimento pessoal e não devem ser consideradas consenso dentro da administração pública — e que existe um órgão de classificação etária justamente para garantir que apenas adultos terão acesso ao produto.

Depois de Six Days in Fallujah, Medal of Honor parece ser o novo alvo dos radicais. No entanto, a EA defende seu produto fielmente, e não devemos ter problemas com relação à disponibilização do título — que não possui nada que não tenhamos visto em outros, com nazistas, vietcongs e afins assumindo o papel dos vilões. A única diferença é que o conflito retratado é recente, desta vez.

Se mostrando ao mundo

Enquanto vários lados brigam por futilidades, outros preferem se concentrar no que de fato interessa à grande maioria dos gamers: o conteúdo do jogo. Para alegria dos jogadores, o feedback que passaram à EA durante a Beta do título foi ouvido, e um post recente no blog oficial do PlayStation revelou algumas das modificações realizadas ao game por conta das reclamações dos usuários:

  • Aumento da precisão da hitbox dos personagens, fazendo com que o tiro é registrado exatamente no ponto em que o alvo foi acertado;
  • Agora é possível coletar armas e munições de inimigos mortos, não havendo necessidade de achar uma caixa de munições;
  • Ajuste das ações de suporte, como a solicitação de ataques de morteiro e afins;
  • Árvores de habilidades expandidas para cada arma;
  • Conserto de bugs e problemas de conexão;
  • Gráficos aprimorados;
  • Armas modificadas, todas elas. Agora estão muito mais ajustadas, precisas e tornadas únicas.

Img_originalAlém disso, o site GameTrailers mostrou recentemente uma série de detalhes referentes ao modo single player do jogo, que será composto de inúmeras missões e contará uma história detalhada. Os desenvolvedores também ressaltam que existe uma diferença entre realismo e autenticidade, e que Medal of Honor incorporará o primeiro conceito.

Para quem está mais curioso e quer saber o tipo de narrativa que carregará a campanha de Medal of Honor, é interessante saber que um livro do título será escrito por Chris Ryan — autor e ex-soldado que já escreveu sobre suas experiências durante a Guerra do Golfo. O livro será disponibilizado por meio de encomendas exclusivas da cadeia de lojas britânica HMV.

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