Em meio a mudanças, Konami pode deixar o mercado de consoles

Em meio a mudanças, Konami pode deixar o mercado de consoles

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Com o comentado fim da parceria entre Hideo Kojima e o fim do projeto Silent Hills, muitos começaram a se perguntar o que está acontecendo com a Konami. Para adicionar mais elementos ao mistério, a companhia retirou seu nome da lista de empresas que participam da Bolsa de Valores de Nova York, o que alimentou rumores sobre uma suposta crise.

Nesse cenário, é preciso esclarecer que a empresa japonesa não passa por problemas financeiros, inclusive tendo lucros com os games que lançou recentemente. No entanto, em um contexto geral, a organização simplesmente não vê seu futuro nos jogos eletrônicos — ao menos não nos consoles de mesa.

Como bem mostra uma análise feita pelo site GamesIndustry, a retirada da companhia da bolsa de Nova York faz sentido quando levamos em consideração que somente 0,3% de suas ações eram negociadas lá. Do ponto de vista financeira, o investimento necessário para ser listada lá aparentemente não compensava a quantidade de negócios feitos — 97% das ações da companhia são negociadas na Bolsa de Tóquio, onde elas permanecem ativas.

Além disso, a divisão de entretenimento digital da Konami tem diminuído sua participação nos lucros da companhia desde 2009. Em compensação, a rede de academias e os negócios da companhia que envolvem Pachinko continuam ocupado um espaço importante de suas atividades — a última delas inclusive tem crescido em importância nos últimos anos.

Importância dos consoles diminuiu

Também vale notar que, apesar de o entretenimento digital corresponder a 43% dos lucros atuais da empresa, isso não significa necessariamente “jogos de console”. Os games de maior sucesso da companhia em tempos recentes foram todos lançados para plataformas mobile, que ganham cada vez mais espaço em sua terra-natal — entre eles, estão nomes como Professional Baseball Dream Nine, Dragon Collection e CROWS X WORST, muitos deles desconhecidos no Ocidente.

Mesmo importante, a divisão não gera mais os mesmos lucros do passado — especialmente quando falamos em títulos para consoles. Essa tendência já pode ser notada há tempos: em 2014, a companhia só publicou nos Estados Unidos os jogos Pro Evolution Soccer 2014, Castlevania: Lords of Shadow 2 e Metal Gear Solid V: Ground Zeroes.

Diante desse cenário, fica claro que a companhia não está mais interessada em investir no mercado de consoles, do qual pode se retirar em breve. Dessa forma, não é surpreendente que Metal Gear Solid V: The Phantom Pain vá marcar a saída de Kojima — profissional importante, mas que não se encaixa mais no contexto atual da companhia.

O afastamento da companhia dos video games de mesa não significa que franquias renomadas como Contra, Pro Evolution Soccer e Metal Gear vão morrer. No entanto, cada vez mais a Konami parece seguir o caminho do licenciamento e dos títulos mobile — que podem não ser aqueles que agradam seus fãs antigos, mas que são aqueles que se encaixam em sua estratégia de negócios atual.

Vale notar que tudo isso não passa de pura especulação, embora essas informações tomem como base as atitudes da empresa nos últimos anos. Mesmo com os investimentos recentes feitos em tecnologias como a Fox Engine, o número cada vez menor de lançamentos indica que podemos ter que lidar com uma geração de  consoles em que a Konami vai passar a ser somente uma lembrança distante.

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