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As melhores sequências e remakes criados por fãs

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Além de médico, louco e treinador de futebol, todo mundo também tem um pouco de diretor de jogos dentro de si. Afinal, quem nunca se questionou por que aquele game é daquele jeito ou por que o estúdio levou a jogabilidade para um lado quando seria muito melhor por outro? É algo natural e bastante comum. No entanto, sempre há aqueles que levam essa ideia muito mais adiante.

Os chamados fangames não são nenhuma novidade por aí. São sequências, remakes ou um simples jogo inspirado em um universo já existente criado por alguém que queria ir além da experiência oferecida pelas empresas. Basta uma rápida pesquisa para você encontrar centenas de títulos feitos por fãs em sites de Flash ou em páginas de download.

E, em um mundo em que as muitas franquias estão cada vez mais sendo esquecidas — oi, Mega Man! —, esse tipo de lançamento pode ser a única maneira de impedir que uma série caia no ostracismo. É claro que muitas dessas tentativas de reviver um jogo são de qualidade duvidosa, mas sempre há aqueles que se destacam por serem tão bons quanto as obras originais.

Aprendendo a pescar

Antes de apresentarmos os melhores fangames que pintaram por aí nos últimos tempos, não podemos nos esquecer dos clássicos. São títulos que não só marcaram época — seja por serem bons ou extremamente bizarros — e que ajudaram a abrir a porta para todo um pessoal que, além de jogador, também queria desenvolver seu próprio game.

E essas primeiras tentativas surgiram lá atrás com os hacks. Já que era muito complicado ter acesso às ferramentas de criação para fazer algo do zero, a solução era fazer modificações em pontos específicos do jogo para adicionar uma roupagem um pouco diferente.

As infinitas variações de International Superstar Soccer e, posteriormente, Winning Eleven são um ótimo exemplo disso. Lembro até hoje de um cartucho do Campeonato Brasileiro 95 em espanhol e de outra versão para PSOne em que tocava uma música da Ivete Sangalo sempre que alguém marcava gol.

É claro que, em meio aos Street Fighters de rodoviária, às infinitas versões genéricas de Pokémon — os hackers usaram toda a paleta de cores existente e lançaram Black/White antes da própria Nintendo — e da tentativa de trazer Sonic para SNES, esse mesmo público tratou de criar maneiras de ir além e deixar de fazer apenas mods para criar um jogo para chamar de seu.

Programas como o MUGEN e o RPG Maker foram os primeiros grandes passos nesse sentido. É claro que tivemos muito chorume sendo criado, mas muitos “protodesenvolvedores” souberam usar essas novas ferramentas tanto para criar seus próprios jogos mais rudimentares quanto para dar seus primeiros passos no mundo da programação.

Os que ainda persistem

Quem decide fazer um fangame precisa encarar dois grandes desafios. O primeiro é encarar a empresa que é realmente responsável por aquele jogo. Seja um remake ou uma possível sequência, todo o universo, personagens e demais elementos de que você se utiliza pertencem a uma empresa e, de modo geral, você está infringindo uma lei — o que faz com que muitos desses projetos acabem sendo barrados antes de serem lançados.

É claro que há exceções. Alguns desses títulos são tão clandestinos que nem mesmo são de conhecimento das produtoras e, por isso, conseguem ser lançados sem o aval ou a proibição da verdadeira responsável por aqueles personagens. Por outro lado, há ideias tão boas que as companhias decidem não apenas aprovar como também apoiar sua conclusão.

Street Fighter X Mega Man é um exemplo disso. O estranho crossover em 8 bits surgiu da cabeça de um fã, mas a Capcom gostou tanto que decidiu transformá-lo em um dos títulos que seriam usados na comemoração dos 25 anos do robozinho azul.

Outro desafio que os desenvolvedores de garagem enfrentam é o próprio tempo. Na grande maioria dos casos, eles são estudantes ou pessoas que trabalham em outras áreas e que levam a criação desses fangames em paralelo, o que torna a produção bastante lenta.

Portanto, conheça mais alguns títulos que já foram lançados ou ainda estão em período de produção e que merecem sua atenção.

Sonic Fan Remix

Outrora conhecido como um dos maiores ícones dos video games, Sonic vive um momento conturbado. Seus jogos não conseguem manter uma constante de qualidade e, enquanto há títulos muito bons, há outros sofríveis. E, enquanto a SEGA parece não saber o que fazer com o ouriço, um fã mostra que só é preciso se atentar ao básico.

Sonic Fan Remix é um simples remake do clássico Sonic The Hedgehog 2. Só que, em vez de se enfeitar com milhões de firulas e alterar toda a mecânica da série, a releitura segue praticamente o mesmo caminho do título original, apenas fazendo melhorias em seu visual e pequenas atualizações em sua jogabilidade.

O projeto recebeu vários trailers, algumas demonstrações e foi tão bem aceito que o próprio criador do personagem, Yuji Naka, comentou que preferiu o trabalho feito por fãs àquele apresentado em Sonic The Hedgehog 4.

Mother 4

Independente de você chamar de Earthbound ou Mother, a verdade é que a série é uma das mais negligenciadas pelas Nintendo. Ela possui uma base de fãs enorme, já é considerada cult e, ainda assim, a empresa se nega em trazer uma sequência ou um mísero remake ou remasterização dos títulos já lançados. O mais perto que tivemos disso foi a chegada do game ao Virtual Console.

Para acabar com o sofrimento, um grupo de fãs decidiu fazer sua própria continuação. Mother 4 é um projeto tão grandioso que seu site oficial já conta com um teaser com cenas de jogabilidade, várias screenshots e até a trilha sonora para você já ir embarcando no clima da aventura.

O mais impressionante é que os desenvolvedores decidiram se manter fiéis à estética e trouxeram um visual bem simples e bem próximo daquele que os games originais apresentaram, o que deve tornar a jornada ainda mais nostálgica.

O grupo promete lançar Mother 4 ainda no final deste ano. É claro que podemos ter algumas reviravoltas no processo, mas não custa torcer para que tudo dê certo.

Pokémon Generations

Podemos resumir este jogo como o Pokémon que todos querem, mas que a Nintendo nunca fez. Afinal, quem nunca sonhou em sair em sua própria jornada em um mundo tridimensional, repleto de detalhes e encontrando criaturas em tempo real e não dentro do velho sistema de turnos?

É claro que Pokémon Generations ainda tem muito o que melhorar, mas ele ganha pontos apenas por tornar possível o sonho de toda uma geração. Além disso, o fato de ele ter um ambiente multiplayer quase que ao estilo de um MMO torna o clima de batalhas e de rivais bem mais próximo daquele que o desenho nos apresentou.

Pokémon Type:Wild

Type:Wild usa um lado pouco explorado do universo de Pokémon: as lutas. Tudo bem que a ideia da série é o treinamento e todo o processo de fazer com que um monstrinho qualquer se transforme em uma fera imbatível, mas o cerne continua sendo as rinhas propriamente ditas.

Por isso, em vez de fazê-lo viajar pelo mundo em busca de centenas de criaturas, este jogo resume tudo à pancadaria — bem ao estilo Digimon Rumble Arena. Assim, se você não quer firula de turnos e atributos, já pode colocar os bichos para cair na porrada sem qualquer ressentimento.

The Legend of Zelda: Echoes of Aurelia

Minish Cap pode não ter alcançado o mesmo glamour dos demais The Legend of Zelda, mas certamente possui sua fiel base de fãs. Tanto que um grupo deles decidiu reaproveitar a estética do jogo de Game Boy Avance para criar uma aventura inédita do herói de gorro verde.

Echoes of Aurelia traz uma trama totalmente inédita, mas não se propõe a ser um capítulo a mais na já confusa cronologia da série. Tudo o que ele faz é contar uma boa história — que envolve o mundo dos sonhos e uma nova raça de inimigos — e aproveitar tudo aquilo que aprendemos a amar em termos de mecânicas nessas mais de duas décadas.

Por ser um fangame, ele foi lançado diretamente para PCs, o que faz dele uma excelente alternativa para que quem não possui um Wii U ou um 3DS possa conferir uma aventura da famosa saga.

Motor Rock

A gente já comentou sobre o jogo aqui, mas é sempre bom relembrar o retorno de um dos títulos mais queridos da geração SNES. Motor Rock nasceu inicialmente como um simples remake do bom e velho Rock ‘n’ Roll Racing em 3D, mas que recebeu algumas mudanças para que pudesse ser lançado comercialmente sem qualquer problema legal — embora isso não tenha impedido que ele fosse removido do Steam.

De qualquer forma, o game é tudo aquilo que os fãs esperavam ver desde a década de 90. O clima, a trilha sonora e tudo aquilo que fez com que as corridas explosivas se tornassem um clássico está de volta.

Aqueles que se foram

Por outro lado, há aqueles títulos que, por alguma razão, foram cancelados durante seu desenvolvimento. Seja por falta de tempo, barreiras legais por parte das empresas ou seja lá qual for a razão, muitos bons fangames morrem antes mesmo de chegarem às mãos dos jogadores. O pior de tudo é que, na maioria dos casos, o conceito é surpreendente.

Chrono Resurrection

E o maior exemplo disso era o remake de Chrono Trigger totalmente em 3D. A ideia era utilizar o motor gráfico usado em Chrono Cross, do PlayStation, para recriar a aventura original do SNES. O material divulgado na época foi bem impressionante e deixou todo mundo de queixo caído com o nível de qualidade.

O problema é que nada disso agradou a Square Enix, detentora dos direitos da série, que logo tratou de fazer com que o desenvolvimento de Chrono Resurrection fosse abandonado, deixando toda uma legião de fãs órfã. Imagine o que ela faria caso alguém tentasse recriar Final Fantasy VII...

Streets of Rage Remake

Outro fangame que estava tão bom que incomodou a dona da série. Os desenvolvedores uniram tudo aquilo que funcionou nos três primeiros títulos da franquia, ampliaram a lista de personagens disponíveis e ainda pretendiam expandir com a criação de novos cenários.

E, apesar de a SEGA ter forçado o fim do jogo, várias versões não finalizadas foram liberadas, então ainda é possível conferir o remake, por mais que ele não tenha todo o esplendor que havia sido prometido inicialmente. Melhor que nada.

Ghost N’ Goblins: Demon World

Este é o mais recente fangame a entrar na lista dos cancelados. Na verdade, o retorno de Ghost N’ Goblins estava fadado a isso desde o momento em que os criadores decidiram se aproveitar que a Capcom estava há algum tempo sem dar a devida atenção à série para lançar uma campanha no Kickstarter para financiar o projeto.

Era óbvio que os advogados da produtora iriam se mexer quase que instantaneamente, e a página do game na plataforma de arrecadação foi retirada do ar devido à disputa sobre os direitos do personagem. Um pena, pois Arthur merecia voltar em um título próprio.

E os demais?

É claro que esses são apenas alguns exemplos de uma lista quase infinita de fangames que existem — ou existiram em algum momento — e é impossível citar todas. Portanto, se você conhece algum que ficou de fora e que merecia estar aqui, compartilhe conosco nos comentários.

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