PAX East 2014: painel trata de sexismo e desigualdade nos games

PAX East 2014: painel trata de sexismo e desigualdade nos games

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Seja pelo motivo que for, é fato que nunca se falou tanto sobre inúmeros tipos de desigualdades em inúmeros nichos quanto hoje — a cada dia surge uma nova, basta prestar atenção.

De fato, a questão de se nós realmente nos tornamos mais conscientes “de tudo” — em um paroxismo de civilidade — ou se a coisa anda mesmo de mal a pior foi uma das primeiras levantadas durante um painel sobre sexismo nos jogos, organizado durante a PAX East. Seja como for, várias figuras representativas do setor de jogos e entretenimento deliberaram: “Sim, nós temos um problema”.

Não apenas isso, é claro. Há também uma solução possível: é preciso falar mais sobre o assunto para que a situação melhore. “Sempre foi uma coisa meio que aceita”, disse a editora do site Joystiq, Susan Arendt, em relação ao sexismo presente na indústria de games. “Entretanto”, ela emenda, “as pessoas estão mais desejosas de se rebelar e dizer que isso tudo é uma besteira”.

Um “ponto crítico”

Já a chefe de desenvolvimento na Giang Spacekat, Brianna Wu, foi um tanto mais enfática ao se referir ao cenário atual. Para ela, a coisa toda chegou a um “ponto crítico” — posto que as mulheres são “praticamente a metade” da audiência do entretenimento eletrônico. Paralelamente, ela reforça o papel das redes sociais em facilitar os levantes contra o sexismo.

Tifa Robles, por sua vez, tendo encabeçado por um bom tempo a marca Magic The Gathering na editora Wizards of the Coast, afirma que a audiência para o tradicional jogo de cartas baseado em universos RPGísticos ainda é composta em 90% por homens. Segundo ela, os jogadores não são exatamente receptivos às jogadoras.

“Jogadores homens assumem que elas não estão ali porque realmente gostam do jogo, ou que simplesmente não são boas naquilo”, disse Robles. Na verdade, foi isso que a fez formar a Lady Planswalkers Society, espaço que pretende ser um reduto seguro para mulheres fãs de Magic The Gathering. Entretanto, ela lembra: a ideia não é excluir ninguém. Até porque 40% dos membros da liga são homens.

Sexismo “não intencional”

Equilibrando um pouco as coisas, Robles reconhece que muitas pessoas “não sentem empatia” por mulheres que “apontam o sexismo” porque não haverem testemunhado casos escandalosos de assédio sexual.

Um tanto mais condescendente, Wu afirma que muitos homens são sexistas “sem ter a intenção” — não sendo capazes de notar como as suas ações são percebidas, normalmente por não considerarem seus privilégios. “Homens, especialmente homens brancos, sempre lideram as conversações.”

Entretanto, embora algumas situações um tanto bizarras tenham ocorrido, mesmo durante a PAX East — incluindo um sujeito que chegou a pedir para afagar as partes baixas de uma cosplayer —, Wu afirma que o sexismo normalmente é mais sutil e insidioso. “Os homens invalidam as opiniões das mulheres, ou minimizam e tentam descartar suas experiências.”

“É sua responsabilidade não ser um babaca”

Em dado momento, um dos homens que presidiam o painel resolveu também engrossar o caldo antissexismo. O crítico Duane de Four lembrou que muitos homens que defendem os direitos das mulheres são tratados de forma pejorativa — como um “cavaleiro em armadura brilhante”, cujo único intento ao mostrar condescendência pelo tema seria o de chamar a atenção feminina para fins menos... Nobres.

“A melhor forma de reduzir a desigualdade entre os gêneros e o sexismo é trazer o assunto à tona — não importanto quem você é”, ele diz. “Você não pode fazer nada se nasceu um sujeito branco, mas é sua responsabilidade não ser um babaca.” De Four, de origem negra, também afirma: “Eu estou cansado de ver o cara negro ser o tank [sujeitos imensos, forjados para tomar pancada] nos jogos”.

Wu também chama a atenção para a importância de homens que engrossem o coro sobre a igualdade entre os gêneros. “Nós realmente queremos vocês como aliados”, ela diz. “Ser um homem feminista não significa que você desistiu da sua hombridade”.

Por fim, Robles também põe sobre a mesa, a título de exemplo, sua situação particular. Sendo casada com um homem de origem mexicana, ela afirma que teme que, caso tenha uma filha um dia, ela acabe sofrendo por isso. Ela lembra: igualdade é para todos, independentemente da raça, gênero, orientação sexual ou seja lá o que for. “Nós temos que nos desafiar uns aos outros em relação a isso”, conclui de Four.

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