Pesquisador explica como tornar jogos educativos mais efetivos

Pesquisador explica como tornar jogos educativos mais efetivos

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Mudar o mundo como jogos é complicado. Durante o festival Games for Change de 2014, Zoran Popovic, professor associado da Universidade de Washington e fundador do Centro de Ciências dos Jogos da instituição, delineou os motivos pelo quais criar mudanças significativas no mundo a partir dos games é algo difícil de ser feito.

O professor também explicou o que podemos fazer para chegar mais perto de tornar isso realidade e discutiu dois setores mundiais “chave” que com frequência costumam usar jogos, descobertas científicas e domínio acadêmico em amplas quantidades de estudantes, detalhando sobre porque os games ainda não revolucionaram essas áreas.

Popovic afirma que mudanças transformadoras necessitam de uma grande quantidade de esforço por um longo período de tempo. Além disso, elas precisam ser movidas por sinergia com o mundo real e ter um design feito de maneira propositalmente concentrada nos resultados – incluindo resultados desconhecidos.

Entender o jogo é entender a vida

Segundo Popovic, um jogo não é capaz de causar alterações significativas por conta própria, pois é preciso que as pessoas se comprometam e concentrem suas energias reais nele, seja durante testes em laboratórios ou em usos cotidianos. No entanto, o pesquisador afirma que há esperança, ainda que não estejamos perto dos resultados que desejamos ver nos games no momento.

Ele acredita que estamos frente ao surgimento de um método que vai nos levar ao processo de mudar nossos problemas usando jogos, embora isso não esteja prestes a acontecer. Para fazer um jogo transformador para a educação, ele afirma que as pessoas terão que entender o sistema em que ele vai funcionar antes de qualquer coisa.

Esse método inclui estudantes, professores, o programa escolar e as ferramentas das salas de aula – além da forma como tais acessórios se estendem do ambiente das escolas para o das casas.

O mundo é uma tela

Popovic e sua equipe estão desenvolvendo uma Plataforma de Aprendizado Envolvido, que usa um “currículo infinito” – o que basicamente significa que nada no jogo está concluído e sempre há material apropriado para o nível atual de estudo de cada aluno. A plataforma foi pensada para encontrar o melhor caminho entre o professor e seus alunos – algo que muda para cada mestre e cada um de seus pupilos.

Segundo o professor, pensar em games educacionais dessa forma expande seu espaço de desenvolvimento. Estimar e construir um sistema inteiro e o moldar para que se adapte a pessoas diferentes é algo que pode dar certo tanto para questões de matemática quando para problemas baseados em textos.

Os dados em um jogo educacional também precisam se adaptar para atingirem o melhor resultado possível. Os criadores devem identificar quais são as menores dimensões para promover aprendizado e construir a partir delas. Questões levantadas e ensinadas no jogo devem poder ser relacionadas com problemas do mundo real, com soluções aplicáveis fora do game – caso contrário os estudantes não irão reter as informações.

Para desenvolver algo e maximizar o aprendizado, é preciso usar medidas bastante detalhadas para avaliar o programa de ensino. “Nós criamos uma linguagem de processamento de pensamento – um método para resolver quebra-cabeças específicos, equações ou provar uma teoria – e geramos desafios que desenvolvem processos de estruturação de ideias ou que apresentam explicações automáticas e rastreiam o raciocínio dos jogadores”, ressalta.

Desafios construtivos

Os games também devem dar um incentivo positivo para alunos que estejam se esforçando com objetivos valorosos. Segundo o professor, dizer aos estudantes que eles “trabalharam duro” ao invés de que “foram bem” é algo que melhora sua performance com o passar do tempo e que os ajuda a desenvolver uma mentalidade de crescimento, ou seja, eles passam a ter mais persistência e motivação para resolver as questões.

De acordo com os estudos da equipe de Popovic, crianças que tinham dificuldades para entender determinados conceitos tinham mais tendência de continuar tentando resolver os problemas quando submetidas ao sistema de mentalidade de crescimento.

Com isso em mente, os pesquisadores também estão criando um jogo chamado NanoCrafter, que faz o mapeamento de proteínas biológicas. O título foi desenvolvido para estimular um tipo de criatividade coletiva. Dessa forma, a equipe de Popovic espera poder compreender o código da criação de certas proteínas por meio de um esforço conjunto dos estudantes. 

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