Prévia - CoD: Advanced Warfare aposta em mudanças para permanecer relevante
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Prévia - CoD: Advanced Warfare aposta em mudanças para permanecer relevante

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O mundo dos jogos eletrônicos não perdoa repetições, tampouco tem receio de tirar de cima do pedestal franquias consideradas “sagradas por muitos”. Se há uma década nomes como Final Fantasy e Medal of Honor eram considerados imbatíveis e sinônimos de sucesso, atualmente essas franquias passam por dificuldades e têm que lidar com um público que possui outros gostos e prioridades.

Ciente dessa situação, a Activision está realizando mudanças relevantes na maneira como a série Call of Duty é produzida, de forma a evitar a repetição de erros que muitos cometeram no passado. Ainda que Call of Duty: Ghosts tenha vendido relativamente bem, seu menor sucesso em relação a Black Ops 2 mostra que até mesmo os fãs hardcore do FPS estão cansados de lidar com iterações pequenas a cada ano.

Para tentar evitar que a franquia perca sua relevância, a empresa decidiu expandir para três anos o ciclo de desenvolvimento de novos jogos, deixando a cargo da Slegdehammer Games mostrar como isso pode revitalizar o FPS. Liderada por Glen Schofield e Michael Condrey, a equipe formada por muitos ex-funcionários da Visceral Games que trabalharam no primeiro Dead Space tem um relacionamento longo com a série, embora isso não fique evidente em um primeiro momento.

Um novo gênero para Call of Duty

Devido a seu passado, inicialmente a Sledgehammer foi contratada para desenvolver aquele que seria o primeiro jogo da série a contar com uma perspectiva em terceira pessoa. “Nossa posição era a de que tínhamos a grande oportunidade de trazer Call of Duty a um novo gênero”, afirma Schofield à Game Informer. “Possuíamos bastante experiência como um time construído para entregar um produto de qualidade de forma semelhante ao que fizemos com nossos jogos anteriores”.

Embora estivesse em fase relativamente avançada de desenvolvimento, o game foi cancelado quanto a Activision passou a ter problemas com a Infinity Ward, na época desfalcada com a saída de Vince Zampella e Jason West (fundadores da Respawn Entertainment). Com o lançamento cada vez mais próximo de Modern Warfare 3, Schofield, Condrey e sua equipe se viram convidados a ajudar a finalizar o jogo que fechava a trilogia.

“A primeira reação foi algo do tipo ‘wow, temos nosso jogo aqui. Temos esse projeto. Estamos dispostos a desistir disso para nos unir com outro estúdio?”, conta Schofield. Segundo ele, a oportunidade de colaborar com um jogo da franquia principal se mostrou tentador, o que fez com que o desenvolvimento de um Call of Duty em terceira pessoa fosse abandonado — decisão que se mostrou acertada e fez com que a moral da Sledgehammer Games aumentasse frente aos chefes da Activision.

Mudança de ritmo

“Mudar para um ciclo de três anos permite aos times uma série de coisas” explica o CEO da Activision Publishing, Eric Hirshberg. “Primeiro, isso lhes dá a oportunidade de falhar durante o processo criativo, o que permite criar coisas que não chegam a aparecer no disco. Em um processo de dois anos, todas as linhas de código escritas parecem fazer parte de uma corrida em direção ao lançamento”, afirma.“Queremos poder tentar coisas novas, novas mecânicas e ângulos inéditos dentro do jogo”.

Ao deixar a franquia nas mãos de Sledgehammer, a Activision decidiu deixar um pouco de lado os momentos dignos de um filme dirigido por Michael Bay para apostar em situações mais variadas. “Como jogador, Dead Space é uma das minhas narrativas favoritas”, afirma Hirshberg. “Foi um triunfo em matéria de atmosfera e gráficos em seu tempo. Sou um grande fã do ‘pedigree’ desses caras, que construíram um time triplo-A a seu redor”.

Advanced Warfare tem como cenário o ano 2052, cuja construção tem como base tecnologias militares atualmente em fase conceitual ou que existem na forma de protótipos. Para garantir uma construção fiel de ambientes, a equipe responsável consultou especialistas da área como Mitchel Hall, do time SEAL Six, e Mark Boal, escritor de “Guerra ao Terror” e “A Hora Mais Escura”.

A intenção da Sledgehammer é criar uma visão mais realista do futuro que não consiste em simplesmente adicionar robôs e lasers à série. Além disso, a companhia também aposta na construção de inimigos com mais nuances do que aqueles a que estamos acostumados, que, em geral, se tratam de soldados sem rosto que trabalham para companhias militares privadas.

Hardware novo

Segundo o cofundador da Sledghammer, Michael Condrey, Advanced Warfare possui uma engine totalmente nova, construída com base no que o PlayStation 4 e o Xbox One têm a oferecer. Assim, os fãs da franquia podem esperar uma evolução e um nível de detalhes muito maior do que aquele visto em Call of Duty: Ghosts, que, apesar de possuir gráficos agradáveis, não se mostrou tão surpreendente a ponto de justificar a transição para as novas plataformas da Sony e da Microsoft.

O jogador na pele do personagem

O grande nome de Advanced Warfare é a Atlas Corporation, companhia privada conhecida pelas atitudes filantrópicas que é quase sempre a primeira organização a aparecer em áreas de desastre para “arrumar as coisas”. Dentro do cenário fictício do jogo, a corporação se instalou em Bagdá após a primeira Guerra do Golfo e, em três anos, fez mais pela população local do que o governo local realizou em 50 anos.

A empresa pode atuar livremente sem influência do governo ou do congresso, possuindo fundos vastos que a permitem obter resultados em um ritmo acelerado. O CEO da companhia, Jonathan Irons (interpretado por Kevin Spacey), construiu a corporação a partir do zero e a tornou o maior exército privado do planeta, com direito a um cargo no Conselho de Segurança da ONU.

O jogador controla o soldado raso Mitchell (com voz de Troy Baker,o Joel de The Last of Us e o Booker DeWitt de BioShock Infinite), um personagem com histórico genérico — característica construída de forma intencional. O estúdio quer que os jogadores realmente se sintam na pele do personagem, que só fala durante as cenas de corte e nunca se comunica diretamente durante os combates.

“Houve um custo em fazer essa decisão”, afirma o diretor criativo Bret Robbins. “Eu não posso fazer os jogadores controlarem um submarino e um avião a jato — é abusar da imaginação acreditar que Mitchell pode fazer todas essas coisas. No entanto, valeu a pena pagar o preço exigido, já que, com isso, posso contar a história de um único soldado durante toda a campanha.”

Mitchell se une à Atlas e passa a usar um exoesquesleto moderno, baseado em projetos atualmente desenvolvidos pela DARPA e pela Ekso Bionics. Após cada missão, os jogadores podem investir em melhorias para o equipamento, que vão desde um melhor uso de proteções presentes no ambiente até superpulos, luvas magnéticas para escalar prédios e camuflagem ótica, entre outras opções.

“Camuflagens do tipo no ano 2052 são algo provável”, afirma Michael Belfiore, autor do livro “The Department of Mad Scientists: How DARPA is Remaking Our World”. “Vi experimentos em que eles conseguem curvar a luz ao redor de uma substância. Metamateriais podem se moldar dependendo de comandos diferentes e se combinar a processadores que observam o ambiente ao redor”, explica.

Todo o arsenal terá características futuristas, como granadas que mudam de função de maneira dinâmica e pequenos drones que entregam a posição de adversários. “Há uma divisão de pesquiisa da Marinha em Dartmouth que veio até nós e disse ‘O que vocês estão mostrando em Call of Duty são as mesmas coisas em que estamos trabalhando’”, afirma Condrey.

Mantendo a franquia relevante

A introdução de um novo ritmo de jogo e a aposta em atmosferas mais variadas são somente algumas das mudanças que a Sledgehammer Games utilizou para deixar sua marca na série Call of Duty. O cenário futurista de Advanced Warfare pode ser encarado até mesmo como uma metáfora para a maneira como o estúdio pretende moldar a franquia a uma nova geração de consoles.

Com a confiança que a Activision depositou na empresa e o tempo que ela teve à disposição para criar novas ideias e mecânicas, essa pode ser a chance de a franquia se reinventar e deixar de lado as críticas aos jogos mais recentes. Ao menos se depender do histórico dos profissionais envolvidos, a série pode ter encontrado o caminho para ganhar um novo fôlego e continuar sua trajetória de sucesso.

E o PlayStation 3 e o Xbox 360?

Embora Advanced Warfare esteja sendo desenvolvido com foco nos novos consoles, a Activision não se esqueceu dos donos do Xbox 360 e do PlayStation 3. No entanto, as versões para essas plataformas não vão ser desenvolvidas pela Sledgehammer Games, ficando a cargo de um estúdio terceiro cuja identidade ainda não foi revelada.

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