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Prévia – Final Fantasy ainda vive em Bravely Default

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Ainda sinto falta de jogos como os primeiros Final Fantasy. A série vem passando por uma grande transformação a cada novo lançamento e se distanciando daquilo que a fez ser um ícone do gênero. Assim como eu, todo fã dos clássicos RPGs japoneses se sente um pouco órfão de aventuras épicas.

É por isso que a chegada de Bravely Default era tão aguardada. Fazendo sua estreia nos 3DS nipônicos em 2012, o game levou quase dois anos para chegar às Américas — não sem muitos pedidos e reclamações dos jogadores, que praticamente imploraram à Square e à Nintendo pelo lançamento — e marca o retorno não apenas de um estilo de jogo, mas de toda uma ambientação e de um clima que há anos não encontrávamos.

E, enquanto a Square Enix insiste em descaracterizar sua franquia mais famosa, Bravely Default chega ao portátil como o Final Fantasy que tanto esperamos. Ele é a herança de um clássico; a resposta àquilo que pedimos.

Entre a cruz e a espada

Para compensar a demora no lançamento, a produtora optou por trazer uma demonstração um pouco diferente do habitual. Em vez de ser apenas um recorte do jogo completo, a versão para teste do game é um aconjunto de missões exclusivas e que não estarão disponíveis quando o título chegar às lojas no próximo dia 7 de fevereiro.

Como esses pequenos desafios propostos pelos cidadãos de Ancheim envolvem, na maioria das vezes, a coleta itens derrubados por monstros, as várias caçadas pelos campos ao redor da cidade servem como uma bela forma de apresentar e dominar as peculiaridades da mecânica. E, por mais que a estrutura de Bravely Default lembre muito a dos velhos Final Fantasy, isso não significa que ele não traga elementos exclusivos.

O maior exemplo disso é o próprio sistema de combate. Embora ele pareça muito com um RPG de turno como tantos outros, as lutas ganham uma dinâmica completamente diferente do habitual com a introdução do chamado Brave Point — ou simplesmente BP.

Trata-se de um medidor um pouco complicado de explicar, mas fácil de compreender na prática. Traçando um paralelo com outros jogos, ele seria o equivalente ao valor de stamina de cada um dos heróis, uma vez que é ele é utilizado para a realização dos movimentos de seus heróis. NSó que ele é um pouco mais complicado que isso.

Por mais que os BPs decresçam a cada ataque realizado, isso não significa que cada golpe precisa ser cuidadosamente pensado para economizar esse valor, já que eles se recuperam ao fim de cada turno. Desse modo, golpear o oponente, utilizar magias ou itens não é nenhum fim do mundo.

O problema é que há maneiras de fazer esse número cair drasticamente, sobretudo com a função Brave. Ela pode ser ativada até quatro vezes por rodada e isso permite que o herói execute o mesmo número de ações de uma só vez. Trata-se de uma vantagem enorme dentro de campo, seja por quadruplicar o dano ou permitir que você crie combinações de ataque e defesa.

Só que o preço por esse benefício é bastante alto, já que os movimentos realizados com o Brave consomem BP normalmente e isso pode complicar as coisas caso o oponente não seja derrotado. Um personagem com valores negativos de BP precisam esperar várias rodadas até que esse número zere e ele possa agir normalmente. Isso significa que, se um inimigo sobreviver a um Brave completo, você ficará inutilizado por quatro turnos — o que pode ser sua perdição.

Por outro lado, há o comando Default que, na prática, age como defesa. Só que, em vez de somente impedir que o personagem tome todo o dano de um golpe, ele também aumenta o valor de BP, o que ajuda a diminuir o efeito colateral do Brave.

Isso tudo adiciona um fator estratégico bem interessante a Bravely Default, já que você precisa saber muito bem como se comportar na luta para evitar ser nocauteado. Apostar todas as suas fichas nesse poder extra pode funcionar muito bem no começo da demo, quando os monstros não são tão poderosos, mas se mostra uma decisão bem arriscada quando criaturas mais resistentes passam a cruzar seu caminho.

O mais interessante de tudo é que, apesar de ser bastante complexo na teoria, todos esses elementos funcionam de maneira bastante intuitiva na prática. Tanto que, contrariando tudo aquilo que conhecemos de JRPG, a demo não traz longas caixas de texto com tutoriais e nem perde tempo com explicações demoradas. Ele apresenta o básico e deixa que você descubra o real funcionamento daquilo de maneira empírica.

Definindo seu grupo

Só que a parte tática não se resume apenas ao modo como você ataca e defende. O jogo traz pequenas variáveis que precisam ser levadas em consideração antes mesmo de você entrar em campo.

Assim como em alguns dos Final Fantasy mais clássicos, Bravely Default conta com um sistema de profissões bastante vasto e que certamente vai fazer os jogadores consumirem muito tempo fazendo testes. Como essas mudanças podem ser feitas a qualquer momento, você tem o jogo inteiro para realizar experimentações e descobrir quais tipos de personagens se encaixam melhor em sua estratégia.

Logicamente, cada classe conta com características próprias, alterando a lógica de combate com base nos atributos e armas utilizados. Aliás, essa liberdade praticamente obriga o jogador a ter vários sets de equipamentos na reserva. De nada adianta fazer com que seu Knight se transforme em um White Mage se ele continuar com espada, escudo e outros itens que não valorizem seu poder mágico.

Colheita feliz

Como estamos falando de um jogo de 3DS, é claro que ele traz alguns recursos sociais baseados no StreetPass.

Logo no início da demo, os heróis estão reunidos em Ancheim a pedido do primeiro-ministro, que pede que vocês restaurem a cidade de Norende ao mesmo tempo que eliminam os monstros da região. Enquanto o serviço de extermínio de monstros se dá de maneira clássica, a reconstrução do local acontece com base em um pequeno mini game social.

Seu objetivo é reestabelecer o comércio no local, além de expandir seu território. Para isso, você terá de convocar a população para executar algumas tarefas. Cada ação leva um tempo para ser concluída de acordo com o número de pessoas colocadas. E é aí que você precisa encontrar outras pessoas pelo StreetPass para agilizar no processo.

Pode parecer um extra bobo, mas que vai ajudá-lo — e muito — na hora de obter itens e outras vantagens ao longo da campanha.

Um típico RPG japonês

Por fim, Bravely Default se destaca exatamente por ser um típico RPG japonês, trazendo aqueles velhos clichês que tanto gostamos. Exemplo disso é que você já pode se preparar grindar, passando horas e horas treinando seu grupo para que ele possa encarar os desafios com o mínimo de tranquilidade e sem depender constantemente de poções e habilidades de cura.

Isso fica bem evidente tão logo você sai da cidade principal. Enquanto os inimigos no deserto ao redor não oferecer grande dificuldade, basta se afastar um pouco mais e entrar em cavernas e outras construções próximas para perceber o salto de dificuldade.

Além disso, temos a já comentada ambientação, que resgata o clima aventuresco que mistura elementos medievais com uma sociedade mais fantástica que por anos nos conquistou. Isso tudo, associado ao belo visual e à excelente trilha sonora, faz com que Bravely Default seja o jogo todo fã de RPG esperou por anos, por mais que nunca tenha se dado conta disso.

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