Prévia — DriveClub: Belo, divertido e interconectado

Prévia — DriveClub: Belo, divertido e interconectado

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Há uma espécie de tradição associada aos jogos de corrida. Trata-se de uma expectativa, muito semelhante àquela alimentada com cada novo FPS: o resultado precisa ser belo, a fim de funcionar como uma demonstração tecnológica — do tipo que fará aquele seu amigo tech boy babar na frente do seu console de nova geração.

Mas será só isso? Ou, melhor dizendo, esse critério ainda é suficiente para fazer com que um jogador escolado — acostumado a gráficos ultrarrealistas — queira “se sentar” em um cockpit virtual, a fim de tentar algumas voltas? Bem, a opinião do pessoal da Evolution parece ser bastante clara em relação a isso: gráficos de cair o queixo não são mais suficientes. Mecanismos sociais? Ah, sim. Aí são outros quinhentos.

De fato, embora as demonstrações conduzidas recentemente pela softhouse mostrem um título incrivelmente belo — digno da oitava geração de consoles —, a principal bandeira levantada em DriveClub diz respeito às formas como você poderá correr e se desenvolver em um ambiente virtual interconectado. E há até um aplicativo para celulares para garantir que isso realmente funcione.

Dessa forma, além de fazê-lo voar por pistas fotorrealistas, DriveClub pretende ainda que você crie uma identidade dentro de uma “família” de corredores, ganhando mais e mais status conforme seu desempenho nas pistas. E, sim, a proposta parece funcionar bem, a ponto deixar mais fácil de engolir o considerável atraso na chegada do game às prateleiras.

Entre o arcade e a simulação

Estritamente falando, parece impossível que um jogo de corrida se encaixe perfeitamente na categoria de “arcade” ou de “simulação”. Entretanto, convenhamos, há alguns títulos que são prontamente chamados à discussão quando se trata de estabelecer parâmetros. Na verdade, mesmo o pessoal da Evolution lembra de Forza/Gran Turismo e Need for Speed na hora de categorizar a proposta de DriveClub.

A resposta é um tanto clássica, é verdade. Embora não trata as complicações normalmente associadas à simulação de pilotagem, DriveClub também não vai convidá-lo a distribuir drifts em cada curva. Igualmente, não deve ser possível executar curvas fechadas a centenas de quilômetros por hora. Em outras palavras: é o tradicional “meio termo”.

Por parte da simulação, aparecem aqui veículos reais com características razoavelmente recriadas dentro do jogo. Entretanto, como a desenvolvedora chamou a atenção, não há, por exemplo, nenhuma possibilidade de alterar as configurações mecânicas dos bólidos. A coisa toda se resume a escolhas estéticas — cor, decalques, anúncios e por aí vai.

E há aqui uma singela “homenagem” ao estilo Need for Speed de se fazer as coisas. Em determinados trechos das pistas — denominadas “challenge zones” —, você terá a oportunidade de faturar alguns pontos extras realizando drifts. Uma solução elegante, de fato, já que premia os pilotos versados nessas manobras sem transformar as corridas em uma queimação de pneus sem fim.

Dessa forma, embora o controle aqui talvez caia muito mais para a ponta “arcade” daquele conhecido e revisitado espectro, talvez uma classificação mais precisa enxergasse em DriveClub uma espécie de simulação com todos os mecanismos de assistência ativados — embora não exista nada que se pareça com uma daquelas linhas de percurso com indicação de frenagem, é verdade. De qualquer forma, deve ser algo capaz de agradar a gregos e a troianos.

Tempo e pontuação

Um bom tempo não representa a única forma de se dar bem em DriveClub. Quer dizer, trata-se ainda de um jogo de corrida, é claro. Entretanto, um bom desempenho em curvas, com pilotagem elegante, pode alterar consideravelmente a sua avaliação ao final de uma corrida. Igualmente, uma performance estilo “como se não houvesse um amanhã” pode facilmente botar a perder mesmo um excelente tempo.

Basicamente, DriveClub vai puni-lo e premiá-lo por diversas ações dentro da pista. Dessa forma, uma ultrapassagem pode render 500 pontos, por exemplo, enquanto que sair da pista pode tirar a mesma quantia. Batidas, por outro lado, parecem variar entre 100 e 600 pontos de desconto — dependendo, naturalmente, da gravidade do acidente.

Foco social

Conforme dito anteriormente, embora DriveClub faça bonito nas pistas — tanto em gráficos quanto em mecânica —, é mesmo no ambiente social que a Evolution mostra a parcela mais original da sua proposta. E parece até haver um mote para isso: a transição para o ambiente online deve ser o mais simples e “suave” possível.

Basicamente, assim que você entra no jogo, seu avatar é automaticamente alocado em algum em alguma equipe online. Por meio da interface compartilhada, é possível saltar para dentro de qualquer corrida/campeonato que lhe interesse, sem complicações. E mais: os membros do seu grupo serão prontamente avisados — agendas e convites são gerenciados pelo próprio game —, tendo, então, a opção de se juntar ao evento em questão.

A fim de tornar a coisa toda ainda mais interconectada, a Evolution pretende que você se mantenha no universo de DriveClub mesmo quando não estiver em frente ao console. Para tanto, há o aplicativo My Driveclub, o qual permite fazer streaming de vídeos dos seus companheiros de clube, compartilhar status e colocações e ainda receber diversas atualizações direto na tela do seu smartphone (que tanto pode ser Android quanto iPhone).

“Faça melhor se puder!”

Sabe aquela corrida em que parece que tudo colaborou para o seu bom desempenho? Não seria nada mal convidar alguém para “tentar fazer melhor”, hein? Bem, em DriveClub há essa possibilidade. E o melhor: sem qualquer complicação.

De fato, ao final de cada corrida você terá a opção de “desafiar” seus oponentes e companheiros de clube. Mas não há qualquer limitação aí, é claro. Na verdade, quaisquer desempenhos anteriormente registrados podem dar origem a um desafio.

Disputas online em 1080p

Também é possível criar os próprios desafios, corridas e campeonatos, é claro. Nesse ponto, a personalização de DriveClub é realmente bem respeitável. Além de alterar as dimensões costumeiras em uma corrida — pista, número de voltas, tipos de oponentes, número de competidores etc. —, é possível controlar também os cliclos de dias e noites, alterando o tempo de duração da luz solar etc.

Mas, se você não for o tipo de jogador interessado em criar competições, não há problema algum. Basta buscar corridas prontas para se colocado em desafios com pilotos com nível/status semelhante ao seu — sejam de clubes diferentes ou do seu próprio grupo de conhecidos.

E o efeito gráfico certamente é digno de nota. Na verdade, nesse ponto se torna compreensível a ideia da Evolution de sacrificar os 60 fps (quadros por segundo) em prol da resolução de 1080p com ampla distância visual (a chamada draw distance), físicas complexas e áudio mais fiel aos roncos originais dos bólidos.

Sim, há uma boa inteligência artificial aqui

Talvez o excessivo foco online/social de DriveClub dê a entender que não há uma boa parcela offline aqui. Ledo engano. Na verdade, de acordo com a Evolution, há até uma boa I.A. (inteligência artificial) para conduzir as coisas fora do ambiente interconectado do game.

Embora certa “facilidade” tenha sido apontada por alguns veículos especializados, a “dinâmica” e a “agressividade” dos seus oponentes controlados pelo computador parece fugir alegremente daqueles formatos limitados em que todo um grupo de corredores parece formar uma “fila” inalterável — quase como se formassem um organismo único.

Ademais, mesmo os primeiros lugares parecem trazer um bom nível de competitividade — de maneira que, não, você não deve acabar com a impressão de que está simplesmente “subindo uma escada” com degraus fixos (os “macacos velhos” do gênero devem conhecer bem essa impressão).

Versão gratuita ou demo turbinada?

A chamada “versão gratuita” de DriveClub certamente já deu muito o que falar, e não é para menos. Afinal, embora deva ser distribuída sem qualquer ônus para quem tiver a PlayStation Plus, trata-se apenas de uma cópia relativamente “capada” do título completo — com apenas 10 carros e 20 pistas.

Entretanto, a Evolution pretende mesmo que se trate apenas de uma demonstração mais parruda — de forma que, caso você goste do que viu, haverá a opção para adquirir a versão completa.

Mas, a despeito do que possa parecer, não há uma transição imediata entre a versão “gratuita” e os conteúdos adicionais vendidos para Drive Club. Na verdade, as chamadas microtransações (dinheiro real por itens virtuais) serão disponibilizadas apenas para quem adquirir a versão completa do game — tornando-se possível a aquisição de carros e pistas extras, portanto.

Enfim, entre controvérsias e adiamentos, certamente não se pode negar a originalidade e as dimensões da proposta da Evolution. DriveClub parece ser capaz não apenas de entregar um bom título de corrida — em algum lugar entre a simulação e o arcade — como também de dar um novo fôlego para o gênero, na medida em que pega carona nas tendências sociais que parecem ser o mandamento maior da atual geração.

DriveClub deve dar as caras no dia 7 de outubro, exclusivamente para o PlayStation 4.

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