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Prévia - Get Even distorce a barreira entre sonhos e realidade

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“Aqui estão os verdadeiros gráficos da nova geração”: é essa frase que muitos veículos (inclusive o BJ) usaram para definir Get Even, o novo jogo de tiro em primeira pessoa desenvolvido pelo estúdio The Farm 51. Criadas com o auxílio da empresa polonesa Better Reality, as primeiras imagens do game revelavam ambientes decrépitos e assustadores — nada incomum para o mundo dos jogos, não fosse o fato de tudo parecer absurdamente real.

Tudo isso é resultado de um trabalho de 6 meses durante os quais os membros do estúdio vasculharam algumas das instalações mais decadentes e abandonadas de seu país nativo, a Polônia. Entre os locais visitados estão asilos abandonados e terrenos cujo visual é capaz de deixar arrepiados os pelos da nuca e fazer com que até a pessoa mais cética passe a acreditar na possibilidade de fantasmas realmente existirem.

Contrariando qualquer espécie de bom senso, assim que os desenvolvedores ficaram sem locais assustadores para pesquisar, eles passaram a procurar cenários do tipo em outros países. Tudo isso para criar um game que promete quebrar as barreiras entre sonho e realidade, brincando inclusive com o conceito de viagens entre diferentes dimensões.

Single player e multiplayer integrados

O conceito de Get Even é fortemente inspirado por filmes como “Efeito Borboleta”, “Código Fonte” e “Matrix”, algo que o cofundador da The Farm 51, Wojciech Pazdur, não faz qualquer intenção de esconder. Assim como acontece nessas produções, o game quer que você questione tudo aquilo que vê, desde a motivação real de outros personagens até elementos interativos que podem se provar falsos ou diferentes do esperado. A intenção é que, ao final de uma partida, o jogador fique com uma pergunta marcada em sua mente: “o que é real?”.

Para tornar isso possível, o time de desenvolvimento optou por fazer uma mescla entre o modo para um jogador e o multiplayer competitivo do título. A narrativa do jogo é apresentada sob o ponto de vista de dois personagens: um deles passa por caminhos lineares, enquanto o outro segue uma rota mais imprevisível, na qual ao menos um dos inimigos que surgem no mapa é controlado por uma pessoa real.

Ao escolher esse segundo modo, nunca fica claro qual é o inimigo que não é controlado pela inteligência artificial, sendo que tanto você quanto seu adversário acreditam estar participando de uma experiência totalmente single player. Para manter a unidade narrativa, o título faz com que cada pessoa transite rapidamente entre diferentes estágios do sono e realidades, o que, junto à falta de qualquer indicador ou gamertag, dificulta perceber qual de seus adversários é real.

“Basicamente, isso é somente uma parte de sua experiência single player, e você tem que lutar contra inimigos, sendo que alguns deles são humanos. Por que isso? Bom, tudo tem a ver com nosso conceito que pergunta, em diferentes níveis, ‘o que é real?’”, afirmou Padzur em uma entrevista concedida ao site VG 24/7.

O que é real?

Segundo Padzur, essa mistura entre realidade e ficção pode ser vista no trailer do jogo, que mistura filmagens reais com cenários produzidos no motor gráfico do game. “Essa é uma das maneiras como tentamos usar essa questão, mas o segundo nível se dá na jogabilidade, quando você simplesmente entra no jogo e vê um inimigo correndo em sua direção, sem saber se ele é controlado pela IA ou por um humano. Você pode deduzir isso a partir de seu comportamento, mas você nunca pode ter certeza”, afirma ele.

O cofundador do estúdio afirma que todos os adversários encontrados, inclusive aqueles controlados por outros jogadores, são apresentados dentro do contexto da história do game — que inclusive justifica a existência dos tão conhecidos inimigos exatamente idênticos entre si. “Não é um problema se você os matou uma vez, porque em outra realidade eles ainda podem estar vivos”, explica.

Para a The Farm 51, era importante permitir que os jogadores experimentassem a aventura mesmo quando estivessem desconectados de outras pessoas. Caso ninguém se junte à partida da qual você participa, é possível finalizar a história jogando somente contra bots — o que se reflete inclusive nas opções do jogo, que permitem bloquear o acesso de qualquer pessoa às realidades que estão sendo exploradas.

Somente possível graças à nova geração

Embora o conceito de Get Even tenha sido desenvolvido em 2010, é somente graças ao poder dos PCs atuais e da nova geração de consoles que o jogo pode se tornar realidade. Padzur explica que a reconstrução dos ambientes reais é um grande desafio técnico, e que são necessários entre dois a três meses de trabalho para analisar somente um local, que é transposto para o mundo do game com o auxílio de incontáveis fotografias.

“Começamos o trabalho real há aproximadamente cinco ou seis meses”, lembra Padzur. “Nosso foco era usar a tecnologia de análise de ambientes e prepará-la para criarmos o jogo. Durante um longo tempo, nossa direção de arte se baseava em brincar com esses ambientes, mas cerca de meio ano atrás decidimos criar o game com métodos pouco convencionais. Gastamos um longo tempo fazendo preparativos técnicos, preparando as bases, os objetos e a linha de produção técnica para usar tudo o que escaneamos em configurações de hardware típicas”.

O conceito original de Get Even previa a criação de um mundo mais colorido e com traços de ficção científica, que acabou se transformando em algo muito mais sombrio. No entanto, embora o projeto atualmente seja bastante embasado no mundo real, permanecem alguns elementos ficcionais em seu universo, como uma arma capaz de realizar disparos curvos.

“Podemos ter pistolas, submetralhadoras e lançadores de granada com visão termal, mapas de satélite e outros dispositivos divertidos”, afirma Paduzr, revelando que haverá uma distinção entre os itens disponíveis nas duas campanhas do título. Enquanto a experiência essencialmente single player deve possuir armamentos mais reais, aquela na qual diferentes jogadores interagem vai contar com equipamentos mais diferenciados.

Até o momento, pouco foi revelado sobre a história de Get Even, algo que o cofundador do estúdio promete que será remediado nos próximos meses. Apesar da falta de informações nesse sentido, Padzur promete que a campanha tem o objetivo de fazer os jogadores refletirem sobre diversos assuntos, o que ele espera que gere discussões semelhantes àquelas que surgiram após o lançamento do primeiro filme da trilogia Matrix.

Embora a trama do título permaneça um mistério, assim como as motivações que levam seus protagonistas a viajar por diversas dimensões, o jogo se destaca por não investir em uma simples recriação de um cenário de guerra real — temática já saturada no universo FPS. Com lançamento confirmado para PC e para a nova geração de consoles, Get Even está programado para ser lançado no ainda longínquo ano de 2015.

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