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Prévia – A difícil tarefa de sobreviver ao inverno de The Banner Saga

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Grandes guerreiros, armados com machados, maças e martelos de guerra e equipados com vestimentas rústicas escondidas por trás de suas longas barbas. A cultura nórdica sempre foi um cenário bastante rico para a criação de jogos e, por anos, ajudou a construir a ambientação medieval que tanto conhecemos. No entanto, em meio às dezenas de RPGs e Hack ‘n’ Slashes, alguns jogos conseguem usar essa temática para apostar em algo novo.

The Banner Saga é um exemplo disso. Desenvolvido pela pequena Stoic, o RPG tático se destacou durante sua passagem pelo Kickstarter exatamente por ser um projeto que usa elementos dessa mitologia de uma maneira até então pouco trabalhada. É claro que muitos dos clichês e estereótipos da cultura viking estão lá, mas com uma roupagem diferenciada e que torna essa jornada pelos campos gélidos do norte da Europa ainda mais interessante.

Um mundo seu

E parte desse apelo está no fato de The Banner Saga usar os elementos nórdicos apenas como ponto de partida para a criação de uma mitologia própria. Por mais que a ambientação e a referência visual nos remetam àquilo que vimos centenas de vezes em outros jogos, filmes e livros, o game introduz elementos originais que tornam aquele universo bem mais chamativo.

Exemplo disso é a existência dos Varl, uma raça de gigantes criada pelos deuses a partir de uma mistura de humanos com animais. Com seus grandes chifres e uma força descomunal, eles são a linha de defesa que mantém os vilarejos a salvo dos Dredge, colossos criados por alguma divindade que surgem na terra depois de muito tempo desaparecidos.

Isso tudo é apresentado aos poucos e, apesar de ser um pouco confuso assimilar as dezenas de nomes, locais e raças no início, não demora para que você comece a mergulhar naquele mundo e a entender melhor suas particularidades, sobretudo como isso influencia os acontecimentos do game.

A trama é outro ponto que chama a atenção. Esqueça a imagem dos vikings como os guerreiros durões e quase invencíveis no campo de batalha. The Banner Saga nos apresenta um povo frágil que luta para sobreviver à ação de saqueadores, outras tribos e ainda a de um inverno rigoroso em um mundo em que o sol permanece imóvel no céu por longos meses.

Sangue e pegadas na neve

Com um universo tão vasto, era natural que a Stoic iria colocar o jogador para viajar por entre as várias cidades, fortalezas e florestas espalhadas pelo mapa. No entanto, não se trata de uma jornada heroica como aquelas que tanto vimos em outros jogos, mas de algo um pouco mais realista e nada amigável.

As caravanas que partem em viagem não são nada glamourosas e, apesar de você não ver nada além de um grupo de pessoas caminhando em meio à neve, é possível sentir muito bem o peso da responsabilidade de cuidar da vida daquele grupo. Por mais que nem todo mundo seja um guerreiro que vai ajudá-lo nos combates, manter vivas as pessoas ao seu redor é o dever de todo aquele que se proclama herói.

Como citado anteriormente, por mais que The Banner Saga ainda seja um RPG, ele é totalmente centrado na estratégia. E esse lado tático vai além dos combates, pois envolve também o modo como você gerencia seus recursos e o que você faz para manter todo mundo vivo mesmo em condições tão desfavoráveis.

Nesse ponto, o jogo lembra muito a lógica usada no clássico The Oregon Trail, ou seja, é preciso levar diversas variáveis em consideração para garantir a sobrevivência do grupo. O jogador deve estar sempre atento à quantidade de recursos disponíveis para que ninguém morra de fome, mas também fazer com que eles cheguem o mais longe possível sem que a caminhada se torne exaustiva demais. São pequenos elementos que podem mudar completamente o resultado da viagem.

Sua moral é outro fator muito importante nesta equação. Mais do que ganhar experiência e fama, sair vitorioso dos combates melhora o modo como a caravana enxerga os heróis. Desse modo, ser derrotado por um grupo de Dredges não é sinônimo de Game Over, mas de que, aos poucos, seus aliados não vão mais se sentir seguros ao seu lado.

Pense antes de atacar

O sistema de batalhas de The Banner Saga é outro ponto que chama a atenção. Por ser um RPG tático, ele exige muito pensamento estratégico e qualquer ação precipitada pode se transformar em seu fracasso em apenas alguns turnos.

A mecânica básica é bem semelhante à de outros jogos do gênero, como Final Fantasy Tactics e Fire Emblem. Você tem uma arena dividida em grades e cada personagem pode se movimentar dentro de um limite de quadrados de acordo com suas habilidades. O destaque fica por conta das diversas classes e raças disponíveis entre humanos e Varls, o que cria uma dinâmica bem variada, principalmente ao trazer uma gama maior de abordagens possíveis.

Só que as coisas são muito mais complexas do que isso. Por mais que cada personagem possua apenas dois atributos, a forma como esses valores influenciam o combate torna tudo mais arriscado. Além de influenciar o dano de seus golpes, o valor de ataque está relacionado à sua força vital, sendo também seu HP.

Isso significa que, a cada ataque sofrido, seus golpes ficam mais fracos, dificultando o uso de estratégias mais básicas  — como “bater enquanto apanha” para segurar o oponente. Caso o valor de ataque fique abaixo do de defesa, suas investidas não causam mais efeito. É por isso que, em determinados momentos, você deve optar por quebrar a armadura do inimigo em vez de tentar diminuir sua barra de vida.

Isso eleva a dificuldade exatamente por trazer algo bem diferente daquilo que estamos acostumados a ver. Trata-se de uma nova forma de encarar os confrontos e de como usar as habilidades e peculiaridades de seus heróis. Afinal, vale a pena usar alguém como tank ou é melhor recuar e quebrar as defesas à distância para investir com força em seguida? Não há uma fórmula para o sucesso.

Para os olhos

Só que The Banner Saga não chama a atenção apenas por sua mitologia ou por seu sistema de combate. A Stoic trouxe um estilo visual incrível, deixando a saga dos guerreiros nórdicos com um ar de desenho animado que torna tudo muito bonito e muito envolvente.

Por mais que não tenhamos grandes animações e todas as artes sejam apresentadas em cenas estáticas de diálogo, o cuidado da desenvolvedora na hora de criar visuais únicos para as raças é impressionante. Os desenhos estão lindos e combinam muito bem com as referências nórdicas adotadas.

O único problema é que essa mesma falta de animações prejudica o ritmo do jogo. O excesso de diálogos e descrições de cenas torna tudo bem maçante, principalmente por conta do vocabulário rebuscado e dos termos que são típicos daquele universo. A avalanche de nomes de locais, pessoas e acontecimentos pode assustar e confundir em um primeiro momento.

O game ainda conta com um sistema de escolhas, mas isso não é algo tão sentido ao longo da demonstração liberada pela produtora. O maior impacto das minhas decisões foi quando optei por ficar na minha vila e fui massacrado por um exército de Dradges ou quando voltei ao campo de batalha e encontrei mais mantimentos para minha caravana. No entanto, a promessa da Stoic é que tenhamos grandes reviravoltas e mudanças significativas de acordo com o que você fez ou disse.

The Banner Saga chega aos PCs no dia 14 de janeiro prometendo muito. Por mais que ele seja um título independente, ele tem grandes nomes em sua produção — a Stoic foi criada por ex-membros da BioWare —, boas ideias e uma ótima execução. Ele tem tudo para dar certo e, pelo que foi visto aqui, segue muito bem por este caminho.

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