Prévia: Watch Dogs — Uma alegoria sobre a era high tech

Prévia: Watch Dogs — Uma alegoria sobre a era high tech

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Difícil não considerar Watch Dogs como uma emanação direta do “espírito” do momento histórico atual (o que já foi chamado de zeitgeist), com toda a sua orientação tecnológica/interconectada.

Afinal, é dado à exploração um mundo todo controlado por parafernálias eletrônicas ubíquas, as quais trazem conveniência na mesma medida em que jogam as últimas pás de terra sobre qualquer noção de intimidade. Como se vê, algo não muito distante dos atuais formatos de redes sociais — menos pelos selfies do que pelo assustador amontoado de informações lançado na internet diariamente.

Mas essa não é a única reflexão lançada pela Ubisoft. Nem de longe. Às portas do seu lançamento, Watch Dogs tem se mostrado também um dissidente em relação a um dos expedientes mais fervorosamente “garganteados” entre as novas gerações de jogos — sobretudo aqueles de mundo aberto. Trata-se da alardeada “escolha moral”. Vale olhar isso mais de perto.

Fique com a sua própria consciência

Nomeie, agora, aquele seu título preferido cujo andamento, diz-se, é todo orientado pelas suas escolhas — sejam escolhas focadas na ação física ou na escolha dos termos de um diálogo. Mesmo um Mass Effect ainda trará uma espécie de “resultante kármica”... Você é livre, sim... Mas é “livre para fazer o que é certo” — o que é claro, soa bastante paradoxal.

E isso por um motivo bastante claro: as suas ações, embora sejam permitidas, normalmente acabam por encontrar uma reparação moral — em outras palavras, você sempre “colhe o que plantou”. Bem, é exatamente isso que a Ubisoft parece querer evitar em Watch Dogs. Como? Simples: excluindo totalmente qualquer esquema de pontuação ou “consciência superior”.

Como já foi dito anteriormente, a Chicago “de um futuro próximo” aqui é praticamente toda interconectada. É possível hackear praticamente qualquer coisa — de semáforos a bloqueios de trânsito e câmeras de vigilância. Igualmente, também é possível conhecer a vida íntima de cada morador da cidade.

Não há uma consciência global

Dessa forma, deve ser perfeitamente comum que ao escolher um alvo para esvaziar sua conta bancária, você acabe descobrindo que o sujeito está desempregado, é recém-casado ou tem câncer terminal (sem uma ordem crescente de desgraças necessária aqui, por favor).

“Nós poderíamos facilmente ter utilizado os dados [coletados durante o jogo] para alimentar um sistema kármico”, reconhece o designer chefe do game, Danny Belanger, em entrevista ao site VG24/7. “Os dados estão todos ali, mas o ponto não é esse; a questão é que, se nós colocarmos uma pontuação, a fim de ‘gameficar’ a coisa toda, isso levaria a outra questão: ‘você agindo de determinada forma para melhorar o seu jogo ou porque você se importa?’”.

Dessa forma, caso você resolva roubar o dinheiro de um pobre coitado que utilizaria os trocados para comprar remédios... Não haverá qualquer tipo de censura dentro do jogo. E isso começa pela forma como as informações são exibidas aqui: trata-se de um banco de dados restrito, o qual, em teoria, não está ali esperando que um hacker de má índole apareça para utilizar da forma como melhor lhe couber.

“Obviamente é um jogo, mas nós estamos tentando torná-lo um pouco mais real, e muitas pessoas se importam com isso; a noção de roubar de boas pessoas, caso seja representada por pontos, passa a ser alguma outra coisa.” Dessa forma, não, ninguém vai ficar sabendo daquela sua escolha particularmente vil e desprezível — fique, portanto, com a sua própria consciência. “Nós queremos deixar que as pessoas escrevam suas próprias histórias.”

Nem tudo são escolhas morais

Mas fique tranquilo, nem tudo em Watch Dogs deve ser uma proposta de autoavaliação moral. Na verdade, as possibilidades de levantar pontes, alterar o estado de semáforos e levantar barricadas no meio da rua também devem servir para criar um belo pandemônio — não muito original mas, ao que parece, com alto potencial para diversão.

Às vezes a coisa toda vira uma espécie de colcha de retalhos formada por partes de GTA Online, partes de Splinter Cell e outras tantas de Assassin’s Creed. Um bom exemplo disso, de fato, são os modos multiplayer. Em um deles, por exemplo, é necessário capturar um arquivo em campo a fim de hackeá-lo antes que outra equipe o faça.

Em termos objetivos? Sim, é o velho e conhecido “capture a bandeira”. Entretanto, a forma incrivelmente orgânica assumida pela Chicago de Watch Dogs torna tudo muito mais imprevisível — embora, às vezes, também incompreensivelmente caótico. Como resultado, um observador externo veria oito sujeitos digladiando em uma cidade que parece um autômato com mau-funcionamento (pontes subindo e descendo, semáforos mudando doidamente de cores etc.).

Mas há alguns diferenciais aqui, naturalmente. Por exemplo, a “bandeira” aqui é hackeada mais rapidamente caso todos os membros da equipe estejam próximos uns dos outros. Dessa forma, seus celulares turbinados podem trabalhar conjuntamente, agilizando o processo. Ok, vá lá, até que é convincente, hein?

Caos questionador?

Embora Watch Dogs esteja às portas do seu lançamento, o naipe do que foi proposto pela Ubisoft torna tudo um grande “ver para crer”. Dessa forma, talvez seja difícil fazer grandes apostas antes de poder controlar diretamente o azarado Aiden Pearce — tanto na dramática campanha single player quanto no caos extraordinário das guerras high tech online.

A impressão que fica até o momento, entretanto, é a de um ambiente incrivelmente orgânico e abarrotado de boas ideias — sendo que boa parte delas trabalha bem conjuntamente. Afinal, além dos questionamentos morais (muito pertinentes) e do bom multiplayer, ainda deve haver a inclusão de um app auxiliar... Tudo isso com um nível de compartilhamento de espaço que não deixa nada a dever ao incrivelmente popular GTA Online.

Watch Dogs deve dar as caras no dia 27 de maio, com lançamentos previstos para PC, Xbox One, Xbox 360, PlayStation 4 e PlayStation 3. Uma versão para o Wii U deve chegar também em algum momento até o final deste ano.

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